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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Casa Malhoa, actualmente Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Arquitectura Civil / Casa

Designação
Designação Atual
Casa Malhoa, actualmente Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
Outras Designações
Casa do pintor José Malhoa / Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Inventário Temático Norte Júnior 1905-1929 (Ver Inventário Temático Norte Júnior)
Tipologia
Casa
Itinerário Temático
Norte Júnior
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Moradia unifamiliar isolada, de gaveto, vulgarmente designada por "Casa Malhoa", está situada na Rua 5 de Outubro, 6, esquina com a Rua Pinheiro Chagas (frente nascente), Bairro de Picoas.
Edifício harmonioso em escala e volumetria, circundado por jardins murados, a sua planta irregular resulta da interseção de três corpos, projetados com recuo ou avanço face a um bloco central onde se rasga um amplo janelão de sacada, de arco rebaixado e aduelas ressaltadas, flanqueado por meias pilastras e sobrepujado por frontão-cimalha.
A nascente, um corpo recuado, com janelas geminadas sobre escada alpendrada de acesso à casa. O corpo a poente, ligeiramente avançado, tem janelão de arco pleno assente em colunas com capitéis clássicos; a mísula que o sustenta é a aduela ressaltada da janela do piso inferior, de peito de verga curva. As restantes fenestrações do 1º piso são simples e retilíneas.
As soluções encontradas ao nível da planimetria e da altimetria, incluindo o recurso a paredes chanfradas, respondem a um dos requisitos do dono da obra: todas as dependências receberiam luz solar direta.
O corpo a sul tem cobertura de telha, como os demais, mas de uma só água, e um vitral figurativo Art Nouveau.
Os elementos decorativos externos unificam visualmente os corpos do imóvel e traduzem nas fachadas a sua estrutura interna: os registos são definidos por frisos de azulejos de José António Jorge Pinto, interpretações livres dos desenhos de Malhoa e António Ramalho, transpostos para pintura a fresco por João Eloy Amaral e que aqueles vieram substituir. No frontispício, dois painéis azulejares com efígies femininas ladeiam o janelão sobre o qual se inscreve, também em cerâmica, a máxima que deu nome à casa. Na parede de chanfro, painel azulejar alusivo à Pintura, sob baldaquino revivalista, define um vão cego de arco pleno. O trabalho escultórico das fachadas é de António Augusto Costa Mota, Sobrinho e todos os elementos em ferro forjado foram traçados por Norte Júnior e executados pelo serralheiro Vicente Joaquim Esteves, com eventuais conotações maçónicas (LÓPEZ: 2013).
História
Projeto de Manuel Joaquim Norte Júnior, de março de 1904, entregue ao construtor Frederico Augusto Ribeiro, o então designado "Lar-Oficina Pro-Arte", foi mandado construir pelo pintor José Malhoa, para sua casa e atelier. Na senda do ecletismo tardo-oitocentista, nesta casa cruzam-se valores decorativos da Arte Nova, trazidos de Paris, com o protótipo da casa portuguesa.O edifício sofreu algumas alterações ao longo do tempo, desde logo em novembro de 1904, com inclusão de um piso em cave, cuja existência é sugerida nas fachadas pela aplicação de pedra não aparelhada, idêntica à dos muros.
A "serena modernidade" da moradia muito agradou a José Malhoa, que logo almejou o Prémio Valmor, galardão que não obstante a temida oposição de Ventura Terra e Adães Bermudes (SALDANHA: 2010, p.59), ser-lhe-ia atribuído, conforme painel azulejar a poente.
Colocada à venda após a morte da mulher do pintor, entre 1919 e 1932 a casa conheceu dois novos proprietários, um dos quais o comerciante Dionísio Vasques, até ser adquirida pelo oftalmologista, Dr. Anastácio Gonçalves. Por testamento do também colecionador de arte, a "Casa Malhoa" e o seu recheio foram legados ao Estado para que aí fosse criado um museu.
Depois de incorporada nos bens do Estado, em 1969, foram realizadas obras de beneficiação na casa, que continuariam após a sua classificação como de Interesse Público, em 1982. Em 1987, perspetivando a ampliação da CMAG, teve início a remodelação da antiga Casa António Pinto da Fonseca Mota (1908), confinante com a "Casa Malhoa", na Rua Pinheiro Chagas. Em 1996, com projeto de Frederico e Pedro George, as moradias contíguas, ambas de Norte Júnior, passaram a estar ligadas.
