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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Palácio dos Carrancas

Arquitectura Civil / Palácio

Designação
Designação Atual
Palácio dos Carrancas
Outras Designações
Museu Nacional de Soares dos Reis / Palácio das Carrancas (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Palácio
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O Palácio dos Carrancas, actual Museu Nacional de Soares dos Reis, começou a ser construído em 1795 como habitação e fábrica da família Moraes e Castro, proprietária da Fábrica do Tirador de Ouro e Prata na Rua dos Carrancas. A designação do Palácio remonta exactamente à antiga localização desta abastada família de negócios portuense.
O edifício é constituído por quatro zonas essenciais - a zona nobre de planta em "U", com três pisos e águas furtadas; as galerias de um único piso que prolongam o Palácio e são ligadas por uma outra transversal; o pátio central fechado; e um espaço nas traseiras delimitado pelo muro paralelo à fachada. Embora tenha sofrido, ao longo dos tempos, diferentes reutilizações, a traça original mantém-se não se afastando muito do projecto original, atribuído a Joaquim da Costa Lima Sampaio, o arquitecto do Porto que trabalhou na construção do Hospital de Santo António, da responsabilidade do inglês John Carr, e na Feitoria Inglesa, da autoria de Jonh Whitehead, nomes incontornáveis da renovação arquitectónica de cariz neopalladiano na cidade do Porto ocorrida a partir do segundo quartel do século XVIII (PEREIRA, 19 pp. 187-188; REAL, 1993, p.54). A proximidade entre este edifício e o do Hospital de Santo António é notória, principalmente, ao nível da composição de determinados alçados - fachada do Palácio dos Carrancas e secção do alçado nascente do Hospital.
O Palácio dos Carrancas insere-se, então, na corrente neoclássica que marcaria a arquitectura civil portuense no final do século XVIII com a construção do Hospital de Santo António, avançando significativamente pelo século XIX em edifícios como a Alfândega Nova, entre outros.
Ao nível urbanístico, este Palácio surge num período de grandes alterações, com o plano renovador dos Almadas e mais concretamente de Francisco Almada e Mendonça, que sucedeu a João Almada na direcção da Junta das Obras Públicas (REAL, TAVARES, 1993, pp. 70-71).
No seu interior, destaca-se a decoração cuidada e expressamente encomendada pelos Moraes e Castro, nomeadamente os estuques da sala de jantar e o mobiliário da sala de música, inspirado nas criações de Robert Adams, e que são tradicionalmente atribuídos a Luís Chari.
Sempre destacado no contexto palaciano do Porto, este edifício serviu de residência oficial ao General Soult em 1809, de quartel general ao Duque de Wellington, e de residência ao general Beresford, entre outras personagens ligadas ao exército libertador aquando das Invasões Francesas. Também D. Pedro IV ai instalou o seu quartel-general durante o cerco do Porto. Mais tarde, D. Pedro V decidiu comprar o Palácio e transformá-lo em residência oficial. Já em 1915 D. Manuel II deliberou, no seu testamento, entregar o edifício à Misericórdia para que esta instituição aí instalasse um hospital; um documento só conhecido em 1932, aquando da morte do rei. Poucos anos mais tarde, a direcção do Museu Nacional de Soares dos Reis iniciou negociações com o Estado e Misericórdia a fim de transferir para o Palácio dos Carrancas aquele que foi o primeiro museu público do país, reflexo da nova consciência cultural do liberalismo. Criado por D. Pedro IV em 1833 com espólio do Museu Portuense e do Museu Municipal do Porto (a antiga colecção de João Allen), e até aí instalado no edifício do Convento de Santo António da Cidade, em São Lázaro, o Museu de Soares dos Reis inaugurou as suas novas instalações em 1942.
A partir de 1992 o edifício foi alvo de um projecto de remodelação da autoria do arquitecto Fernando Távora, que reestruturou toda a área museológica, criando novos espaços como um auditório, um departamento educativo, salas de exposições temporárias, zonas de acolhimento, cafetaria, loja e acessos, estes últimos com o objectivo de responder positivamente às necessidades museológicas contemporâneas. Uma renovação aberta ao público em 2001 para a iniciativa "Porto - capital europeia da cultura".
Rosário Carvalho
Diploma de Classificação
Esteve (indevidamente) em vias de classificação, nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, DR, I Série, n.º 16, de 24-08-2006 (ver Diploma)
Decreto n.º 24 003, DG, I Série, n.º 136, de 12-06-1934 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Portaria de 9-03-1962, publicada no DG, II Série, n.º 73, de 27-03-1962 (com ZNA)
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Porto / Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
Rua de D. Manuel II
Porto -
Polícia: 44
LATITUDE
41.148108
LONGITUDE
-8.621494
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1795
1795 como habitação e fábrica da família Moraes e Castro, proprietária da Fábrica do Tirador de Ouro e Prata na Rua d...
1809
1809, de quartel general ao Duque de Wellington, e de residência ao general Beresford, entre outras personagens ligad...
1833
1833 com espólio do Museu Portuense e do Museu Municipal do Porto (a antiga colecção de João Allen), e até aí instala...
1915
1915 D.
1932
1932, aquando da morte do rei.
1934
1934 (ver Decreto) O Palácio dos Carrancas, actual Museu Nacional de Soares dos Reis, começou a ser construído em 179...
1942
1942.A partir de 1992 o edifício foi alvo de um projecto de remodelação da autoria do arquitecto Fernando Távora, que...
1992
1992 o edifício foi alvo de um projecto de remodelação da autoria do arquitecto Fernando Távora, que reestruturou tod...
1993
1993, p.54).
2001
2001 para a iniciativa "Porto - capital europeia da cultura".
2006
2006, DR, I Série, n.º 16, de 24-08-2006 (ver Diploma) Decreto n.º 24 003, DG, I Série, n.º 136, de 12-06-1934 (ver D...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Bases para a compreensão do desenvolvimento urbanístico do Porto", Porto a Património Mundial, pp.61-82 TAVARES, Rui, REAL, Manuel Luís Edição 1993 Porto
"Elementos sobre o valor histórico e patrimonial da área proposta", Porto a Património Mundial, pp.48-58 REAL, Manuel Luís Edição 1993 Porto
"O neoclássico", História da Arte Portuguesa, vol.3, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.183-205 PEREIRA, José Fernandes Edição 1995
Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem) SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1900 Porto
Inventário Artístico de Portugal - Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Porto e Santarém SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 2000 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Pombalismo e o Romantismo FRANÇA, José-Augusto Edição 2004 Lisboa
Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho Edição 1995 Lisboa
Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva Edição 1998 Universidade Nova de Lisboa
Os Carrancas e o seu Palácio Edição 1984 Porto

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