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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Fortaleza de Faro, incluindo todo o conjunto de elementos ainda existentes das muralhas

Arquitectura Militar / Fortaleza

Designação
Designação Atual
Fortaleza de Faro, incluindo todo o conjunto de elementos ainda existentes das muralhas
Outras Designações
Muralhas de Faro
(confrontações: a nascente, o Largo de São Francisco e a Rua José Maria Brandeiro; a sul, a linha dos caminhos de ferro; a poente, a Rua do Comandante Francisco Manuel; e a norte, o Largo Dr. Francisco Gomes e a Ruado Albergue) / Fortaleza de Faro / Cerca urbana de Faro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Fortaleza
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Circundado todo o antigo centro urbano de Faro, a fortaleza da cidade corresponde a um agregado de muralhas pontuado por torres quadrangulares e semicirculares, com um perímetro ovalado com 1083m e abrangendo uma área de 73014 m².
Na muralha subsistem duas portas medievais, uma na Rua do Município/Rua do Castelo, correspondendo ao antigo traçado romano do cardus, e outra na Rua do Repouso, equivalendo ao traçado do decumanus. O chamado Arco da Vila foi construído sobre uma das portas medievais, tendo a curiosidade de integrar dentro do vão uma porta da cidade islâmica, um arco quebrado que permitia a entrada de quem chegava a Faro por mar. Este arco em ferradura, formado por pequenos silhares, apresenta uma sequência de aduelas alternadas, sendo o único exemplar in situ deste género em toda a região do Algarve.
História
A Fortaleza de Faro, que em rigor corresponde à cerca muralha da chamada Vila-Adentro, a parte mais antiga da cidade, é o resultado dos vários projetos de fortificação executados desde a época romana, numa evolução que acompanhou não apenas diferentes períodos administrativos mas também os avanços da tecnologia defensiva.
Sabe-se que a atual cidade é ocupada desde a Idade do Ferro, sendo possível que tivesse sido fortificada no período do Baixo Império (MAGALHÃES, Natércia, 2008, p. 98). Depois de uma eventual ocupação visigótica, a ocupação muçulmana trouxe um florescente período à cidade de Ossónoba, acompanhado com a construção da alcáçova islâmica e do reforço das muralhas então existentes com portas de ferro. A alcáçova situava-se no canto sudoeste da atual fortaleza, apresentando em todo o seu perímetro muralhas com torreões. O acesso ao seu interior fazia-se por duas portas; uma delas, a do Socorro, tinha acesso direto ao mar permitindo que uma embarcação saísse em busca de auxílio, enquanto a outra se abria diretamente para a malha urbana da cidade. No período Almóada, estas defesas seriam novamente remodeladas com a construção de duas torres albarrãs, junto à atual Porta do Repouso.
Com a conquista da cidade pelas tropas do rei D. Afonso III de Portugal, a alcáçova muçulmana seria adaptada a castelo cristão, sem que se registassem grandes modificações estruturais, registando-se apenas a reparação das torres e das muralhas.
A partir do século XVI introduzem-se as primeiras construções abaluartadas na cidade, reestruturando-se as muralhas existentes. No século XVII, com as intervenções do engenheiro Alexandre Massai que abriu a Porta Nova para permitir um acesso mais fácil dos navios à cidade, e depois de 1640 com as Guerras da Restauração, as adaptações da estrutura defensiva alteram ainda mais a feição das muralhas medievais com o derrube de ameias e de algumas torres por forma a nivelar a altura da cortina (MAGALHÃES, Natércia, 2008, p. 98).
No século XVIII, a área do castelo medieval é ocupada pelo Quartel do Regimento de Artilharia do Reino do Algarve, mas ao longo desta centúria o conjunto muralhado vai perdendo importância militar, já que se tornara um alvo fácil da artilharia instalada em Santo António do Alto.
No século XIX, parte da cortina foi progressivamente integrada em edifícios ocupados por particulares como residências, oficinas ou armazéns, acabando por perder a sua função defensiva.
Apesar dos sucessivos restauros e adaptações, subsistiram suficientes elementos de interesse que levaram à classificação da Fortaleza de Faro como imóvel de interesse público em 1993, sendo hoje um imóvel emblemático da história da cidade.
Catarina Oliveira
DGPC, 2021
Diploma de Classificação
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Proposta de 15-11-2010 da DRC do Algarve para alargamento da ZEP do Património Classificado do Núcleo Histórico de Faro Vila Adentro
Parecer de 23-05-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 5-12-2007 da DRC do Algarve para a ZEP conjunta do Núcleo Histórico de Faro, abrangendo este imóvel
Afectação 9914629
Localização
Faro / Faro / Faro (Sé e São Pedro)
- -
Faro -
Polícia:
LATITUDE
37.013433
LONGITUDE
-7.933078
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1640
1640 com as Guerras da Restauração, as adaptações da estrutura defensiva alteram ainda mais a feição das muralhas med...
1993
1993 (ver Decreto) ImóvelCircundado todo o antigo centro urbano de Faro, a fortaleza da cidade corresponde a um agreg...
2008
2008, p.
2021
2021
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
O Algarve islâmico : roteiro por Faro, Loulé, Silves e Tavira CATARINO, Helena Maria Gomes Edição 2002 Faro
"A cidade de Ossonoba e o seu território envolvente", 90 séculos entre a Serra e o Mar, pp.343-360 GAMITO, Teresa Júdice Edição 1997 Lisboa
"Dispositivos defensivos de Faro (Algarve, Portugal)", III Congreso de Arqueología Medieval española, vol. II, pp.287-295 GOMES, Rosa M. Mendonça Varela, GOMES, Mário Varela Edição 1989 Oviedo
Faro, evolução urbana e património PAULA, Rui Mendes, PAULA, Frederico Mendes Edição 1993 Faro
Faro. Edificações Notáveis LAMEIRA, Francisco Edição 1995 Faro
Algarve - Castelos, Cercas e Fortalezas MAGALHÃES, Natércia Edição 2008 Faro
Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve LOPES, João Baptista da Silva Edição 1841 Lisboa

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