Nota Histórico-Artistica
No final do século XVII, Guimarães conheceu uma forte evolução urbanística, para a qual muito contribuíram as instituições religiosas que à época se instalaram na cidade ou reestruturaram os seus edifícios. Na origem deste fenómeno "(...) estarão certamente o recrudescimento da riqueza, o apogeu de uma religiosidade intensamente vivida em luzidas procissões e festejos solenes, o episcopado de D. José de Bragança, período muito glorioso, marcado por pomposas festividades, que se multiplicavam em outeiros, alcancias, fortilhas e cavalhadas, e o próprio apadrinhamento que o arcebispo deu a muitas das obras religiosas então levadas a cabo" (GANDRA, 1989, p. 218).
À semelhança do que aconteceu com muitos estabelecimentos religiosos da cidade, também o convento das Capuchinhas, como é conhecido em Guimarães, foi fundado no século XVII, mais precisamente em 1681, sendo que as obras acabaram por se prolongar até à centúria seguinte.
Este, teve origem num outro recolhimento, dedicado a Santa Isabel, e fundado por Catarina Chagas, que ali existia desde 1672. O novo convento, cuja edificação se deveu à mesma religiosa, remonta ao ano de 1681, estando as obras concluídas três anos mais tarde. Contudo, a regra de Santa Clara só foi confirmada pelo Papa em 1693, e tornada efectiva em 1716, graças à acção do então Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles, ao nomear abadessa a sua irmã, vinda do convento da Madre de Deus, em Lisboa (CALDAS, 1996, p. 344).
Durante o período em que esta foi abadessa, introduziram-se uma série de melhoramentos na igreja, entre os quais se destaca o revestimento azulejar da capela-mor. Atribuído ao monogramista P.M.P., o pintor de azulejos de nome desconhecido que integrou o denominado "ciclo dos grandes mestres", este conjunto de painéis representa várias cenas da Vida da Sagrada Família - Sonho de São José; Anunciação da Virgem; Apresentação do Templo; Fuga para o Egipto; Adoração dos Pastores; Casamento da Virgem; Adoração dos Reis Magos. Santos Simões refere a data de 1717 como a mais provável para a sua realização, chamando ainda a atenção para as molduras, claramente barrocas, e de influência dos Oliveira Bernardes.
Ainda deste período são as imagens de São José e Nossa Senhora, esculpidas em Lisboa e oferecidas pelo então capelão de D. João V, o padre Luiz António da Costa Pego (CALDAS, 1996, p. 345). A coroa de prata de Nossa Senhora havia sido presente do Rei, tal como o resplendor de São José foi oferecido pelo príncipe D. José.
No adro da igreja encontra-se um cruzeiro com a data de 1755, sendo ainda de salientar o chafariz do século XVIII, existente no claustro.
Mais recentemente, o convento albergou as Oficinas de São José, depois transformadas no Centro Juvenil de São José. As adaptações sucessivas permitiram manter apenas o risco original da igreja e claustro, caracterizados por uma enorme simplicidade.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 8/83, DR, I Série, n.º 19, de 24-01-1983 (ver Decreto)
Número do Processo
Av. de D. João IV