Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O edifício do antigo Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho, da autoria de Miguel Ventura Terra, ocupa a quase totalidade de um quarteirão da zona lisboeta das Avenidas Novas, na vizinhança do parque Eduardo VII. Apresenta um modelo construtivo simples e funcional, composto por quatro pavilhões quadrangulares, com funções complementares, perpendiculares à frontaria e articulados "em pente", bastante semelhante ao que o arquiteto já utilizara no Liceu de Camões (1907-1909), denotando clara influência dos modelos franceses dos Lycée. A larga frontaria é composta por cinco corpos sucessivos de três pisos, com torreões laterais seguidos por um corpo longitudinal fazendo a ligação com o corpo central, avançado, onde se rasga a porta principal encimada por três janelões.
No interior, uma escadaria dupla, em mármore, dá acesso ao átrio central do 1.º andar, onde ficam o Salão Nobre, a Biblioteca e a antiga Sala do Conselho, todas de boas dimensões e pé direito duplo, com galerias. Nas alas laterais distribuem-se as salas de aula e os espaços dedicados a Educação Física, incluindo o ginásio original. Os corredores das áreas letivas têm salas de um lado e largas janelas do outro, deitando para os pátios das traseiras, onde se localizam as amplas áreas originais de campos de jogos e recreios.
Do acervo da escola destacam-se o mobiliário e a coleção de instrumentos científicos dos laboratórios de Física e Química, ainda originais, e os espaços dedicados a Geografia e História, onde se conserva diversa cartografia, e a Biologia-Geologia, incluindo o depósito de Geologia e Mineralogia.
História
A atual Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho teve origem na Escola D. Maria Pia para o sexo feminino, criada em 1885 no Largo do Contador-Mor, e que um decreto régio de 1906 converteu no primeiro liceu feminino instituído em Portugal. Em 1911, o Liceu Maria Pia, já sobrelotado, foi transferido para o Palácio Valadares, no Largo do Carmo, onde seria renomeado, em 1917, Liceu Nacional Central de Maria Pia, e em 1919 Liceu Central de Almeida Garrett, possibilitando o ministério dos cursos complementares. Em 1926, ainda no Largo do Carmo, recebeu o nome de Maria Amália Vaz de Carvalho, escritora e poetisa que havia defendido, em diversos artigos, a criação de um liceu feminino em Portugal. Entretanto, a necessidade de instalações próprias já levara à nomeação, em 1913, de uma comissão encarregada de escolher o local e elaborar o projeto de um edifício adequado, que começou a ser erguido em 1915, no ano seguinte à aquisição do terreno. O cenário político e social da época fizeram com que a obra decorresse lentamente, e em 1919, com a morte de Ventura Terra, a comissão deu continuidade à execução, mas em 1921 a falta de verbas levaria à suspensão da empreitada. A segunda fase só arrancou em meados de 1930, orientada por António do Couto de Abreu, implicando algumas alterações ao plano inicial. Em 1933, o edifício foi inaugurado com obras por concluir, tendo-se inclusivamente abandonado uma parte do projeto inicial.
O liceu continuou a ser exclusivamente feminino, alinhado com os valores mais conservadores da sociedade portuguesa, até às transformações trazidas pelo movimento do 25 de abril de 1974, quando passou a ser gerido por uma Comissão Diretiva e começou a receber, gradualmente, as primeiras turmas mistas.
O Liceu Maria Amália deriva boa parte da sua importância do fato de constituir o primeiro liceu feminino construído de raiz, configurando, pela racionalidade e amplitude do projeto de Ventura Terra, um caso exemplar das construções escolares femininas.
Sílvia Leite
DGPC
2015
Diploma de Classificação
Portaria n.º 610/2020, DR, 2.ª série, n.º 203, de 19-10-2020 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 30-01-2020 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 164/2019, DR, 2.ª série, n.º 180, de 19-09-2019 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 29-03-2019 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 20-03-2019 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 23-12-2016 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Anúncio n.º 77/2016, DR, 2.ª série, n.º 39, de 25-02-2016 (ver Anúncio)
Despacho de 8-01-2016 do diretor-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 29-12-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de procedimento de classificação do Antigo Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho
Requerimento de classificação de 13-05-2015 da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho para a classificação do Edifício da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho.