Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado numa zona urbana algo desqualificada em termos urbanísticos (proximidades do complexo comercial das Amoreiras), o Palácio da Anadia destaca-se, apesar de tudo, pela sua dimensão e qualidade arquitetónica, definindo um quarteirão delimitado pelas ruas das Amoreiras, Silva Carvalho e Maria Ulrich. De planta retangular, algo irregular, compõe-se de três corpos que seguem uma implantação longitudinal. A cobertura é formada por telhados de três e quatro águas exibindo, no total, quatro pisos, um deles parcialmente enterrado nos setores localizados mais a Norte, dado o desnível do terreno.
Alçado principal, voltado a Sudeste, destaca-se pela existência de três corpos separados por pilastras de cantaria dos quais se demarca o axial mais estreito, bem como pela presença de cunhais igualmente em cantaria. A fachada surge rasgada por portal de verga curva articulado com janela de sacada com varanda de base em cantaria e guarda em ferro fundido, ligeiramente curva. O piso nobre ostenta doze janelas com emolduramento simples (seis de cada lado do portal) mas, dado o desnível do terreno, metade são de sacada (zona mais baixa) e as restantes de peito.
O alçado posterior apresenta-se composto por três corpos em que o central se encontra em posição reentrante relativamente aos que o ladeiam. Da antiga quinta subsiste apenas deste lado do quarteirão, uma pequena zona verde devidamente murada.
No interior é possível detetar duas grandes épocas construtivas, nomeadamente no setor mais antigo seiscentista com compartimentação mais fechada ao nível do piso térreo. Relativamente à decoração, observa-se a utilização de azulejos na escadaria de acesso, a partir do portal nobre, para além de pinturas murais (marmoreados) e estuques já de época posterior, destacando-se os existentes na sala de bilhar do primeiro piso. A capela, de planta retangular com coro, foi construída igualmente no século XIX sobre uma Ermida seiscentista de invocação de N.ª S.ª da Boa Sentença e de São João Baptista. Nela observa-se uma decoração de marmoreados no altar-mor e um retábulo do século XVIII.
Em 1884 o edifício irá sofrer uma nova alteração, construindo-se um segundo corpo a poente e procedendo-se à reformulação da decoração dos interiores. Entre 1988 e 1992 são acrescentados novos fogos e alteado o sótão com o tratamento da platibanda e cimalha sobre a ala seiscentista do edifício.
História
No século XV a propriedade onde se ergueu o palácio era ainda uma zona de olivais e vinhas, sendo as referências à quinta e a um solar de nome São João dos Bemcasados, sobre o qual se irá erguer o atual, já do século XVI. Nos finais do século XVII a propriedade pertencia a José Rebelo Palhares passando, em 1760, para as mãos de Aires de Sá e Melo tendo sido ocupado, um pouco mais tarde (entre 1765 e 1785) por uma neta de D. Pedro II, D. Joana Perpétua de Bragança. Em 1780 o imóvel sofrerá um violento incêndio tendo sido reconstruído pelo primeiro Conde da Anadia, D. João Rodrigues Sá e Melo, seu novo proprietário. De notar que, em finais do século XVIII, a zona onde se implantava o palácio ainda mantinha o seu caráter rural.
Maria Ramalho/DGPC/2016, baseado no processo nº CS17881/DGPC e na ficha n.º 0011823 SIPA.
Diploma de Classificação
(Aguarda alteração da categoria de classificação de IIM para MIM ou IM para se registar a classificação)
Edital n.º 11/2013 de 8-03-2013 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal n.º 995 (1.º Suplemento) de 14-03-2013
Deliberação de 12-12-2012 da CM de Lisboa
Despacho de 26-05-2008 do director do IGESPAR, I.P. a renovar o encerramento do procedimento de classificação de âmbito nacional
Informação de 13-05-2008 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo favorável á classificação como de IM
Edital n.º 92/2007 de 13/12/2007 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal n.º 724 de 3-01-2008
Despacho de 4-05-2007 do Director Municipal de Cultura da CM de Lisboa a determinar a abertura do processo de classificação comp de IM
Em 19-09-2005 o processo foi devolvido pelo gabinete do Ministro da Cultura para juntar proposta de ZEP
Despacho de concordância de 29-08-2005 do presidente do IPPAR
Parecer de 7-06-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Em 12-04-2005 o proprietário solicitou a reapreciação do processo
Em 13-05-2002 foi dado conhecimento do despacho à APCA, ao proprietário e à CM de Lisboa, enviando a esta última cópia do processo para a ponderação de uma classificação como de IM
Despacho de concordância de 2-04-2002 do vice-presidente do IPPAR, com o consequente encerramento do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 16-11-2001 da DR de Lisboa para encerramento do processo, por o imóvel ter sido objecto de uma campanha de obras que o descaractarizou, criando, com o fecho da platibanda, uma unidade formal nos dois corpos do palácio, e permitindo a construção/ampliação das águas furtadas, pelo que não possui um valor cultural de âmbito nacional
Proposta de classificação de 26-07-2001 da APCA, a solicitação do proprietário
Número do Processo
Não disponível