Nota Histórico-Artistica
As origens deste templo recuam ao século XIV, altura em que se sabe ter sido edificada uma igreja dedicada a São Lourenço. Desconhece-se, todavia, qual a sua configuração (admite-se que tenha sido de nave única com capela-mor de tramo final poligonal, como foi usual nessa centúria), uma vez que, pouco mais de um século volvido, ao redor de 1570, o antigo edifício gótico foi integralmente demolido para dar lugar ao monumento que hoje se conserva.
Trata-se de uma característica igreja maneirista, de proporções medianas, composta pela justaposição de dois rectângulos: o da nave, mais comprido, e o da capela-mor, que mantém a mesma altura em relação ao corpo, diferenciando-se planimetricamente por um pequeno ressalto ao nível do arco triunfal. A fachada principal é de pano único, a que se adossou torre sineira pelo lado direito. Ao centro, abre-se o portal, que é de lintel recto, moldurado, sublinhado superiormente por janelão do coro de idêntica tipologia. A empena é contracurvada, animando, desta forma, o "rectilinismo" da construção. A torre sineira, de planta quadrangular, é marcada por cunhais de cantaria e aberta no registo superior por vãos de arco de volta perfeita.
O interior é de nave única e nele se conserva um púlpito quinhentista formado por mármores da vizinha Serra da Arrábida. As paredes encontram-se revestidas por azulejos setecentistas, azuis e brancos, sendo os mais importantes os das paredes laterais da capela-mor, que representam diversas cenas bíblicas. Encontram-se atribuídos à oficina de António e Policarpo de Oliveira Bernardes (pai e filho), uma das mais importantes estirpes de azulejadores de finais do século XVII e primeira metade do século XVIII, quando esta modalidade artística atingiu o auge de criatividade, especialmente em Lisboa. Os azulejos da nave, embora pareçam ser de mão diferente, inserem-se nessa grande produção do reinado de D. João V, enquanto que os que revestem as paredes do baptistério são ligeiramente mais tardios, já do ciclo pombalino.
Sem obras assinaláveis ao longo do século XIX, o templo foi intervencionado a partir de 1947, numa campanha restaurada algo prolongada que levou ao apeamento do arco triunfal, à conservação dos azulejos e à integral substituição de pavimentos e coberturas.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28 536, DG, I Série, n.º 66, de 22-03-1938 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível