Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado no centro de Montemor-o-Velho, nas proximidades da Igreja Matriz, o Solar dos Alarcões destaca-se na malha urbana pela imponência da sua estrutura. De planta retangular irregular, o edifício divide-se em dois pisos, apresentando uma fachada repartida em três corpos, marcada por quatro elegantes pilastras que marcam a divisão. Os panos laterais são simétricos, com uma porta central ladeada por janelas, no piso térreo, e três janelas no superior (a central de sacada), enquanto o corpo central exibe três registos, o térreo com portada em arco e duas janelas, o intermédio com três janelas de sacada precedidas por guarda de ferro e o último, rematado em empena, com duas janelas e o brasão da família Alarcão.
O interior, que foi objeto de obras de reforma e readaptação a espaço público, preserva muito pouco da sua planimetria e disposição originais. Mantêm o átrio em calçada, alguns tetos em estuque, com motivos ornamentais, e portas ogivais.
A casa integra, ainda, o espaço de uma antiga capela, de gosto neomanuelino, que se desenvolve em planta retangular, exibindo na fachada o brasão da família, sobre um portal de evocação quinhentista.
História
A existência de habitações dos antepassados da família Alarcão em Montemor-o-Velho remonta a 1498 quando, no registo de uma compra de propriedades, se documentaram as primeiras edificações no terreno onde atualmente se ergue o Solar dos Alarcões.
A herdade pertencia, então, à família Fonseca de Andrade, que por casamento se uniu à família de origem espanhola de apelido Alarcão, que chegou a Portugal no reinado de D. Sebastião, instalando-se depois em Montemor-o-Velho.
A habitação que existiu na propriedade seria composta por vários edifícios, construídos ao longo da época moderna, até que no ano de 1870 D. Maria do Ó Osório Cabral Pereira Forjaz de Meneses, viúva de José de Alarcão Velásques Sarmento Osório, mandou edificar uma grande casa solarenga, que configura a construção que ainda hoje conhecemos.
O seu filho D. João de Alarcão, notável figura pública de Montemor-o-Velho, que ocupou vários cargos de prestígio ligados à cultura, ao ensino e à política - tendo sido nomeado, duas vezes, reitor da Universidade de Coimbra, e Ministro das Obras Públicas em 1905 - foi responsável por algumas alterações no solar entre os finais do século XIX e os primeiros anos da centúria seguinte. A ele se deve a construção de um celeiro e depósito para pipas de água e vinho, em 1889, entre outros melhoramentos de cariz funcional na casa, tendo também mandado edificar a Capela de Nossa Senhora da Conceição, inaugurada em 1913.
A partir dos anos 60 do século XX, a família Alarcão abandonou o solar, e na década seguinte, o espaço foi ocupado pelos Serviços Hidráulicos do Mondego. Vendido sucessivamente em 1985 e 1988, entrou em progressiva degradação.
Foi adquirido em 1992 pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, que em 1999 delineou o projeto de uma nova biblioteca municipal para ser instalada na antiga habitação, e o classificou como de interesse municipal em 2004. Depois de um largo período de obras de restauro e reorganização dos espaços, no ano de 2007 a Biblioteca Municipal de Montemor-o-Velho foi inaugurada no renovado Solar dos Alarcões.
Catarina Oliveira
DGPC, 2018