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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela de Nossa Senhora da Conceição

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela de Nossa Senhora da Conceição
Outras Designações
Capela da Praça / Capela de Nossa Senhora da Conceição / Capela da Praça (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O mais antigo templo de Arcos de Valdevez é esta pequena capela, inserida na malha urbana da vila e praticamente escondida dos olhares menos atentos, tal a singeleza da sua construção. Ao que tudo indica, é uma obra tardia, já na viragem para o século XV, mais precisamente de pouco antes de 1410. Nesta data, o abade João Domingues, de Sabadim, deixou expresso no seu testamento a intenção de se fazer sepultar na capela que construíra em Arcos de Valdevez e no túmulo igualmente realizado para o efeito (BARROCA, 1987, p.359).
Apesar de construída no tempo gótico que, por exemplo, na Batalha anunciava já o tardo-gótico, a pequena capela de Nossa Senhora da Conceição (ou da Praça, como também é conhecida) é uma das construções que melhor testemunha a manutenção do Românico, muito para lá do que seria esperado. Sabemos que foi no Norte do País, e nas suas regiões mais periféricas, que o Românico continuou a ser o estilo preferencial de arquitectura pelos séculos XIII e XIV. Mas pelo exemplo de Arcos de Valdevez é possível perceber que o estilo das nossas catedrais do século XII sobreviveu até aos alvores da Modernidade.
O carácter rude, extremamente compacto e escassamente iluminado da capela não deixa dúvidas acerca de uma resistência estilística de índole românica. Ainda que se utilize o arco quebrado, a marcação de impostas e, especialmente, a decoração da arquivolta exterior com uma solução boleada, remete para um conjunto de igrejas datáveis dos séculos XIII-XIV, em todo o Norte do País e que têm em comum uma linguagem estilística de resistência face às novas opções góticas.
Por estas analogias, pensa-se também que João Domingues mais não fez que reaproveitar uma anterior capela, construída no século XIV, o que a aproximaria mais daquele grupo de templos de transição para o Gótico. Mas as informações que actualmente possuimos não confirmam qualquer destas posições.
Em todo o caso, a capela funerária de João Domingues foi uma obra não totalmente fechada à novidade artística. Anos depois da morte do seu instituidor, parte da capela foi coberta por um revestimento mural de pintura, de que hoje restam escassíssimos vestígios, mas que representariam, na origem, um bispo, entre outras figuras imperceptíveis (PEREIRA, 1916).
É um templo que justapõe dois corpos: a nave e a capela-mor, esta mais baixa e estreita que a anterior. O arco triunfal é quebrado e assenta directamente na caixa murária, sendo a iluminação da abside efectuada por três frestas harmonicamente dispostas no alçado. Ainda no interior, existe o túmulo de João Domingues, anepígrafo e de "secção pentagonal com volume em duas águas" (BARROCA, 1987, p.359) e uma tampa de sarcófago, igualmente de duas águas, exibindo-se numa delas uma espada, elemento que, com grande probabilidade, deverá aludir a um enterramento nobre (IDEM), mas cuja confirmação carece, ainda, de novos dados acerca da história deste templo e da nobreza de Valdevez nesses tempos finais da Idade Média.
Ao longo dos séculos, parece que a capela não sofreu alterações significativas, à excepção de um janelão barroco, aberto sobre o portal principal e suprimido durante os restauros da DGEMN, na década de 60 do século XX. Todavia, no século XIX e primeira metade do seguinte, teve várias funções, como garagem, sede dos bombeiros ou simples armazém (ALVES, 1982, p.83).
Por todas estas razões, a pequena capela privada de Nossa Senhora da Conceição, invocação que tomou após a constituição da Confraria de Nossa Senhora da Conceição, em 1691, é um dos mais interessantes templos da região dos Arcos, provando, simultaneamente, a persistência do Românico, em épocas em que seria já impensável encontrá-lo, e a importância da vila dos Arcos, que de simples cruzamento de vias e de passagem de rio, se instituiu como o mais importante aglomerado de toda a vasta região circundante, na Baixa Idade Média.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 43 073, DG, I Série, n.º 162, de 14-07-1960 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Portaria de 19-05-1964, publicada no DG, II Série, n.º 125, de 26-05-1964 (sem restrições) (ZEP do Pelourinho e da Capela de Nossa Senhora da Conceição)
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Arcos de Valdevez (São Salvador), Vila Fonche e Parada
Rua da Praça
Arcos de Valdevez -
Polícia:
LATITUDE
41.846046
LONGITUDE
-8.418514
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1410
1410.
1691
1691, é um dos mais interessantes templos da região dos Arcos, provando, simultaneamente, a persistência do Românico,...
1916
1916).É um templo que justapõe dois corpos: a nave e a capela-mor, esta mais baixa e estreita que a anterior. O
1960
1960 (ver Decreto) O mais antigo templo de Arcos de Valdevez é esta pequena capela, inserida na malha urbana da vila ...
1982
1982, p.83).Por todas estas razões, a pequena capela privada de Nossa Senhora da Conceição, invocação que tomou após ...
1987
1987, p.359).Apesar de construída no tempo gótico que, por exemplo, na Batalha anunciava já o tardo-gótico, a pequena...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Pinturas Parietais em Capelas Medievais. I - A Capela de São João Domingues, nos Arcos de Valdevez", O Archeologo Português, vol. 21, Lisboa, 1916, p. 244 - 252 PEREIRA, Félix Alves Edição 1916
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
Necrópoles e sepulturas medievais de Entre-Douro-e-Minho: séculos V a XV BARROCA, Mário Jorge Edição 1987 Porto
Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima BARREIROS, Manuel de Aguiar Edição 1926 Porto
"Igrejas e Capelas românicas da Ribeira Lima", Caminiana, ano IV, nº7, pp.47-118 ALVES, Lourenço Edição 1982 Caminha
Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols. ALVES, Lourenço Edição 1987 Viana do Castelo

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Igreja da Lapa, incluindo os seus retábulos e grades
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Pelourinho de Arcos de Valdevez
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Igreja matriz de Arcos de Valdevez, incluindo os azulejos tipo «tapete» e os retábulos de talha
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Igreja da Misericórdia de Arcos de Valdevez incluindo a biblioteca e o cruzeiro junto à fachada sul
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