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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Conjunto dos elementos que caracterizam o pátio nobre e jardins da Casa de Simães (muro principal, portão armoriado, fontes e estátuas)

Arquitectura Civil / Casa

Designação
Designação Atual
Conjunto dos elementos que caracterizam o pátio nobre e jardins da Casa de Simães (muro principal, portão armoriado, fontes e estátuas)
Outras Designações
Casa de Simães e Jardins (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Casa
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A freguesia de Moure teve origem no reguengo de grandes dimensões que D. Afonso III "aforou aos homens bons (...), os quais se comprometeram a servir de homens de falas e a reunir-se, aqui, no lugar de Felgueiras desta freguesia, para decidirem certos assuntos administrativos e de justiça local" (FERNANDES, 1989, p. 78). O dinamismo da região levou a que D. Dinis conferisse privilégios aos responsáveis pela valorização desta zona, formando-se então uma série de feudos, já mencionados no foral de D. Manuel (IDEM). Entre estes, encontra-se o de Simães.
Inicialmente, a casa da Quinta não deveria apresentar elementos de destaque, servindo de morada aos Juízes dos Órfãos do Concelho. Mais tarde, em 1607, a propriedade foi adquirida por Francisco Pinto da Cunha (Guia de Portugal, 1982, p. 1265). A partir desta data, a casa de Simães tornou-se habitação dos donatário de Felgueiras, cargo exercido pelo referido Francisco Pinto da Cunha que, em 1613, instituiu um vínculo de morgadio em nome do irmão, João Pinto da Cunha, então arcediago de Lisboa (FERNANDES, 1989, p. 79).
Deve-se, com certeza, ao primeiro donatário a habitar a casa de Simães, os melhoramentos do edifício habitacional mas, a crer no imóvel que hoje conhecemos, esta campanha de obras apenas terá uniformizado os vãos que se abrem nos alçados dos diferentes volumes, de moldura recta com friso superior saliente.
De facto, os elementos do exterior que subsistem actualmente, apontam para uma cronologia mais tardia, denotando um gosto barroco ou mesmo rococó. Estes, foram edificados já no decorrer do século XVIII, mas desconhecemos se na mesma época a casa foi objecto de nova remodelação, pois o que hoje observamos é um imóvel de características funcionais, onde os elementos decorativos foram circunscritos à sua expressão mais reduzida.
Assim, ganha especial importância o portal armoriado, de acesso à propriedade e ao pátio, onde se encontram as fontes e os diferentes volumes correspondentes à casa. O portal é flanqueado por pilastras com capitéis que suportam o entablamento, liso, sobre o qual se ergue o frontão contracurvado. No tímpano, exibe-se brasão esquartelado dos Pintos, Pereiras, Silvas e Coelhos, rodeado por esculturas de guerreiros (IDEM, p. 140). Já no pátio, destacam-se as cinco fontes, integradas no amplo muro que delimita a área do que terá sido um antigo jardim. Cada uma delas é uma alegoria às quatro parte dos mundo - África, Ásia, Europa e América, mas relacionável com os quatro ramos do brasão da família. Ou seja, à Ásia correspondem os Pereira, à África os Pintos, à Europa os Coelhos e à América os Silvas (IDEM, p. 141). Assim, observamos um programa iconográfico que se prolonga desde o portão até ao jardim, e que tinha por objectivo a exaltação do prestígio e poder dos proprietários da Quinta.
A ultima fonte apresenta a figura de um cupido, e todas as outras assentam sobre representações de monstros marinhos a partir dos quais a água jorra para o tanque. Nos intervalos das fontes, encontram-se bancos para descanso e o muro é coroado por elementos de cantaria, contracurvados, que terminam em esferas. Ao centro do pátio, encontra-se ainda um chafariz e, nos extremos do muro duas esculturas de granito representam escudeiros (Guia de Portugal, 1982, p. 1265).
Ainda que apenas estes elementos tenham chegado até hoje, é possível que o pátio original apresentasse uma maior complexidade formal, mas onde a natureza foi trabalhada para servir enquanto espaço de passeio, e onde os equipamentos, de que os bancos entre as fontes são um dos melhores exemplos, foram pensados para a fruição de quem os habitava. Por outro lado, o jardim barroco implica "uma visão do mundo, do homem e do próprio cosmos", que no caso da Quinta de Simães se prende com referências mitológicas, mas também profanas e mundanas, de exaltação da nobreza dos seus habitantes, como pudemos observar (LETE, 1989, p. 238).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Felgueiras / Margaride, Várzea, Lagares, Varziela e Moure
- -
Simães -
Polícia:
LATITUDE
41.354688
LONGITUDE
-8.166938
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1265
1265).
1607
1607, a propriedade foi adquirida por Francisco Pinto da Cunha (Guia de Portugal, 1982, p.
1613
1613, instituiu um vínculo de morgadio em nome do irmão, João Pinto da Cunha, então arcediago de Lisboa (FERNANDES, 1...
1974
1974 (ver Decreto) A freguesia de Moure teve origem no reguengo de grandes dimensões que D.
1982
1982, p.
1989
1989, p.
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Felgueiras de Ontem e de Hoje FERNANDES, Maurício Antonino Edição 1989 Felgueiras
Guia de Portugal, Vol. II Colecção

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