Nota Histórico-Artistica
Sítio
O Monte de Góios localiza-se na margem esquerda do estuário do Rio Minho, dispondo-se no sentido nordeste-sudoeste. O relevo bastante acidentado na vertente nascente é menos abrupto a poente, onde se dispõe em terraços. Está limitado, a sul, pelo Rio Coura. As gravuras distribuem-se, na sua maioria, por duas plataformas na encosta ocidental, e assumem uma excelente visibilidade na envolvente.
A região, fértil em recursos de caça, com abundância de alimentos e estanho, foi sempre apelativa ao estabelecimento de populações. Regista-se a presença de líticos atribuíveis ao Paleolítico Inferior, na base da vertente poente do Monte de Góios, embora a maior densidade de vestígios remonte à Idade do Bronze.
O núcleo de Arte Rupestre ao ar livre do Monte de Goios, inserido na tradição da Arte Atlântica, conhece mais de novecentas gravuras distribuídas por dezoito rochas graníticas, designadas Bouça Velha, Boucinha 1, Boucinha 2, Boucinha 3, Cachadinha 1, Cachadinha 2, Carvalheiras 1, Carvalheiras 2, Carvalheiras 3, Carvalheiras 4, Castelão 1, Cruzeiro Velho 1, Cruzeiro Velho 2, Cruzeiro Velho 3, Cruzeiro Velho 4, Cruzeiro Velho 5, Cruzeiro Velho 6 e Laje das Fogaças. Além destas, a documentação bibliográfica acrescenta o Penedo do Trinco, estudado por Abel Viana, cuja localização ainda não foi possível recuperar.
O registo iconográfico engloba tanto pictogramas como ideogramas. Os primeiros, raros e com um reportório algo limitado, incluem poucas figuras antropomórficas e diversos animais, dos quais se destacam pela quantidade de ocorrências, os colubrídeos, os equídeos e os podomorfos. Os ideogramas, muito abundantes, incluem covinhas, círculos, círculos concêntricos, barras, linhas, discos, ovais, retângulos, só para referir os mais recorrentes.
As técnicas empregues para a gravação das rochas são a picotagem (a mais comum), a abrasão e o relevo. Apesar de não se detetarem vestígios de pintura, o seu uso não poderá ser descartado. Os utensílios utilizados podem variar de acordo com a natureza da representação, contando com seixos afeiçoados e até com artefactos metálicos, embora esta não seja uma técnica muito adotada neste conjunto.
Grande parte das gravuras enquadra-se na Idade do Bronze Médio e Final. No entanto, é possível registar elementos que remontam ao Paleolítico Superior, enquanto outros atingem a época Contemporânea. Mário Varela Gomes distingue dois grandes momentos, atribuindo ao primeiro os motivos relativos a círculos e covinhas, que o investigador data do II milénio a.C. O segundo momento assiste à realização de alguns zoomorfos, quadrados, retângulos, círculos e covinhas os quais remete para a Idade do Ferro, mas que podem ter persistido na época Romana.
História
O núcleo de arte rupestre do Monte de Goios é parcialmente conhecido desde o século XIX, patente numa referência a uma visita realizada por Francisco Martins Sarmento em julho de 1887. Em 1929, Abel Viana, publica o artigo "As insculturas rupestres de Lanhelas", na revista Portucale, onde refere a laje das Fogaças, a Laje da Chã das Carvalheiras, o Penedo do Trinco e o Penedo da Bouça Velha. Mais recentemente, no âmbito dos trabalhos arqueológicos de prospeção no âmbito da construção da autoestrada A28/IC1, realizados em 2004 e 2005, sob a direção científica de Lara Bacelar Alves e Margarida Monteiro, foram identificadas diversos penedos gravados. A Associação de Defesa do Património - COREMA, em 2005, numa prospeção realizada após um grande incêndio que afetou esta área descobriu ainda mais quatro rochas decoradas. Finalmente no acompanhamento arqueológico da execução da empreitada de construção da referida infraestrutura rodoviária, realizado entre 2007 e 2009, dirigidos por Mário Varela Gomes, foram reveladas mais rochas insculpidas.
Ana Vale
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
(Projetos de diploma enviados à tutela para publicação)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 1-04-2026 do presidente do Património Cultural, IP
Anúncio n.º 90/2024, DR, 2.ª série, n.º 87, de 6-05-2024 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 29-12-2023 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 15-11-2023 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura para a classificação como SIN/MN
Proposta de 15-07-2021 da DRC do Norte para a classificação como SIN/MN
Declaração de Retificação n.º 774/2019, DR, 2.ª série, n.º 193, de 8-10-2019 (retificou as freguesias) (ver Declaração)
Anúncio n.º 12/2019, DR, 2.ª série, n.º 10, de 15-01-2019 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 20-11-2018 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 27-02-2017 da DRC do Norte para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional das Gravuras Rupestres do Monte de Góios
Em 4-05-2006 foi dado conhecimento do despacho aos proponentes da classificação
Despacho de 6-04-2006 do presidente do IPPAR a determinar que se aguarde pela conclusão da A28/IC1, tendo em vista analisar a eventual descaracterização de elementos gravados ou da sua envolvente e estudar a totalidade das gravuras
Proposta de 17-10-2005 da Corema e da Junta de Freguesia de Lanhelas para a classificação de gravuras rupestres no Monte de Góios