Nota Histórico-Artistica
Sítio
O Balneário romano de São Vicente do Pinheiro localiza-se na povoação de São Vicente, freguesia de Termas de São Vicente, concelho de Penafiel. Implanta-se em vale junto à Ribeira de Canha insere-se na atual estância termal de São Vicente edificada no início do século passado.
Na envolvente encontra-se apenas registado um arqueossítio coevo, o Outeiro do Dino, um povoado fortificado romanizado que dista 1 km para noroeste, embora existam referências a uma necrópole a cerca de 100 metros e um forno de cerâmica junto da igreja, para além da possível existência de uma via romana e outro balneário alimentado pela mesma nascente, o Balneário de Canelas. A região dispõe de abundantes recursos hídricos é rica em minério, nomeadamente estanho, e usufrui de solos com aptidão agrícola, fortes atrativos para a fixação de populações.
O referido balneário terapêutico, uma construção em granito de dimensões modestas, com cerca de 250 m², aproveita uma ressurgência de águas sulfúreas, hipotermais. Possuía uma sala central, lajeada a xisto, rebaixada em relação à cota da entrada, a partir da qual se poderia aceder a quase todos os espaços. Não há registo de piscina nesta sala. A nascente, onde se localizava o acesso para o balneum, dispunham-se dois compartimentos adjacentes de reduzidas dimensões ambos ligados à área central, onde poderia estar instalado o vestiário (apodyterium). A oeste duas salas absidadas, possivelmente com cobertura abobadada. A mais meridional apresentava uma piscina de água fria acessível por uma escada de quatro degraus e revestida a opus signinum. A outra é uma zona aquecida e está repartida em três áreas distintas. Destinava-se ao tratamento por vapor conforme é indicado pela presença de uma bacia de bronze de grandes dimensões e pouca altura. Tinha uma porta que comunicava a uma pequena sala pavimentada a opus signinum. Do lado oposto, a sala central tinha passagem para um compartimento ocupado por uma piscina sem ligação ao sistema de aquecimento. Tal como a anterior, o revestimento impermeabilizante é em opus signinum. O restante espaço aquecido era independente do espaço central e exibe características que o podem definir como um sudatorium ou um laconium. Duas salas contíguas desfrutavam de temperaturas tépidas. A zona de serviços tinha uma entrada autónoma e compreendia diversas salas na área mais meridional do edifício. No exterior detetou-se a nascente e as condutas que conduziam as águas para o equipamento termal. Foi recolhido algum espólio que aponta para uma cronologia tardia na esfera da ocupação romana. No interior, destaca-se a grande quantidade de cerâmica de construção e madeiras cuja preservação foi permitida pela ambiente extremamente húmido, assim como restos de animais e frutos que podem testemunhar a época de abandono.
História
A descoberta do Balneário Romano de São Vicente remonta a 1901 durante os trabalhos de construção da estância termal. Foram imediatamente realizados trabalhos arqueológicos, sob a direção de José Fortes que colocou a descoberto as estruturas e as identificou como um balneário romano. Após esta intervenção apenas foram efetuados pequenos trabalhos na envolvente, associados a empreitadas de beneficiação das atuais termas que não revelaram contextos arqueológicos.
Ana Vale
DGPC, 2020
Diploma de Classificação
Portaria n.º 619/2020, DR, 2.ª série, n.º 203, de 19-10-2020 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 20-02-2020 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 158/2019, DR, 2.ª série, n.º 176, de 13-09-2019 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 5-06-2019 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 8-05-2019 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 26-02-2019 da DRC do Norte para a classificação como MIP
Anúncio n.º 279/2014, DR, 2.ª série, n.º 226, de 21-11-2014 (ver Anúncio)
Despacho de 4-9-2014 do diretor-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Informação favorável de 12-8-2014 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC
Proposta de 2-06-2014 da DRC do Norte para abertura do procedimento de classificação apenas do Balneário romano de São Vicente do Pinheiro
(O procedimento de classificação das Termas de São Vicente caducou em 31-12-2012, nos termos do art.º 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma), alterado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma) - ver ficha das "Termas de São Vicente")
Número do Processo
Não disponível