Nota Histórico-Artistica
O edifício do Museu de Arte Popular, em Belém, resulta da adaptação de alguns dos antigos Pavilhões da Vida Popular, projectados entre 1938 e 1940 pelos arquitectos António Maria Veloso Reis Camelo e João Simões, integrados no conjunto construído para a Exposição do Mundo Português de 1940. Na altura, o Pavilhão recebeu decoração de carácter efémero, ainda que assinada por alguns grandes nomes do panorama artístico nacional, como os pintores e decoradores D. Tomaz de Mello (Tom), Fred Kradolfer, Carlos Botelho, Bernardo Marques, Emmérico Nunes, José Rocha, Estrela Faria, Paulo Ferreira e Eduardo Anahory, e os escultores Barata Feyo e Henrique Moreira.
O edifício, de tipologia "chã", possui uma gramática arquitectónica muito simples, acentuada pelos materiais construtivos utilizados, adequados a um pavilhão expositivo pensado para ser efémero. O conjunto foi construído em alvenaria rebocada e pintada, sobre estrutura de metal e armações de madeira e estuque, com detalhes em cantaria de calcário e ferro forjado. É constituído por diversos corpos rectangulares escalonados, com fachadas simétricas, apresentando jogos de texturas e decorações remetendo para a arte popular, a arquitectura vernácula e os matérias tradicionais - caso da telha, da cerâmica, ou da madeira, numa abordagem a um tempo modernista, e de cariz historicista. A sua implantação, junto do Espelho de Água de Belém e na vizinhança do Padrão dos Descobrimentos, obras coevas, acrescenta o interesse historiográfico e cenográfico da construção.
Após a exposição, e por decisão de António Ferro, director do SNI, foi aí instalado o MAP (inaugurado em 1948), com a adaptação do espaço entregue ao arquitecto Jorge Segurado, que já colaborara na Exposição (como arquitecto das Aldeias Portuguesas). Segurado elaborou um projecto de museologia inovador, não apenas para o país, mas igualmente a nível internacional, garantindo as melhores condições expositivas para o excelente acervo de arte popular então reunido. O projecto agrega a arquitectura, a escultura e a pintura num programa global modernista de boa qualidade, que se apresenta sobretudo como um dos últimos testemunhos da Exposição de 1940, bem como da ideologia que presidiu à sua criação. Sob a coordenação do Secretariado da Propaganda Nacional, o conjunto de pavilhões da Exposição reflectia a visão do Estado Novo de uma ruralidade mítica e muito folclórica, imbuída de um forte historicismo paternalista, mas igualmente o interesse que desde o início da centúria se fazia sentir na Europa pelo tema do campo, da aldeia, e das tradições populares.
O espaço museológico, onde se agrupam por regiões várias colecções de arte popular resultantes de diversas recolhas de peças feitas para anteriores exposições, ou expressamente para o MAP, é animado pela transparência de algumas paredes, que possibilitam a visão dos pátios e espaços ajardinados do exterior e a sua integração no olhar do visitante. As salas originais representavam as regiões de Entre-Douro e Minho, Trás-os-Montes, Beiras, Estremadura, Alentejo, Ribatejo e Algarve. Artistas que já haviam participado na empreitada de 1940 foram igualmente chamados para dar forma ao Museu, nomeadamente D. Tomaz de Mello, que dirigiu a campanha pictórica, Carlos Botelho, Estrela Faria, Paulo Ferreira, Barata Feyo e Henrique Moreira, aos quais se somam os nomes do pintor Manuel Lapa e do escultor Júlio de Sousa. No exterior foram mantidos os elementos escultóricos de Barata Feyo e Henrique Moreira, realizados para o pavilhão de 1940.
O conjunto sofreu diversas intervenções ao longo das décadas, incluindo a demolição de uma parte. A partir de 2000 foi realizado, de forma faseada, um projecto de reabilitação do Museu, não inteiramente concluído.
Sílvia Leite / DIDA- IGESPAR, I.P. /2009
Diploma de Classificação
Portaria n.º 263/2012, DR, 2.ª série, n.º 125, de 29-06-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 27-02-2012 do diretor-geral da DGPC
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Anúncio n.º 8795/2011, DR, 2.ª série, n.º 121, de 27-06-2011 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Parecer favorável de 23-03-2010 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P
Proposta de 3-02-2010 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como IIP
Despacho de abertura 15-07-2009 do director do IGESPAR, I.P.
Parecer de 15-07-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. a propor a reabertura do processo de classificação do edifício do Museu de Arte Popular
Requerimento de 12-09-2009 de vários subscritores para a reabertura do processo de classificação
Despacho de 28-11-2007 do director do IGESPAR, I.P. a revogar o despacho de abertura
Proposta de 21-11-2077 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a revogação expressa do despacho de abertura
Despacho de concordância de 23-05-2007 do presidente do IPPAR
Parecer de16-05-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. a propor a não classificação nacional, por existir a necessidade de dar um novo uso ao edifício, incompatível com a presença dos elementos de pintura que constituem parte dos revestimentos parietais, que serão tapados para poderem ser preservados, e por já estar na ZEP do Mosteiro dos Jerónimos
Parecer favorável de 7-08-2006 do IPM
Proposta de 12-07-2006 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação do Antigo Pavilhão da Vida Popular da Exposição do Mundo Português de 1940, actual Museu de Arte Popular, incluindo os respectivos pátios e espaços ajardinados
Despacho de de 12-12-1991 a determinar a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de9-11-1981 do MAP para a classificação do museu
Número do Processo
Não disponível