Nota Histórico-Artistica
Foi em 1628 que D. Iria de Brito, condessa de Atalaia, doou a quinta que possuía em Pedrouços para que aí se instituísse um recolhimento de monjas jerónimas, dedicado a Santa Paula.
Embora a vontade da doadora estivesse firmada em escritura, o dominicano irlandês Dominic O'Daly, conhecido em Portugal como frei Domingos do Rosário, obteve licença de Filipe III em 1639 para que no antigo solar da Condessa de Atalaia se fundasse um convento dominicano, destinado a acolher cerca de 50 religiosas irlandesas.
A primeira pedra do cenóbio, dedicado a Nossa Senhora do Bom Sucesso, foi lançada em 1645, desconhecendo-se a autoria do projecto do edifício. A igreja estava concluída no ano de 1670, quando foi transferido para o seu interior o Santíssimo Sacramento, e as obras do complexo conventual terminavam em 1688, com a construção dos dormitórios, executada pelo mestre pedreiro Manuel Cerqueira de Campos.
O convento manteve a traça seiscentista, uma vez que a estrutura pouco sofreu com o terramoto de 1755. Cercado por muro, com reentrância onde se inscreve o portão, o cenóbio possui um pátio que permite o acesso à casa conventual, disposta à esquerda, e à igreja, à direita.
O conjunto organiza-se em torno do claustro, com dois pisos, sendo o primeiro com arcada e o segundo com varanda, ao centro do qual se edificou uma fonte. O edifício conventual, que se agrega à quadra, possui um terceiro piso.
O templo desenvolve-se em planta octogonal, com contrafortes coroados por pináculos. O portal principal, de moldura rectangular ladeada por pináculos, é encimado por friso e nicho com a imagem da padroeira. No interior, destaca-se o retábulo com baldaquino, que integra um conjunto de pinturas a óleo atribuídas a Bento Coelho da Silveira. Nos seis panos laterais foram abertos arcos de volta perfeita que albergam altares de talha, encimados por pinturas com figuras de santos dominicanos.
Em 1860, já depois da extinção das ordens religiosas, o Convento da Senhora do Bom Sucesso, que ainda albergava uma considerável comunidade de freiras, passou a funcionar como colégio feminino, então circunscrito às descendentes de católicos irlandeses. O colégio mantém-se em funcionamento até aos dias de hoje, tendo sido alargada a actividade educativa a partir de 1955, quando as freiras cessaram o regime de clausura.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR, I.P./ 8 de Outubro de 2007
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Edital N.º 95/96 de 14-08-1996 da CM de Lisboa
Despacho de concordância de 1-05-1996 do Ministro da Cultura
Parecer de 11-04-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 10-02-1992 do IPPC
Em 28-06-1991 foi dado conhecimento do despacho à CM de Lisboa
Despacho de abertura de 7-02-1991 do presidente do IPPC
Proposta de 18-01-1991 do IPPC para a a abertura da instrução de processo de classificação
Número do Processo
Não disponível