Nota Histórico-Artistica
Totalizando, na actualidade, três lugares - Macedo do Mato, Freira e Sanceriz -, a freguesia de Macedo do Mato, particularmente propícia à actividade agrícola e à pastorícia, possui no seu termo diversos testemunhos de ocupação humana que se perde nos tempos, remontando, pelo menos, à Idade do Ferro estabelecida para esta região peninsular, a exemplo do povoado fortificado - castro - que ostenta, citado por alguns dos precursores dos estudos arqueológicos na zona, com destaque para o sacerdote secular, arqueólogo e historiador, de seu nome Francisco Manuel Alves, mais conhecido por Abade Baçal (1865-1947), profundamente empenhado no conhecimento do passado mais remoto de toda a área brigantina.
Não obstante, dois destes lugares - Freira e Sanceriz - foram, em tempos, sedes concelhias. Especialmente, o primeiro, com foral doado por D. Dinis (1261-1325), numa evidência da sua relevância estratégica, especialmente visível durante o longo processo de consolidação das fronteiras nacionais, incentivando, assim, o enraizamento de gentes e o consequente aumento populacional na zona.
Como 'cabeça de Concelho' que era, Frieira dispunha, entre outros elementos, de pelourinho, símbolo, por excelência, da autonomia administrativa que lhe era assim conferida, a par da política, representando, desta forma, o poder conferido pelos Juizes de Fora.
Erguido no centro da povoação, o "Pelourinho de Frieira" terá sido objecto de algumas alterações, que não terão destituído, no entanto, da sua essência primitiva, a julgar pela análise comparativa do registo efectuado pelo conhecido ilustrador e aguarelista Alberto de Sousa (1880-1961), um dos artistas plásticos portugueses que mais se empenhou na fixação de inúmeros monumentos existentes no país, e apresente um desgaste decorrente da acção do tempo e dos Homens.
Executado numa das matérias-primas mais abundantes na região - granito -, o pelourinho assenta, nos nossos dias, sobre grande plataforma prismática de feição rústica, aproveitando o declive do terreno, sobre o qual se ergue a base cilíndrica da coluna, como cilíndrica é a secção do fuste composto de dois tambores de superfície lisa rematado por capitel formado por quatro braços dispostos em cruz grega (a relembrar o Pelourinho de Bragança) encimado por peça cónica intercisa, num total de dois metros e 20 de altura, a partir do escadório.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 23 122, DG, I Série, n.º 231, de 11-10-1933 (ver Decreto) Ver inventário elaborado pela ANBA
Número do Processo
Não disponível