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Património Cultural, I.P.

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Informação completa e documentação histórica.

Duas grutas situadas junto a Maceira

Arqueologia / Gruta

Designação
Designação Atual
Duas grutas situadas junto a Maceira
Outras Designações
Gruta do Cabeço da Rainha ou Lapa da Rainha e outra / Duas grutas junto a Maceira (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Gruta
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O actual concelho de Torres Vedras tem-se revelado particularmente abundante em vestígios arqueológicos denunciadores de uma ocupação humana na zona que remonta à mais alta antiguidade. Uma procura que terá sido, certamente, facilitada pela diversidade dos recursos cinegéticos essenciais à fixação de comunidades humanas ao longo dos tempos.

E as "Duas grutas junto a Maceira", mais vulgarmente conhecidas por "Lapa da Rainha", são disso bons exemplos.

Na verdade, "Desde os primórdios da actividade arqueológica em Portugal que a Estremadura foi uma área bastante investigada, tanto a partir da iniciativa de arqueólogos regionais como também através da acção das primeiras instituições interessadas na actividade arqueológica." (SOUSA, A. C., 1998, p. 43).

Com efeito, quando, a partir de meados do século XIX, os nomes mais destacados da recém formada Commissão dos Serviços Geológicos principiou os primeiros estudos pré-históricos em Portugal, seguindo a tendência há muito observada em vários países europeus, a região de Lisboa mereceu desde cedo uma atenção muito particular, certamente compreensível em razão da localização da sua sede, justamente na capital, e numa época em que os meios e as vias de transporte não primariam, propriamente, entre nós, pelo seu carácter de excelência.

Foram, então, dados os primeiros passos para a implementação da jovem ciência arqueológica, de igual modo graças à iniciativa de associações de perfil local e nacional, com destaque para a "Sociedade Martins Sarmento" e a Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes, esta última fundada em 1863 (RAACAP) (Cf. MARTINS, A. C., 2005), de algum modo coroados pela realização, na cidade de Lisboa, em 1880, da IX sessão do referencial Congresso Internacional de Anthropologia e Archeologia Prehistorica (CIAAP), e da criação, na Universidade de Coimbra, da cadeira de "Antropologia, Paleontologia Humana e Arqueologia Pré-histórica", no mesmo ano (1885) em que a RAACAP abria o 1.º Curso d'Archeologia Prehistorica, e a poucos da fundação do Muzeu Ethnographico Portuguez (1893) (Cf. Ibid.).

Houve, em todo o caso, quem, já no início da nova centúria, atendesse ao Paleolítico, seguindo, no fundo, os estudos iniciados muito antes nos principais centros de investigação europeus, certamente por influência do movimento incentivado pelo antropólogo e pré-historiador L. L. Gabriel de Mortillet (1821-1898).

Foi o que sucedeu com o alferes de engenharia e membro central da já mencionada (vide supra) Commissão, Joaquim Filipe Nery da Encarnação Delgado (1835-1908), a quem se deveram as primeiras incursões na região, assim como na de Lourinhã (Cf. DELGADO, J. F. N. da E., 1867), identificando, justamente, no ano do seu falecimento, a "Gruta da Rainha". Foi, contudo, necessário esperar por algumas décadas para que, a par da sua classificação, já em 1946, o sítio fosse alvo de novos estudos, uma vez mais no quadro de actividades desenvolvidas no âmbito dos "Serviços Geológicos de Portugal", designadamente no que respeitava ao reconhecimento e caracterização das formações quaternárias no actual território português (RIBEIRO, J. P. C., 1990, pp. 39-40).

Contrariamente ao que supuseram alguns investigadores (Cf. ZILHÃO, J., 1994), estaremos perante uma estação do Paleolítico, não de transição do médio para o superior (moustero-aurignacense) (RIBEIRO, J. P. C., Idem, p. 67), mas plenamente superior e, mais propriamente, do Solutrense, representado, neste caso, pela presença de indústria lítica (a exemplo de uma ponta de retoque plano) que lhe é característica, assim como de restos de fauna, tendo sido ainda encontrados corantes utilizados em pinturas e, muito provavelmente, em tatuagens corporais.

[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 35 817, DG, I Série, n.º 187, de 20-8-1946 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 181504
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Torres Vedras / A dos Cunhados e Maceira
-- uma na margem direira do rio Alcabrichel (Gruta do Cabeço da Rainha) e outra na margem oposta, quase em frente
- -
Polícia:
LATITUDE
39.1815
LONGITUDE
-9.32596
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1821
1821-1898).
1835
1835-1908), a quem se deveram as primeiras incursões na região, assim como na de Lourinhã (Cf. DE
1863
1863 (RAACAP) (Cf.
1867
1867), identificando, justamente, no ano do seu falecimento, a "Gruta da Rainha".
1880
1880, da IX sessão do referencial Congresso Internacional de Anthropologia e Archeologia Prehistorica (CIAAP), e da c...
1885
1885) em que a RAACAP abria o 1.º Curso d'Archeologia Prehistorica, e a poucos da fundação do Muzeu Ethnographico Por...
1893
1893) (Cf.
1898
1898).
1908
1908), a quem se deveram as primeiras incursões na região, assim como na de Lourinhã (Cf. DE
1946
1946 (ver Decreto) O actual concelho de Torres Vedras tem-se revelado particularmente abundante em vestígios arqueoló...
1990
1990, pp.
1994
1994), estaremos perante uma estação do Paleolítico, não de transição do médio para o superior (moustero-aurignacense...
1998
1998, p.
2005
2005), de algum modo coroados pela realização, na cidade de Lisboa, em 1880, da IX sessão do referencial Congresso In...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Da existência do homem no nosso solo em tempos mui remotos provada pelos estudos das cavernas. Notícia acerca das Grutas da Cesareda DELGADO, Joaquim Filipe Nery da Encarnação Edição 1867 Lisboa
"Lapa da Rainha", Informação Arqueológica ZILHÃO, João Edição 1994 Lisboa
"Os primeiros habitantes", Nova História de Portugal. Portugal - das Origens à Romanização RIBEIRO, João Pedro Cunha Edição 1990 Lisboa
A Associação dos Arqueólogos Portugueses na senda da salvaguarda patrimonial. Cem anos de transformação (1863-1963). Texto policopiado. Tese de Doutoramento em Letras. MARTINS, Ana Cristina Edição 2005 Lisboa
O Neolítico Final e o Calcolítico na área da Ribeira de Cheleiros. Trabalhos de Arqueologia, vol. 11 SOUSA, Ana Catarina Edição 1998 Lisboa

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