Elsa Garrett Pinho
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Edital N.º 161/78 de 30-10-1978 da CM de Lisboa
Despacho de homologação de 3-06-1978 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 2-06-1978 da COISPCN a propor a classificação como IIP
Em 17-05-1978 foi dado conhecimento à CM de Lisboa de que o imóvel se encontrava em vias de classificação
Proposta de classificação de 15-05-1978 da DGAC
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Lisboa / Avenidas Novas
Avenida 5 de Outubro
Lisboa -
Polícia: 6-8
LATITUDE
38.732564
LONGITUDE
-9.146356
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1904
1904, entregue ao construtor Frederico Augusto Ribeiro, o então designado "Lar-Oficina Pro-Arte", foi mandado constru...
1908
1908), confinante com a "Casa Malhoa", na Rua Pinheiro Chagas.
1919
1919 e 1932 a casa conheceu dois novos proprietários, um dos quais o comerciante Dionísio Vasques, até ser adquirida ...
1932
1932 a casa conheceu dois novos proprietários, um dos quais o comerciante Dionísio Vasques, até ser adquirida pelo of...
1969
1969, foram realizadas obras de beneficiação na casa, que continuariam após a sua classificação como de Interesse Púb...
1978
1978 da CM de Lisboa Despacho de homologação de 3-06-1978 do Secretário de Estado da Cultura Parecer de 2-06-1978 da ...
1982
1982 (ver Decreto) Edital N.º 161/78 de 30-10-1978 da CM de Lisboa Despacho de homologação de 3-06-1978 do Secretário...
1987
1987, perspetivando a ampliação da CMAG, teve início a remodelação da antiga Casa António Pinto da Fonseca Mota (1908...
1996
1996, com projeto de Frederico e Pedro George, as moradias contíguas, ambas de Norte Júnior, passaram a estar ligadas...
2010
2010, p.59), ser-lhe-ia atribuído, conforme painel azulejar a poente.Colocada à venda após a morte da mulher do pinto...
2013
2013).HistóriaProjeto de Manuel Joaquim Norte Júnior, de março de 1904, entregue ao construtor Frederico Augusto Ribe...
2015
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Casa Malhoa". <i>Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa</i> (dir. Fernando de Almeida), Vol. 5, tomo 4, parte 1, p. 143 SOROMENHO, Miguel Edição 2000 Lisboa
<i>José Malhoa. Tradição e Modernidade</i> SALDANHA, Nuno Edição 2010 Lisboa
"Casa Malhoa". <i>Património arquitectónico e arqueológico classificado: distrito de Lisboa</i> LOPES, Flávio Edição 1993 Lisboa
"A arquitectura do ferro e do betão". In <i>Portugal Contemporâneo</i> (dir. António Reis), vol. 3, pp. 281-296 FERNANDES, José Manuel Edição 1990 Lisboa
<i>A Arquitectura do Princípio do Século em Lisboa (1900-1925)</i>. FERNANDES, José Manuel Edição 1991 Lisboa
A Arquitectura Modernista em Portugal (1890-1940) FERNANDES, José Manuel Edição 1993 Lisboa
<i>Os Anos Vinte em Portugal</i>. FRANÇA, José-Augusto Edição 1992 Lisboa
"Arquitectura Portuguesa do Século XX", in <i>História da Arte Portuguesa</i> (dir. Paulo Pereira), vol. 3 TOSTÕES, Ana Cristina Edição 1995 Lisboa
<i>História do Prémio Valmor</i> PEDREIRINHO, José Manuel Edição 1988 Lisboa
<i>100 Anos Prémio Valmor</i> PEDREIRINHO, José Manuel Edição 2003 Lisboa
<i>Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa</i> AA VV Edição 1987
"Finalmente começaram as obras na Casa Malhoa: sete anos depois cumpre-se a vontade do Dr. Anastácio Gonçalves que legou ao Estado importante património artístico".<i>A Capital</i> MACEDO, Luís Pastor de Edição 1972 Lisboa
"Como se trabalha em azulejos". <i>Civilização</i>, 4:44 (fevereiro de 1932) 32. SANCHES, José Dias Edição 1932 Porto
"Norte Júnior - O percurso e a obra de um arquitecto artista". <i>Sociedade Amor da Pátria. 150º Aniversário. 1859-2009</i>. CALADO, Maria Edição 2009 Horta
"Lisboa, 1900, as Avenidas Novas e o Arquiteto Norte Júnior". <i>Colóquio</i>, 2ª série, 73, pp. 54-63 SILVA, Raquel Henriques da Edição Lisboa
