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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

</>Villa</i> Romana do Montinho das Laranjeiras

Arqueologia / Villa

Designação
Designação Atual
</>Villa</i> Romana do Montinho das Laranjeiras
Outras Designações
Villa Romana do Montinho das Laranjeiras (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Villa
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Posta a descoberto por uma cheia do Guadiana em 1876, o sítio arqueológico do Montinho das Laranjeiras compõe-se, genericamente, de uma uilla romana, mas revela ocupação que se prolonga por toda a Alta Idade Média, chegando, mesmo, às vésperas da (re)conquista cristã do território.
Na origem, o entreposto romano aqui sediado beneficiou da proximidade do rio, servindo de base de apoio ao comércio do Guadiana para Mértola e Mérida e, destas cidades, para o Mediterrâneo. Um porto parece ter estado sempre activo, independentemente das vagas civilizacionais que se sucederam no domínio pelo território: romanos; vândalos; bizantinos; visigodos; muçulmanos emirais, califais, taifas e almóadas... A uilla encontra-se ainda longe de estar escavada na sua totalidade, mas é possível reconhecer algumas estruturas habitacionais romanas, maioritariamente quadrangulares, por vezes associadas a pátios centrais, em torno dos quais se dispõem racionalmente os compartimentos.
Um dos maiores motivos de interesse desta estação arqueológica é o facto de possuir uma igreja cruciforme, ao que tudo indica "a mais antiga com este tipo de planta que conhecemos na Península Ibérica, assim como aquela que nos surge mais a sul" (MACIEL, 2003, p.119).
A cronologia exacta a atribuir ao monumento apresenta dificuldades semelhantes às que se verificam na Capela de Nossa Senhora da Rocha, em Lagoa, se bem que aqui estejamos melhor informados acerca das realidades arqueológicas em presença. Os estudos mais concretos devem-se a Manuel Justino Maciel que, ao longo da última década e meia, se tem dedicado a este monumento religioso. De acordo com as suas conclusões, são as duas fases construtivas da ecclesia, reveladoras de distintos momentos civilizacionais.
A primeira construção (a que corresponde, genericamente, a planta do templo) verificou-se nos "fins do séc. VI, princípios do séc. VII", em pleno período de domínio bizantino do Sul da Península (MACIEL, 1996, p.94). Ao que tudo indica adaptando-se a um urbanismo pré-existente, determinado pela localização paralela ao rio das antigas estruturas, a igreja é de planta centralizada, de braços praticamente iguais. A cabeceira voltava-se a SE. e articula-se, para Ocidente, com um braço relativamente mais longo e de três compartimentos, contendo o extremo o baptistério. A entrada principal situava-se, presumivelmente, do lado NE., através de um átrio de dupla entrada, que teria correspondência com o braço oposto, também ele com uma habitação de dupla entrada (IDEM, p.95 - planta). Em termos estilísticos, este edifício integra-se numa corrente ravenaico-bizantina de raiz mediterrânica, com decoração rica que poderia integrar motivos ao longo das paredes e da cobertura (IDEM, p,100).
Algum tempo depois, numa cronologia que oscila entre o derradeiro século de domínio visigótico e o advento do moçarabismo peninsular, a igreja foi objecto de uma reforma. Acrescentou-se uma nova cabeceira à anteriormente existente e refizeram-se os esquemas de acesso e de circulação; paralelamente, uma parte considerável do interior foi aproveitado para enterramentos e desta fase parece datar um fragmento de imposta que, "pela pobreza do material, pelas reduzidas dimensões e pela grande imperfeição técnica" da sua decoração, foi considerada uma obra já tardia, "talvez sinal de um abrandamento no calor económico das transacções efectuadas através do Guadiana, posteriormente aos meados do século VII" (IDEM, pp.98 e 100).
A arqueologia não resolveu os problemas de transição para a época islâmica. A identificação de cerâmicas califais (COUTINHO, 1993) e, mais recentemente, de alguma almóada, veio colocar numerosas perguntas ainda sem respostas. A opinião mais consensual é a de que o Montinho tenha servido de mosteiro moçárabe, mas, de momento, a "única certeza" é o facto de a igreja ter permanecido "aberta ao culto durante a ocupação islâmica" (REAL, 1995, p.51; CATARINO, 1997/98, vol. I, p.100).
PAF
Diploma de Classificação
Portaria n.º 883/2013, DR, 2.ª série, n.º 240, de 11-12-2013 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 29-04-1997 do Ministro da Cultura
Parecer de 17-03-1997 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Despacho de abertura de 21-02-1996 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 31-01-1996 do Departamento de Arqueologia do IPPAR
Proposta de classificação de 18-08-1994 da FCSH da Universidade Nova de Lisboa
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como SIP - Sítio de Interesse Público

