Nota Histórico-Artistica
Jardim
O Jardim Botânico de Lisboa implanta-se em cerca de 4ha da encosta nascente do Monte do Olivete, numa zona consolidada como urbana. Destinado ao "ensino da Botânica" e "princípios da Agricultura" insere-se no complexo que abrange o edifício da antiga Escola Politécnica, laboratórios, herbário, biblioteca, portarias, estufas, anexos e ainda os observatórios meteorológico e astronómico. Regia-se pelas correntes científicas de oitocentos integrando a Classe que ocupou a antiga quadra centrada por um lago, em torno do qual se desenvolvem os canteiros da coleção, e o Arboretum que desce pela encosta e se distingue da anterior por um muro de suporte, vencido por uma elegante escadaria dupla. É dominado por árvores de grande porte, organizadas em canteiros biomórficos contornados por caminhos sinuosos de macadame, delimitados por valetas e interrompidos por escadas calcetadas a vidraço e basalto. Minas e galerias abastecem riachos, cascatas e lagos artificiais. Reconhecido pelas alamedas de exóticas e pelos cenários românticos, nele estão representadas cerca de 1500 espécies, destacando-se as coleções de palmeiras, araucárias, cicadáceas, catos e bambus, além de exemplares da Nova Zelândia, Austrália, China, Japão e América do Sul.
História
O jardim inscreve-se na cerca do extinto Colégio dos Nobres, que sucedeu em 1761 ao noviciado jesuíta da Cotovia. A lei de 1837 advertia a necessidade da Escola Politécnica ter um jardim botânico. A afetação do Jardim Botânico da Ajuda não se revelou prática, admitindo-se em 1840 a urgência da construção de um novo.
Em 1842 José Maria Grande, lente de Botânica e Princípios de Agricultura, realizou a previsão dos trabalhos para a sua instalação na cerca, adiada pelas vicissitudes que ultrapassaram o seu sucessor, João de Andrade Corvo. A comissão responsável por este plano foi nomeada em 1854. Em 1873 o Conde de Ficalho, lente substituto, deu novo impulso ao projeto confrontando-se com os "obstáculos que havia a vencer para implantar num terreno quasi inculto um jardim botânico", referidos por Andrade Corvo, diretor interino da escola. Edmond Goeze, botânico então contratado, ocupou-se da organização da Classe, onde estavam representadas dicotiledóneas e gimnospérmicas, ordenadas criteriosamente pelos Prodromus de Candolle e Genera Plantarum de Bentham e Hooker, remetendo as monocotiledóneas para um talhão inferior. Programou a ocupação da restante cerca. Data desta fase a escadaria dupla e uma sofisticada estufa, concluída em 1877. Jules Daveau, jardineiro-chefe entre 1876-92, centrou-se na organização do Arboretum e respetivo sistema de rega, na construção das peças de água e na troca de sementes e plantas com jardins nacionais e internacionais. Elaborou o primeiro Index Seminum. O jardim foi inaugurado a 1878, continuando as obras. A violência das explosões na abertura do Túnel do Rossio (1887) teve graves repercussões no jardim. Nas indemnizações incluiu-se a construção do lago grande. Henri Cayeux, jardineiro-chefe de 1892 a 1909, introduziu e cultivou ornamentais, difundidas em exposições periódicas.
Ao longo do séc. XX a gestão do jardim foi condicionada sobretudo pela falta de recursos, encerrando temporariamente ao público. Sob a direção de António Pereira Coutinho construiu-se a Casa das Sementes e, por decisão aprovada a 1917, substituíram-se os plátanos das entradas por palmeiras de leque do México (Washingtonia robusta H. A. Wendland). Sucedeu no cargo Rui Telles Palhinha, professor a quem se atribui a construção do palmário (1926) e a reforma da coleção botânica, privilegiando conjuntos ecológicos. O edifício do herbário foi concluído em 1941, ano em que um ciclone devastou o jardim. Sendo diretor Flávio Pinto Resende, substituiu-se a antiga estufa arruinada por outra, finalizada em 1966.
Rita Basto (estágio curricular AP), Mário Fortes e Teresa Portela Marques (orientadores de estágio)
DGPC, 2015.
Diploma de Classificação
Decreto n.º 18/2010, DR, 1.ª série, n.º 250, de 28-12-2010 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 2-11-1999 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 13-10-1999 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 8-10-1999 da DR de Lisboa do IPPAR para ampliação da área a classificar, de forma a abranger o "jardim mexicano"
Edital N.º 21/73 de 1-02-1973 da CM de Lisboa
Despacho de homologação de 7-08-1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Proposta de 31-07-1970 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como MN