Nota Histórico-Artistica
Em finais do século XVI, é construído, na antiga Quinta do Monte Olivete, a Casa do Noviciado da Cotovia, segundo risco de Baltazar Álvares. Entretanto, com a expulsão dos Jesuítas, em 1759, o noviciado é transformado em Colégio do Nobres, pelo Marquês de Pombal, tendo sido, então, reconstruído e adaptado por Carlos Mardel, em consequência dos danos provocados pelo terramoto de 1755. Com a instituição do regime liberal, o Colégio foi extinto, criando-se, em 1837, a Escola Politécnica, entretanto devastada por um incêndio de grandes proporções, que deflagrou em 1843, ficando, na altura, totalmente destruída a igreja em torno da qual se desenvolvia todo o complexo arquitectónico. A nova traça do edifício era, nitidamente, de inspiração neoclássica, e foi sendo realizado segundo projectos de Silva e Costa, Monteiro e, por fim, Pézerat, que se prolongaram, no seu conjunto, até, sensivelmente, 1878. Essa leitura estilística ainda se mantém, e é visível, por exemplo, no exterior da sua volumetria quadrilátera, coberta por telhados a 3 águas, bem como nos pares simétricos das entradas laterais localizadas nas suas fachadas nascente e poente - desenvolvidas em 4 níveis -, cada uma evidenciando 3 vãos de frontões triangulares, assim como nas pilastras como no pórtico, sendo que todo o conjunto se organiza em alas, por sua vez distribuídas em redor de um pátio. De plena centúria de oitocentos, é natural que este edifício denote a influência da denominada "Arquitectura do Ferro", sobretudo ao nível de colunas e entablamentos, bem como no amplo átrio de distribuição de circuitos, com galeria superior. Com a república, a Universidade de Lisboa é reconstituída em 1911 e, nesse mesmo espaço, instala-se, precisamente, a Faculdade de Ciências, em substituição da anterior Escola Politécnica, procedendo-se, então, a compreensíveis intervenções, que visavam a alteração da distribuição dos seus espaços interiores, nomeadamente criando um piso intermédio entre o 2.º e o vão do telhado. Tendo um incêndio atingido quase toda a metade nascente do grande quadrilátero, em 1878, inutilizando vastas e únicas colecções de Zoologia e Mineralogia, levou-se a cabo, a partir dessa altura, uma lenta reconstituição desses espaços, assim, afectados, bem como a reposição das próprias colecções. Em 1982, o Conselho Directivo da Faculdade de Ciências de Lisboa solicitou a classificação conjunta do Jardim Botânico, Observatório Astronómico, Laboratório de Química e Anfiteatro de Química, este último, considerado, em finais do séc. 19, como um dos mais bem apetrechados de toda a Europa, com a sua ampla sala de considerável pé-direito com uma galeria a rodear todo o seu interior, assente em colunas de ferro fundido, e possuindo uma iluminação natural de carácter zenital. Comunicando com o Laboratório, encontra-se o próprio Anfiteatro de Química, construído na mesma época. Actualmente, pretende-se levar a cabo uma série de intervenções, que deverão incluir, para além do restauro, a própria reposição do primitivo "fácies" do Observatório Astronómico, Laboratório e Anfiteatro de Química, assim como a recuperação de variados instrumentos científicos.
Diploma de Classificação
Portaria n.º 287/2013, DR, 2.ª série, n.º 92, de 14-05-2013 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 16-01-2013 da diretora-geral da DGPC
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13710/2012, DR, 2.ª série , n.º 223, de 19-11-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 22-10-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 2-10-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como MIP
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 18-06-1999 do vice-presidente do IPPAR
Proposta 15-06-1999 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de classificação de 25-02-1982 da Faculdade de Ciências