Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Mandado construir por José Ribeiro da Cunha, em 1877, o Palacete Ribeiro da Cunha, incluindo o jardim, construído em Lisboa, é um projeto do arquiteto Henrique Carlos Afonso (?-1884).
Com frente para a Praça do Príncipe Real e para a Calçada da Patriarcal, o palacete exibe a sua monumentalidade em três frentes, duas articuladas, entre si, através de corpo com perfil em ângulo boleado. O edifício tem referências mouriscas: arcos de ferradura, cúpulas bulbosas, platibanda com merlões e pátio com arcaria arabizante. Organiza-se em cave, piso térreo, piso nobre e sótão, sendo superiormente encimado por cornija sobrepujada por platibanda ritmada por plintos com esferas vazadas que rematam em agulha, dispostos no alinhamento das pilastras, acima da qual se reconhecem quatro cúpulas coincidentes com os ângulos do edifício.
A fachada principal é composta por 3 corpos separados por pilastras em cantaria. O acesso ao piso térreo é efetuado por um portal em triplo arco, encimado por janela de sacada tripartida, servida por varanda em cantaria suportada por mísulas. O corpo intermédio tem cada um dos 2 pisos vazados por 3 janelas de peito. No corpo a sul, apresenta fachada em ângulo boleado, dividida em 3 panos ritmados por janelas de peito no piso térreo, e de sacada no piso nobre. Varandas individuais em cantaria asseguram a ligação com o alçado lateral marcado por organização de vãos análogos aos do alçado principal, exceto no que respeita ao corpo extremo a norte, com ambos os pisos rasgados por vãos de ajimez, de peito no piso térreo e de sacada guarnecida por varanda em cantaria no andar nobre. A fachada tardoz, voltada ao jardim, faz fronteira com o Jardim Botânico.
No interior, apresenta os seguintes espaços de aparato, distribuição e circulação interna: vestíbulo, escadaria de honra e pátio interior. O vestíbulo compõe-se por dois níveis articulados por meio de um pequeno lance de escadas, uma primeira zona, de planta quadrada e teto plano, e uma segunda, num plano sobrelevado e separada por tripla arcada em ferradura, correspondente à caixa da escadaria de lanço inicial e patamar com troços divergentes que conduzem ao piso nobre. Apresenta muro de topo decorado com espelho central ladeado por óculos sobrepujados por janelas de sacada com varandins curvos e cobertura em masseira, rasgada por claraboia. O pátio, de planta retangular, exibe 3 pisos em galeria com arcaria e compartimentos distribuídos em seu redor com o qual comunicam diretamente.
Na decoração interior destacam-se os estuques (oficina de Domingos Meira), com temática mitológica, geométrica e vegetalista, que revestem as paredes e os tetos, dispostos por frisos, molduras e painéis; a escadaria em pedra, com balaústres de ferro fundido, integra 2 estátuas de vulto metálicas segurando candeeiros, sobre colunas metálicas decoradas com elementos vegetalistas; os pavimentos de pedra, de mosaicos cerâmicos brancos, negros, azuis e cor-de-tijolo, distribuídos em composições geométricas centralizadas e simétricas; e todo o trabalho de carpintaria e de ferragens disperso no palacete. História
Projetado em 1877 e concluído em 1879, o palacete Ribeiro da Cunha de inspiração mourisca, é o primeiro do género construído na capital. Enquadrou-se no movimento dos revivalismos históricos, precursor de um outro imóvel construído cerca de uma década depois na Av. da Liberdade, o Palacete Conceição e Silva (1888/89), do arquiteto paisagista francês Henri Lusseau.
Teve vários proprietários e ocupações, resultando daí diversas alterações. O piso do sótão terá sido alterado quando o palacete foi arrendado na década de 80 à Universidade Nova de Lisboa, para aí ser instalada a Reitoria da Universidade. O último piso continuou habitado pela família de Manuel Caroça.
Desde 2013, o espaço foi reconvertido ao programa comercial: "Embaixada".
Paulo Martins
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Portaria n.º 80/2019, DR, 2.ª série, n.º 10, de 15-01-2019 (ver Portaria)
Anúncio n.º 85/2018, DR, 2.ª série, n.º 106, de 4-06-2018 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 4-04-2018 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 21-03-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 12-01-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Anúncio n.º 87/2016, DR, 2.ª série, n.º 51, de 14-03-2016 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 8-01-2016 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 28-12-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Requerimento de classificação de 8-08-2007 de particular
Número do Processo
Não disponível