"O Prémio Valmor", <i>Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes</i>, Ano II, pp. 21-24 - Edição 1906 Lisboa
"Casa do Sr. J. Malhoa". Supplemento ao <i>Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes</i>, Anno III, 1907 - Edição 1907 Lisboa
"Casa de Artista", <i>A Construção Moderna</i>, Ano VI, nº 1, p.2 - Edição 1905 Lisboa
"A casa do artista José Malhoa". <i>A Construção Moderna</i>. Ano VI, nº 157 (10 fevereiro 1905), p. 2 CARVALHEIRA, Rosendo Garcia de Araújo Edição 1905 Lisboa
<i>O Prémio Valmor</i> AAVV Edição 2004 Lisboa
<i>A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves: Estudo das estruturas arquitectónicas, decorativas e da implantação urbanística dos dois edifícios que albergam a Casa-Museu. Da génese à actualidade</i>. Relatório de estágio. SIMÕES, Daniela Edição 2011 Lisboa
<i>'A Cidade e as Serras': o Azulejo Arte Nova Português no Panorama Artístico dos Primórdios do Século XX</i>. Dissertação de Mestrado SIMÕES, Daniela Edição
"Uma casa artística", <i> A Architectura Portugueza</i>, Ano II, nº 2, 1909, pp. 6-7 N.C. Edição 1909 Lisboa
<i>Prémio Valmor : 1902-1952</i> BAIRRADA, Eduardo Martins Edição 1988 Lisboa
<i>Norte Júnior: obra arquitectónica</i>, Tese de Mestrado em História da Arte. PAIXÃO, Maria da Conceição Ludovice Edição 1989 Lisboa
Cozinhas. Espaço e Arquitectura PEREIRA, Ana Marques Edição 2006 Lisboa
"Estética masónica y modernismo portugués. Lisboa y el arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior". <i>Akros. Revista de Patrimonio</i>, n.º 12, pp. 40-47 MARTÍN LÓPEZ, David Edição 2013 Melilla
<i>Contributos para um Programa de Interpretação e Comunicação na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves</i>. Trabalho de Projeto de Mestrado em Museologia MORGADO, Raquel Martins de Sousa Edição 2012 Lisboa
"Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves". <i>Arquitectura e Museus em Portugal. Entre Reinterpretação e Obra Nova</i> GUIMARÃES, Carlos Edição 2004 Porto
<i>Roteiro da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves</i> MATOS, Maria Antónia Pinto de Edição 2002 Lisboa
"Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves". <i>Dicionário da História de Lisboa</i> (dir. Francisco Santana e Eduardo Sucena), pp. 235-236 MATOS, Maria Antónia Pinto de Edição 1994 Lisboa
<i>Bairro das Picoas: História e Urbanismo</i>. Dissertação de Mestrado em História da Arte Contemporânea AMARO, Ana Clara Esteves Edição 2012 Lisboa
<i>Álvaro Augusto Machado, José António Jorge Pinto e o Movimento Arte Nova em Portugal</i>. Dissertação de Mestrado em Arquitetura FEVEREIRO, António Francisco Arruda de Melo Costa Edição 2011 Lisboa
"Casa do Pintor José Malhoa / Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves". SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico SILVA, João Edição 1992 Lisboa
<i>Guia de Arquitectura Lisboa 94</i> TOUSSAINT, Michel et. all. Edição 1994 Lisboa
<i>A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa: mudança e continuidade no espaço doméstico na primeira metade do século XX</i>, 2 vols.. Dissertação de Doutoramento em Arquitetura RAMOS, Rui Jorge Garcia Edição 2004 Porto
Arquivo Municipal de Lisboa, Obra n.º 45778 Edição Lisboa

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Imóvel sito na Praça do Duque de Saldanha, 28 a 30, e na Avenida da República, 1 e 1-A
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Moradia na Avenida Fontes Pereira de Melo, incluindo as áreas do antigo jardim, anexo residencial e garagem
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Edifício na Avenida da República, 13, e na Avenida Duque de Ávila, 38 A-K
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Edifício na Avenida da República, onde se encontra instalada a Pastelaria Versailles
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