Nota Histórico-Artistica
Com origens que se perdem no tempo, a cidade de Braga ostenta testemunhos da passagem dos séculos, ao mesmo tempo que da relevância política que foi entretanto assumindo, ainda que se destaquem os inúmeros vestígios remontáveis ao período da conquista romana, assim como do barroco que assume nas suas artérias um novo fôlego(Cf. PEREIRA, J. F., 1989), em grande parte por mão do Arcebispado de Braga (dominado, ao tempo, por membros da Casa de Bragança) associado ao talento artístico do arquitecto bracarense André Ribeiro Soares da Silva (1720-1769).
A cidade assistiu, no entanto, à adaptação de antigos edifícios a outras necessidades e gostos estéticos, assim como à erecção de novas estruturas, graças ao empenho de D. Diogo de Sousa (1461-1532), Arcebispo de Braga, entre 1505 e 1532 (Cf. MAURÍCIO, R., 2000).
Com efeito, se, durante a medievalidade, "[...] o prestígio de Braga afirmava-se, antes de mais, pela sua dignidade arquiepiscopal que remontava às centúrias altimedievais [...]." (Idem, Ibidem, p. 23), acentuado pelo seu posicionamento privilegiado no itinerário jacobeu, o limar do século XVI introduziu na urbe a nova linguagem renascentista trazida por D. Diogo das estadas em terras italianas, onde , especialmente em 1493, por ocasião do envio, por D. Manuel I (1469-1521), da embaixada ao Papa Alexandre VI (1431-1503), contactou de perto com nomes importantes do Renascimento italiano e principais introdutores do humanismo em Portugal ancorado numa profunda ideia de modernidade. Ademais, a deslocação de D. Diogo para Braga "[...] deve integrar-se também nas preocupações políticas do monarca português, para o qual a reforma do clero se assumia como uma prioridade." (Idem, Ibidem, p. 29), aplicando na cidade os mais renovados cânones arquitectónicos dum triunfante estilo manuelino (Ibidem), moldando a morfologia citadina a estratégias urbanísticas muito precisas, regrando antigos eixos viários e rasgando novas vias, rodeando-se, para tal, de mestres arquitectos e pedreiros nacionais e estrangeiros.
Também conhecida como "Casa da Roda", a "Casa dos Paiva Marinhos" foi erguida, justamente, nesta centúria, em pleno centro de Braga, num gaveto situado nas traseiras da Sé, numa altura em que se ampliavam e melhoravam as residências com entrada principal virada para a rua, numa comprovação da renovada socialização conferida às vias entretanto abertas, assistindo-se a uma uniformização de escala de harmonia com as dimensões projectadas para os arruamentos.
A casa, de dois andares, desenvolve-se em torno de um pátio, exibindo janelas com lintéis em arco pleno rasgadas nas fachadas, apresentando-se ladeada por duas janelas a porta principal deitada para a Rua de Nossa Senhora do Leite, enquanto o alçado voltado para a Rua de São João exibe quatro aberturas , duas das quais varandas.
Alugada, em 1897, pela Câmara Municipal de Braga, para nele estabelecer o Hospício dos Expostos" (conhecido por "Casa da Roda"), a casa foi finalmente adquirida pela mesma edilidade volvido quase um século, em 1986, para fins administrativos e assistenciais.
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