Nota Histórico-Artistica
Implantada num local relativamente isolado, a ermida de São Julião destaca-se pelos seus volumes compactos, nos quais se abre a galilé lateral. São conhecidas algumas referências a eremitas aqui instalados desde a segunda metade do século XVI, nomeadamente Mateus Álvares, que ficou célebre por pretender fazer-se passar por D. Sebastião (LUCENA, 1987, p. 96). Todavia, o edifício que hoje conhecemos é bastante posterior, e o ano de 1758, inscrito na porta principal deverá datar a sua reedificação. De facto, grande parte dos elementos decorativos que aqui se encontram, particularmente os azulejos, inserem-se já num contexto neoclássico.
A fachada principal, de remate em empena, é revestida por azulejo de padrão próprio da segunda metade do século XVIII, com molduras a enquadrar motivos florais, na zona inferior. O portal apresenta moldura trabalhada, onde se inscreve a data já referida e, ao centro, um emblema formado por uma coroa, atravessada por uma palma e uma espada. Por cima, uma cartela em azulejo, exibe a figuração dos patronos da ermida, São Julião e Santa Basilissa.
Na realidade, a iconografia do interior da ermida reflecte a sua dedicação a São Julião e a Santa Basilissa, cuja história se encontra bem expressa nos painéis de azulejo que, organizados em três registos, revestem as paredes da nave e capela-mor. As molduras polícromas denotam a linguagem neoclássica, com uma ornamentação mais leve e delicada, a que se opõem as figurações, a azul e branco.
A identificação das cenas representadas é facilitada pelas respectivas legendas, que visavam tornar a mensagem mais evidente e de compreensão imediata.
Ainda na nave encontra-se um púlpito de madeira e o coro, assente sobre mísulas de cantaria. Por fim, na capela-mor, salienta-se o retábulo com as imagens de São Julião e Santa Basilissa.
Uma última referência para a sacristia, cujo revestimento azulejar azul e branco deverá ser anterior ao da nave, e representa episódios da Paixão de Cristo.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 42 007, DG, I Série, n.º 265, de 6-12-1958 (localizou, erradamente, na Ericeira) (ver Decreto)
Despacho de homologação de 15-02-1958 do Subsecretário de Estado da Educação Nacional
Parecer de 14-02-1958 da 1.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 15-01-1958 da DGEMN
Número do Processo
Não disponível