Nota Histórico-Artistica
Também conhecido como Solar dos Carvalhos da Rua Formosa, antiga denominação da Rua do Século, foi possivelmente mandado construir na segunda metade do séc. XVII pelo avô de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, que aqui nasceu e habitou. É um típico solar urbano seiscentista, com três pisos e águas-furtadas, sendo as fachadas rasgadas por fiadas regulares de janelas, idênticas em cada registo. No rés-do-chão abrem-se janelas rectangulares de peitoril, o andar nobre é pontuado por janelas de sacada, e o segundo andar por pequenas janelas quadradas. Sobre uma das janelas do primeiro piso encontra-se a pedra de armas dos Carvalhos (estrela de oito pontas entre quatro crescentes), encimada pela coroa de marquês.
O palácio foi melhorado e ampliado por Pombal, em obras efectuadas entre 1760 e 1770, quando foi valorizado com azulejos, estuques e uma escadaria nobre em pedra, com dois patamares. Aqui figuram duas esculturas mitológicas em mármore e duas pedras de armas dos Carvalhos, sustentadas por leões. O tecto da escadaria possui um impressionante estuque decorativo, com uma representação alegórica do Amor e da Morte (Eros e Thanatos). Os tectos de estuque, com representações alegóricas e temas mitológicos, são atribuídos a Grossi, estucador e escultor italiano, e repetem-se em várias salas do palácio, juntamente com silhares de azulejos azuis e brancos ou policromos (possivelmente oriundos da Fábrica do Rato). Conserva-se ainda um pequeno oratório decorado com estuques, e uma tela representando Nossa Senhora das Mercês.
O jardim das traseiras foi igualmente remodelado pelo Marquês. Nele se encontra um lago central, com repuxo, e quatro pequenos pavilhões de planta quadrada nos cantos. Os pavilhões possuem cobertura piramidal e tectos de estuque, e são revestidos por azulejos, tal como os muretes e conversadeiras que delimitam o espaço. Destaca-se ainda uma bela fonte ornamental, com uma sereia cavalgando um golfinho.
Deste jardim parte uma passagem subterrânea, que o liga ao chafariz fronteiro à fachada principal. Este remata o Largo do Chafariz, uma praceta semicircular onde as carruagens manobravam antes de entrarem no palácio. Está abrangido pela classificação, fazendo parte da propriedade original. É um belíssimo fontanário de gosto neoclássico tardio, desenhado no século XVIII por Carlos Mardel. Levanta-se sobre uma escadaria poligonal, e possui taça pouco profunda, para onde deitam três bicas em bronze.
Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, I.P. / 2009
Diploma de Classificação
Portaria n.º 1276/2009, DR, 2.ª série, n.º 231, de 27-11-2009 (alterou a localização para: Rua do Século, 65 a 103, e Rua da Academia das Ciências, 1 a 5) ) (ver Portaria)
Despacho de concordância de 15-04-2009 do director do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 7-04-2009 do DJC do IGESPAR, I.P.
Proposta de 26-08-2008 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a rectificação do número de polícia
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (localizou na Rua do Século 65 a 85 e Rua da Academia das Ciências) (ver Decreto)
Edital N.º 94/85 de 5-08-1985 da CM de Lisboa
Despacho de homologação de 15-03-1985 do Ministro da Cultura
Parecer de 8-03-1981 da Assessoria Técnica do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 27-12-1984 do IPPC
Em 7-05-1981 a CM de Lisboa enviou documentação para a instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 5-03-1981 da CM de Lisboa
Número do Processo
Não disponível