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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Montemor-o-Velho, compreendendo a igreja anexa

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Montemor-o-Velho, compreendendo a igreja anexa
Outras Designações
Castelo de Montemor-o-Velho e Igreja anexa de Santa Maria da Alcáçova / Castelo de Montemor-o-Velho / Castelo e cerca urbana de Montemor-o-Velho (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Tem-se atribuído ao Islão peninsular o essencial da primeira forma do castelo de Montemor-o-Velho. Tal conjectura, todavia, merece algumas reticências importantes, que podem associar a primitiva fortaleza a uma intermédia ordem cristã. Por um lado, não se pode tomar o período islâmico como um todo histórico contínuo, pois é certo que, entre as épocas emiral (séculos VIII-IX) e de al-Mansur (finais do século X), o território de Coimbra esteve largos anos nas mãos dos cristãos, mais até do que se supunha. Por outro, o recente estudo de um conjunto de lápides cristãs altimedievais, aparecidas no interior do castelo, entre as quais uma datada de 982 (COUTINHO, 1997, p.45), permite sugerir que, por essa altura, o local foi ocupado por cristãos, no processo de ocupação da linha do Mondego, iniciada (ou continuada) a partir do reinado de Afonso III das Astúrias.
Infelizmente, desse primitivo período asturiano-leonês, nenhum outro testemunho chegou até nós que possa assegurar a existência de um castelo e, efectivamente, o que podemos hoje identificar como mais antigo no sistema militar da localidade, data do islâmico século XI, quando as fronteiras entre os dois blocos civilizacionais que protagonizaram a Reconquita se tornaram bem mais próximas.
A cidade foi conquistada por al-Mansur em 991 e, a partir de então, ter-se-á dado corpo a uma fortaleza de carácter islâmico. Dessa época, contudo, é muito pouco o que se pode identificar, radicalmente transformado o conjunto nos séculos posteriores. Os torreões semi-circulares podem corresponder a esta fase, mas aguarda-se, ainda, que a fortaleza seja objecto de um estudo mais rigoroso, que permita concluir acerca das fases construtivas aqui representadas.
Do período islâmico resta ainda um capitel coríntio e dois fragmentos de decoração em gesso, que deverão ter pertencido à mesquita. O capitel é uma obra de carácter áulico, provavelmente já da primeira metade do século XI, "que segue o modelo mais característico (...) do período califal", mas que "apresenta" também "já uma estilização tal que as formas esculpidas do cesto mal lembram as folhas de acanto" (ALMEIDA, 1986, p.88).
Na posse dos cristãos a partir de 1064, data da conquista de Coimbra, Montemor-o-Velho transformou-se na principal fortaleza do baixo-Mondego. Com D. Afonso Henriques e D. Sancho I foi novamente intervencionada. A torre de menagem quadrangular pode datar desta época, mas possui algumas características estranhas ao Românico. Implanta-se num dos ângulos do castelejo, o que contraria a normal posição de torre isolada a meio de um pátio. Por outro lado, integra, nas suas fiadas inferiores, material romano reaproveitado, característica nada comum aos anos do Românico, mas bastante frequente na Alta Idade Média.
Nos séculos seguintes, mantendo Montemor a sua importância estratégica no quadro interno, a fortaleza foi dotada de alambor, grandes torreões quadrangulares, uma barbacã e um prolongamento da cerca para Noroeste. No interior, o paço construído no século XI por D. Urraca, irmã de D. Teresa, e profundamente remodelado por pelas infantas filhas de D. Sancho I, transformou-se num típico paço senhorial baixo-medieval, actualizado em relação aos principais conjuntos palacianos da época, e casa-sede do regente D. Pedro, em pleno século XV.
Ainda dentro das suas muralhas, importa referir a igreja de Santa Maria da Alcáçova, fundada em finais do século XI, durante o consulado pró-hispânico de D. Sesnando. Dela se conserva um fragmento de lápide, provavelmente posterior a 1095 (ano em que o alvazil de Coimbra doou o castelo ao presbítero Vermudo, com a condição deste o restaurar e povoar) (BARROCA, 2000, pp.129-130). Implantada sobre a antiga mesquita islâmica, foi objecto de reformas posteriores e, uma inscrição de 1128 alude à cerimónia de Dedicação do templo (IDEM, p.170). O se actual aspecto corresponde a uma campanha manuelina, de inícios do século XVI, atribuída ao arquitecto Francisco Pires.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Coimbra / Montemor-o-Velho / Montemor-o-Velho e Gatões
Rua de Coimbra
Montemor-o-Velho -
Polícia:
LATITUDE
40.175146
LONGITUDE
-8.683979
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1064
1064, data da conquista de Coimbra, Montemor-o-Velho transformou-se na principal fortaleza do baixo-Mondego.
1095
1095 (ano em que o alvazil de Coimbra doou o castelo ao presbítero Vermudo, com a condição deste o restaurar e povoar...
1128
1128 alude à cerimónia de Dedicação do templo (IDEM, p.170). O s
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Tem-se atribuído ao Islão peninsular o essencial da primeira forma do ...
1986
1986, p.88).Na posse dos cristãos a partir de 1064, data da conquista de Coimbra, Montemor-o-Velho transformou-se na ...
1997
1997, p.45), permite sugerir que, por essa altura, o local foi ocupado por cristãos, no processo de ocupação da linha...
2000
2000, pp.129-130).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Inventário Artístico de Portugal: distrito de Coimbra GONCALVES, António Nogueira, CORREIA, Vergílio Edição 1952 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. 2 (Alta Idade Média) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
Coimbra e Região BORGES, Nelson Correia Edição 1987 Lisboa
Terras de Montemor-o-Velho CONCEIÇÃO, Augusto dos Santos Edição 1944 Coimbra
Terras de Montemor-o-Velho CONCEIÇÃO, Augusto dos Santos Edição 1992
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
Castelos Portugueses MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor Edição 2002 Lisboa
Os castelos portugueses dos finais da Idade Média: presença, perfil, conservação, vigilância e comando MONTEIRO, João Gouveia Edição 1999 Coimbra
Contribuição para o estudo da Arqueologia Medieval de Montemor-o-Velho: uma análise de material cerâmico MATIAS, António José da Cunha Edição 1998 Coimbra
"Lápides moçárabes de Montemor-o-Velho", Munda, nº32, pp.33-48 COUTINHO, José Eduardo Reis Edição 1997 Coimbra
Concelho de Montemor-o-Velho - A terra e a gente GÓIS, António Correia de Edição 1995 Montemor-o-Velho
Montemor-o-Velho. Sua História. Sua Arte MATOS, João da Cunha Edição 1977 Coimbra
Castelo de Montemor-o-Velho POLICARPO, Isabel Edição 2002 Lisboa
A população da freguesia de Santa Maria da Alcáçova de Montemor-o-Velho, no período de 1676 a 1775 TEIXEIRA, Elda Maria Edição 1969 Coimbra

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