Nota Histórico-Artistica
Sítio
Localizado no lugar de Pena, no limite da freguesia de Garfe, o Santuário rupestre de Garfe implanta-se num afloramento rochoso no topo de uma encosta voltada à ribeira de Teire.
No sítio dispõem-se três tanques escavados; o maior, em forma de T, está orientado de Este para Oeste; o segundo, menos profundo e paralelo ao primeiro, apresenta forma retangular; o terceiro, também retangular, dispõe-se perpendicularmente em relação aos restantes. Na vertente sul do penedo, junto ao terceiro tanque, exibem-se dois degraus de acesso talhados na rocha. A face do penedo foi rasgada a pico por forma a criar um altar.
Na envolvente do espaço, apesar da cobertura da vegetação, podem ver-se vestígios de outras estruturas que estariam também relacionadas com o culto ali praticado, indicando que o santuário terá uma estrutura maior do que atualmente se conhece.
História
O Santuário de Garfe "enquadra-se num reduzido número de monumentos interpretados, até à data, como espaços sagrados da Antiguidade Clássica, caracterizados por se identificarem com grandes afloramentos rochosos, conotados com divindades veneradas pelos povos indígenas." (Fernandes: 2016, 5). Este tipo de santuários rupestres, grandes rochedos com tanques quadrangulares, são também conhecidos pelas designações de Pias de Mouros, ou Penedos das Pias, desconhecendo-se se seriam locais de culto ao ar livre, tal como hoje se apresentam, ou se estariam enquadrados dentro de construções clássicas (Maciel: 2007, 27).
A datação deste espaço para culto a divindades lusitanas não está definida; no entanto, a existência de tanques quadrangulares de tamanhos distintos, e a comparação da própria estrutura com outros santuários similares do Norte de Portugal já estudados, nomeadamente Panóias e Algeriz, indiciam que Garfe poderá ter sido construído no período "da romanização da Península Ibérica" (Fernandes: 2016, 8).
O Santuário de Garfe está em vias de classificação.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
Portaria n.º 322/2020, DR, 2.ª série, n.º 63, de 30-03-2020 (com ASA) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 6-05-2019 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 15/2019, DR, 2.ª série, n.º 11, de 16-01-2019 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 13-11-2018 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 10-10-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 12-09-2016 da DRC do Norte para a classificação como SIP do Santuário Rupestre de Garfe
Anúncio n.º 89/2016, DR, 2.ª série, n.º 51, de 14-03-2016 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 7-01-2016 do diretor-geral da DGPC
Nova proposta de abertura de 22-12-2015 da DRC do Norte
Proposta de 24-04-2006 da DR do Porto para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de classificação de 10-12-1996 da CM da Póvoa de Lanhoso
Número do Processo
Não disponível