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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Gândara

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Gândara
Outras Designações
Igreja do Salvador de Cabeça Santa / Igreja de São Miguel da Gândara / Igreja Paroquial de Cabeça Santa / Igreja do Divino Salvador (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Fundada pela rainha Santa Mafalda (filha de D. Sancho I) pelo segundo quartel do século XIII, a igreja de São Salvador da Gandra (como durante séculos foi conhecida) é uma cópia mais modesta do templo de Cedofeita, no Porto, analogia tão flagrante que levou Manuel Monteiro a considerá-la um "arremedo" do monumento portuense (MONTEIRO, 1952).
Com efeito, são numerosos os pontos de contacto entre ambas, restando ainda a dúvida sobre a intenção de, em algumas partes, se ter projectado soluções idênticas às de Cedofeita. Uma delas é a opção pela cobertura de madeira no corpo e na capela-mor, que contraria o integral abobadamento da igreja portuense, discrepância que tem vindo a ser atribuida a uma redução do plano original (GRAF, 1986, vol.1, p.85) ou a uma simplificação construtiva desde o início do projecto (ALMEIDA, 1978, vol.2, p.205).
Mas onde as semelhanças entre os dois monumentos são maiores é ao nível da decoração. Um capitel do portal lateral Sul, onde se representaram dois estilizados dragões de corpo de ave, que inclinam o seu pescoço para morder outros seres dispostos inferiormente na composição, é praticamente idêntico a outro do portal principal de Cedofeita (FERRÍN GONZÁLEZ, 2002, pp.173-174), proximidade que levou alguns autores a reconhecer que os mesmos artistas trabalharam em ambos os templos (ALMEIDA, 2001, p.121). Ainda no portal meridional, existe um capitel representando um acrobata de corpo arqueado, formando uma espécie de ponte, que tem sido considerado uma das melhores realizações escultóricas do Românico nortenho.
Ora, se as analogias para com a fábrica de Cedofeita são evidentes e ajudam a perceber a itinerância de artistas e de modelos, o templo de Cabeça Santa é, por outro lado, um monumento plenamente contextualizável com a realidade histórico-geográfica da sua região. A modéstia de plano (independentemente de se ter ficado a dever a uma simplificação durante a obra ou anterior a ela) é um elemento de relação para com o Românico da bacia do rio Sousa e do Baixo Tâmega (ALMEIDA, 1986, p.95; 2001, p.121). Por outro lado, algumas esculturas devem-se à expansão dos modelos utilizados no vizinho mosteiro de Paço de Sousa (em particular as que recorrem ao talhe em bisel), revelando um ar mais exótico, que alguns autores não hesitaram em atribuir a uma tradição moçárabe ou mudéjar.
Perante estes dados, podem existir duas fases construtivas claramente diferenciáveis, assim se faça um estudo rigoroso do monumento: num primeiro momento, a incorporação de artistas que haviam trabalhado em Cedofeita, incluindo o seu arquitecto; depois, a utilização de mão-de-obra diversa, recrutada um pouco por todo o Norte duriense interior, onde o Românico teve um dos seus últimos focos de sobrevivência. No portal principal, por exemplo, derradeiro elemento a ser executado, verifica-se a coexistência de diversas influências, provável indicador de uma maior heterogeneidade dos lapicidas. Esta diferenciação, a confirmar-se, poderá, ainda, esclarecer se, de facto, o projecto inicial sofreu uma alteração brusca, ou não.
O interesse do estudo de Cabeça Santa não se resume à sua fase românica. Um elemento importante será o de entender o porquê de uma igreja dedicada a São Salvador ter passado, em data ainda incerta, a ser conhecida como Cabeça Santa. Com grande probabilidade, aqui existiu uma imagem de grande devoção, a ponto de o templo se diferenciar dos demais pelo seu conteúdo ainda mais sagrado. Por outro lado, nas suas traseiras existe um muito bem preservado conjunto de sepulturas antropomórficas escavadas na rocha, cuja datação é anterior ao templo do século XIII, o que aponta para uma ocupação em plena Alta Idade Média, cujo alcance científico só poderá conseguir-se através de uma investigação mais aprofundada do local.
Bastante restaurado pela DGEMN, da época moderna resta apenas a Capela de Nossa Senhora do Rosário, espaço quadrangular do lado Norte, revestido por talha e azulejos barrocos.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 14 425, DG, I Série, n.º 228, de 15-10-1927 (ver Decreto)
Número do Processo
A 2 km do cruzamento de Oldrões para Rio de Moinhos.
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 6-07-1951, publicada no DG, II Série, n.º 188, de 15-08-1951 (com ZNA)
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Penafiel / Cabeça Santa
-- a 2 km do cruzamento de Oldrões para Rio de Moínhos
- -
Polícia:
LATITUDE
41.131948
LONGITUDE
-8.279874
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1927
1927 (ver Decreto) Fundada pela rainha Santa Mafalda (filha de D.
1952
1952).Com efeito, são numerosos os pontos de contacto entre ambas, restando ainda a dúvida sobre a intenção de, em al...
1978
1978, vol.2, p.205).Mas onde as semelhanças entre os dois monumentos são maiores é ao nível da decoração. Um ca
1986
1986, vol.1, p.85) ou a uma simplificação construtiva desde o início do projecto (ALMEIDA, 1978, vol.2, p.205).Mas on...
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2001, p.121).
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
Românico do Vale do Sousa AA. VV. Edição 2008 Lousada
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"La decoración zoomórfica en el románico de la diócesis de Porto: aproximación a un bestiario", I Congresso sobre a Diocese do Porto. Tempos e lugares de memória, vol.1, pp.163-182 FERRÍN GONZÁLEZ, J. Ramón Edição 2002 Porto

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Balneário romano de São Vicente do Pinheiro
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Castelo de Penafiel
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Menir de Luzim, também conhecido por «Marco de Luzim»
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Mamoa e gravuras rupestres conhecidas por «as Pegadinhas de São Gonçalo», a 16 m e 30 m, respectivamente, do «Menir de Luzim»
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