O deslocado marco do Casal de Alvarinho fazia parte de um ponto específico da estrada entre Leiria e Caldas da Rainha, conforme se comprova pelas inscrições em duas das quatro faces da base: de um lado, a indicação: "estrada / que vem / das Caldas da / Rainha"; e, do outro, "estrada / que se dirige a Leiria". Na origem, esta estrada entroncava com uma outra, bem mais relevante, e que colocava em contacto a capital do reino, Lisboa, com a cidade de Coimbra.
Uma outra parcela do letreiro esclarece o ano de construção do marco e, por arrastamento, dá-nos uma datação aproximada para melhorias eventualmente verificadas naquela via: "Anno de 1788". Esta data corresponde ao reinado de D. Maria I, monarca que, como se sabe, promoveu uma séria de beneficiações na rede viária imediatamente a Norte de Lisboa. A existência deste marco, ainda que sem a relevância e monumentalidade dos que foram colocados ao longo da estrada entre Lisboa e Santarém, é um indicador importante que permite suspeitar de um mais amplo programa de intervenção nas estradas do Distrito de Lisboa.
Efectivamente, há notícia de trabalhos orientados pelo superintendente das estradas e desembargador régio, Mascarenhas Neto, que actuou na dependência de D. J. Luís de Meneses, conde de Valadares e Inspector Geral das Estradas Reais e Obras Públicas. Desconhece-se, todavia, qual a extensão e real natureza das empreitadas então realizadas.
Esteticamente, este marco é um monumento pouco cuidado, caracterizado por uma evidente depuração de linhas e composto por soco e fuste rectangular, cujas duas faces principais ostentam uma pequena moldura, onde se inscreveram as duas secções da inscrição comemorativa. Nas imediações, restam algumas pedras semi-destruídas, que poderiam corresponder ao remate da estrutura.
As mudanças relativamente recentes na rede viária local determinaram a parcial destruição do monumento e respectiva deslocalização para um ponto próximo da implantação original. Na actualidade, situa-se no caminho que conduz à pista de aviação (futuro aeroporto da Ota), constituindo um dos vestígios patrimoniais a preservar nas obras que se prevêem para a zona.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (classificou como "Um marco de cruzamento a reconstruir no sítio denominado Alvarinho") (ver Decreto)
Número do Processo
Casal Alvarinho, no caminho em direcção à pista de aviação
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
ZEP
n/a
Afectação
9913729
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Alenquer / Alenquer (Santo Estêvão e Triana)
Casal Alvarinho
Triana -
Polícia:
LATITUDE
39.070883
LONGITUDE
-8.97251
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1788
1788".
1943
1943 (classificou como "Um marco de cruzamento a reconstruir no sítio denominado Alvarinho") (ver Decreto) O deslocad...
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
O concelho de Alenquer - subsídios para um roteiro de arte e etnografia
MELO, António de Oliveira, GUAPO, António Rodrigues