Nota Histórico-Artistica
Integrando, na actualidade, três lugares - Macedo do Mato, Freira e Sanceriz -, a freguesia de Macedo do Mato, particularmente propícia à actividade agrícola e à pastorícia, possui no seu termo diversos testemunhos de ocupação humana que se perde nos tempos, remontando, pelo menos, à Idade do Ferro estabelecida para esta região peninsular, a exemplo do povoado fortificado - castro - que ostenta, citado por alguns dos precursores dos estudos arqueológicos na zona, com destaque para o sacerdote secular, arqueólogo e historiador, de seu nome Francisco Manuel Alves, mais comummente conhecido por Abade Baçal (1865-1947), profundamente empenhado no conhecimento do passado mais remoto de toda a área brigantina.
Não obstante, dois destes lugares - Freira e Sanceriz - foram, em tempos, sedes concelhias. Especialmente, o último, com foral doado por D. Dinis (1261-1325), em 1285, numa evidência da sua relevância estratégica, especialmente visível durante o longo processo de consolidação das fronteiras nacionais, incentivando, assim, o enraizamento de gentes e o consequente aumento populacional na zona. Um reconhecimento reafirmado posteriormente, já no reinado de D. Manuel I (1469-1521), através da concessão de novo foral, datado, ao que tudo indica, de 1510.
Como 'cabeça de Concelho' que era, Sanceriz dispunha de 'Casa da Câmara' composta dos elementos necessários ao seu normal funcionamento, assim como de um pelourinho, símbolo, por excelência, da autonomia administrativa que lhe era conferida deste modo.
Erguido no centro da povoação, o "Pelourinho de Sanceriz" terá sido construído entre os dois forais, ou seja, no século XIV, exibindo uma simplicidade e uma robustez assaz características de outros exemplares erguidos na região durante a Idade Média.
Embora tivesse sido alterado nos anos trinta, a julgar pela análise comparativa do registo efectuado pelo conhecido ilustrador e aguarelista Alberto de Sousa (1880-1961), um dos artistas plásticos portugueses que mais se empenhou na fixação de inúmeros monumentos existentes no país, e apresente um desgaste decorrente da acção do tempo e dos Homens, o pelourinho, executado nas matérias-primas mais abundantes na região - granito e xisto -, manterá, na generalidade, a sua feição primitiva.
Compõe-se, por conseguinte, de plataforma de planta quadrangular com dois degraus de alturas diferenciadas, suportando soco com igual degrau sobre a qual assenta a base octogonal da coluna, com aproximadamente 80 centímetros de altura. De feição octogonal, o fuste exibe superfície lisa e fractura a dois terços da sua medida, terminando num tronco piramidal ostentando quatro rosetões em cada face, de indiscutível linha arcaizante.
[AMartins]