Nota Histórico-Artistica
Ruínas de difícil atribuição e características, situadas na encosta de São Mateus, por detrás do teatro Rosa Damasceno, parecem remanescer delas, segundo alguns autores, apenas vestígios da sua feição maneirista. Maria Ângela Beirante, pelo contrário, considera-as como resquícios de um templo dedicado a Mitra, com datação possível dos sécs. II-III, baseando-se na descoberta de estruturas anteriores ao séc. XVII - de entre as quais o oratório do séc. XVI, a denominada "Casa dos Mouros" -, ao mesmo tempo que colocou outras hipóteses interpretativas, como a do culto a Cíbele, ao qual se associava o anteriormente referido culto de Mitra. (CUSTÓDIO, J., 1996, p. 143).
As características formais deste edifício perderam-se quase na sua totalidade, pelo que assume uma vertente de vestígios soterrados, em consequência, quer de obras, quer dos entulhos locais. Só do lado de Santa Cruz, na Ribeira de Santarém, é possível visualizar as ruínas, pelo menos de um ponto de vista de edifício construído, ou seja, uma parede - que aparenta ser o vestígio de uma antiga muralha -, para além de alguns contrafortes, de uma porta e de uma janela. (CUSTÓDIO, J., 1996, p. 133).
Na verdade, a planta desta edificação compreende um compartimento circular arruinado, bem como um segundo, ao qual se acede a partir da porta de entrada, de um corredor e de uma sala final, esta última coberta por uma cúpula.
Quanto ao seu interior, ele é todo abobadado em tijoleira, sendo de caixotões, de meio canhão e organizada em três secções, ou ordens, na primeira sala do edifício, sugerindo-se que o centro vital de todo este conjunto fosse desempenhado pela denominada "casa da cúpula", perfeita de cruzamento de arestas modeladas igualmente em tijoleira. Ainda em relação ao interior, verificamos que as paredes apresentam doze pequenos nichos de abóbada semi-esférica. (CUSTÓDIO, J., 1996, p. 134).
Entretanto, foi construída, no local, uma agência do Banco de Portugal, para além do próprio teatro da cidade, o que deverá condicionar qualquer intervenção de recuperação destas ruínas, para o que será absolutamente imprescindível levar a efeito, não apenas escavações arqueológicas, como inserí-las no circuito mais alargado correspondente ao património protegido. (CUSTÓDIO, J., 1996, p. 134).
[AMartins]
Diploma de Classificação
Portaria n.º 281/2014, DR, 2.ª série, n.º 82, de 29-04-2014 (ver Portaria)
Parecer de 26-03-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor que a categoria de classificação seja alterada para MIP, de acordo com a legislação em vigor
Despacho de homologação de 6-11-1978 da Secretária de Estado da Cultura
Parecer favorável de 6-11-1978 da COISPCN
Informação favorável de 13-05-1977 da DGPC
Proposta de 29-04-1977 de João Ludgero Marques e Vítor Serrão para a classificação como IIP