ZEP Despacho de 4-09-2013 da diretora-geral da DGPC a determinar a reanálise da ZEP
Anúncio n.º 18153/2011, DR, 2.ª série, n.º 234, de 7-12-2011 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 15-12-2010 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Despacho de 20-10-2010 do director do IGESPAR, I.P. a enviar o processo para parecer da SPAA do Conselho Nacional de Cultura, concordando com uma ZEP idêntica à ZP (50 m)
Afectação 9914630
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Alcoutim / Alcoutim e Pereiro
- na margem direita do rio Guadiana, entre Montinho das Laranjeiras e Laranjeiras
- -
Polícia:
LATITUDE
37.404525
LONGITUDE
-7.460484
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1876
1876, o sítio arqueológico do Montinho das Laranjeiras compõe-se, genericamente, de uma uilla romana, mas revela ocup...
1993
1993) e, mais recentemente, de alguma almóada, veio colocar numerosas perguntas ainda sem respostas.
1994
1994 da FCSH da Universidade Nova de Lisboa Posta a descoberto por uma cheia do Guadiana em 1876, o sítio arqueológic...
1995
1995, p.51; CATARINO, 1997/98, vol.
1996
1996 do vice-presidente do IPPAR Proposta de abertura de 31-01-1996 do Departamento de Arqueologia do IPPAR Proposta ...
1997
1997 do Ministro da Cultura Parecer de 17-03-1997 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP D...
2003
2003, p.119).A cronologia exacta a atribuir ao monumento apresenta dificuldades semelhantes às que se verificam na Ca...
2013
2013, DR, 2.ª série, n.º 240, de 11-12-2013 (sem restrições) (ver Portaria)Despacho de homologação de 29-04-1997 do M...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Antiguidades Monumentaes do Algarve, vol. 2 VEIGA, Sebastião Filipe Martins Estácio da Edição 1888 Lisboa
"O Algarve oriental durante a ocupação islâmica - povoamento rural e recintos fortificados", Al- Ulyã, nº6, 3 vols. CATARINO, Helena Maria Gomes Edição 1997 Loulé
O Algarve islâmico : roteiro por Faro, Loulé, Silves e Tavira CATARINO, Helena Maria Gomes Edição 2002 Faro
"Cerâmica muçulmana do Montinho das Laranjeiras", Arqueologia Medieval, nº2, pp.39-53 COUTINHO, Hélder Manuel Ribeiro Edição 1993 Porto
"Sigilata clara do Montinho das Laranjeiras (Escavações de 1990)", IV Reunião de Arqueologia Cristã Hispânica, pp.507-514 COUTINHO, Hélder Manuel Ribeiro Edição 1995 Barcelona
Terra sigillata clara do Montinho das Laranjeiras, Dissertação de Mestrado em História da Arte apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa COUTINHO, Hélder Manuel Ribeiro Edição 1995 Lisboa
"Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade cristã no ocidente peninsular", IV Reunião de Arqueologia Cristã Hispânica (Lisboa, 1992), 1995, pp.17-68 REAL, Manuel Luís Edição 1995
"Portugal: cultura visigoda e cultura moçárabe", Visigodos y Omeyas. Un debate entre la Antiguedad Tardia y la Alta Edad Media, pp.21-75 REAL, Manuel Luís Edição 2000 Madrid
"Antigualhas Romanas do Algarve", O Archeólogo Portuguez, 1ª sér., nº4, pp.280-281 VASCONCELLOS, José de Leite de Edição 1898 Lisboa
Documentos de Estácio da Veiga para o estudo da arqueologia do Algarve : I Catálogo de plantas, desenhos e mosaicos MACHADO, João Luís Saavedra Edição 1970 Lisboa
Arqueologia Romana do Algarve SANTOS, Maria Luisa Estácio da Veiga Afonso dos Edição 1972 Lisboa
"Reescavações na villa romana do Montinho das Laranjeiras (Alcoutim)", Arqueologia Medieval, nº2, pp.31-38 MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1993 Porto
"A Época Clássica e a Antiguidade Tardia", História da Arte Portuguesa, vol. I MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1995 Lisboa
Antiguidade Tardia e paleocristianismo em Portugal MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1996 Lisboa
"A "Villa" romana fluvial do Montinho das Laranjeiras, junto ao Guadiana (Algarve). Escavações de 1991", Arqueologia en el Entorno del Bajo Guadiana. Actas del Encuentro Internacional de Arqueologia del Suroeste, pp.469-484 MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1994 Huelva
"Montinho das Laranjeiras (Alcoutim). Escavação de 1995", Arqueologia Medieval, nº6, pp.5-10 MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1999 Porto / Mértola
"Vectores da arte paleocristã em Portugal nos contextos suévico e visigótico", XXXIX Corso di Cultura sull'Arte Ravennate e Bizantina, pp.435-495 MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1992 Ravena
"Trois églises de plan cruciforme au Portugal et les trajets méditerranéens des VIe et VIIe siècles", XIII Congressus Internationalis Archaelogiae Christianae MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 1998 Split
"Suevos, Bizantinos e Visigodos no Sul da Bética e da Lusitânia. Arte, percursos e fronteiras", Trabalhos de Antropologia e Etnologia, nº40 (1-2), pp.185-194 MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 2000 Porto
"Do romano ao islâmico: as escavações de 1997 no Montinho das Laranjeiras (Algarve)", Actas do III Congresso de Arqueologia Peninsular, vol. 6, pp.657-668 MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 2000 Porto
"O território de Balsa na Antiguidade Tardia", Tavira. Território e Poder, catálogo de exposição, pp.105-126 MACIEL, Manuel Justino Pinheiro Edição 2003 Lisboa
"O século XX e a arqueologia muçulmana em Portugal", Arqueologia e História, vol. 54, pp.203-220 GOMES, Rosa Varela Edição 2002 Lisboa
Levantamento Arqueológico do Concelho de Alcoutim GRADIM, Alexandra Edição 1997 Alcoutim

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