Nota Histórico-Artistica
Situado na zona alta da vila de Serpa, o palácio dos Condes de Ficalho destaca-se pela sua curiosa localização, uma vez que está inserido no pano das muralhas. O palacete foi mandado edificar por D. Francisco de Melo, alcaide-mor de Serpa no final do século XVI. D. Francisco terá então iniciado a construção, obra posteriormente prosseguida pelos seus filhos, D. Pedro de Melo, governador do Rio de Janeiro, e D. António Martim de Melo, bispo da Guarda.
Os Melo, família há várias gerações detentora do cargo de alcaide-mor, habitavam numa residência medieval integrada no castelo da vila, da qual ainda se encontram vestígios (GIL, Júlio, 1992,p. 248). A reconstrução maneirista deu origem a um sumptuoso palácio, perfeitamente integrado na estrutura defensiva existente, formando um conjunto arquitectónico ímpar.
O edifício do palacete é um exemplar erudito da arquitectura civil maneirista, delineada de acordo com os princípios classicistas da tratadística italiana do século XVI. A fachada principal, divida em dois pisos, apresenta uma estrutura maneirista austera, de grande sobriedade, destacando-se o desenvolvimento longitudinal da planimetria e a simetria das fenestrações e portas, que marcam o ritmo do edifício.
A fachada posterior é um dos elementos mais interessantes da edificação. Integrada no pano das muralhas, apresenta-se também dividida em dois registos, tendo sido edificadas no piso inferior janelas de sacada, semelhantes às do piso nobre existentes na fachada principal. É rematada por cornija com gradeamento de ferro apoiado em balaustrada.
Interiormente, o palácio é dividido em salas amplas, intercaladas com galerias, cuja estrutura simples e austera se conjuga com a sobriedade exterior. O piso térreo, destinado sobretudo às áreas de serviço, apresenta ao centro uma larga escadaria que dá acesso ao andar nobre. Muitas das salas e galerias do andar nobre são decoradas por silhares de azulejos seiscentistas.
Pouco depois de edificado o palácio, foi construído sobre o pano da muralha um aqueduto, assente sobre uma arcada de volta perfeita, cujo objectivo era o abastecimento de água, em exclusivo para a habitação, a partir de um poço situado na extremidade sul da muralha.
Apesar da sua implantação, e de ter sido sempre habitado, a estrutura do palácio viria a degradar-se ao longo do século XIX, sobretudo devido à sua monumentalidade e a dificuldades de manutenção. Permanecendo ainda na posse dos Melo, condes e marqueses de Ficalho, foram os seus proprietários que a partir de meados do século XX patrocinaram grandes obras de restauro e recuperação do palacete.
Em 1946 foi iniciada uma primeira fase de obras de restauro, e no ano de 1954 era recuperado o jardim de buxo. Entre 1971 e 1973 o Palácio de Ficalho seria objecto de novas obras de recuperação. O restauro executado seria premiado em 1984 pelo Institut International des Châteaux Historiques.
Catarina Oliveira
Diploma de Classificação
Decreto n.º 6/2007, DR, 1.ª série, n.º78, de 20-04-2007 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 27-03-1997 do Ministro da Cultura
Parecer de 4-02-1997 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como MN
Despacho de abertura de 26-03-1996 do Presidente do IPPAR
Parecer de 27-09-1994 do Conselho Consultivo do IPPAR favorável a uma classificação de âmbito nacional
Proposta de abertura de 18-04-1994 da DR de Évora do IPPAR
Em 22-03-1994 a CM de Serpa enviou elementos para a instrução do processo
Proposta de classificação incluída na Proposta do Plano de Salvaguarda do Centro Histórico de Serpa apresentado para Parecer do IPPC em 1986
Número do Processo
Não disponível