Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situado em meio urbano, o edifício do antigo forno da cooperativa "A Compensadora" forma um quarteirão isolado, de planta semi triangular, encontrando-se, a sua fachada principal, virada à torre da Porta da Almedina.
Conservando praticamente toda a traça e volumetria original dos anos 40 do século XX, inclusivamente a grande chaminé em tijolo maciço, o edifício é composto por piso térreo, telhado de oito águas que, na sua origem, surgia rematado no vértice por telhas de ponta.
Como resultado de uma remodelação ocorrida anos 70 surge, ao nível da cobertura, uma açoteia de contorno triangular preservando-se no entanto, na restante área, a estrutura de suporte do telhado com o sistema de asnas em madeira. A fachada Sul, virada à Travessa da Mesquita é composta por três janelas, enquanto a fachada Sudoeste ostenta uma porta e uma janela. A fachada Oeste, por sua vez, que originalmente possuía uma porta ladeada por duas janelas, depois da intervenção dos anos 70 passa a ostentar três portas e um óculo na extremidade Sul. A fachada principal, virada a Norte e ao principal monumento da cidade, é rematada por frontão curvo terminando, de cada lado, num pináculo de pedra igual aos que surgem em todos os cantos do imóvel. Nesta fachada abre-se uma porta com moldura de argamassa simulando pedra, apresentando o lintel uma cornija reta. Esta porta dava acesso à zona de atendimento ao público onde ainda hoje se encontra um balcão com tampo de mármore cinzento e vitrina com moldura em azulejos pretos sobre fundo de azulejos brancos. Neste espaço encontra-se, igualmente, um armário embutido de apoio à receção.
Um dos pormenores mais interessantes, em termos construtivos, é o tratamento dado aos cunhais do edifício com pilastras de pedra almofadada que parecem suportar um entablamento composto por cordão, friso e cimalha. A pedra utilizada nestas pilastras é a mesma que surge nos principais monumentos da cidade o denominado "Grés de Silves". Por sua vez os vãos, e o embasamento, surgem relevados em argamassa pintada de cor ocre amarelado, contrastando com o branco das paredes.
Importa ainda destacar, pela importância que possuem, não só os fornos existentes no interior (património integrado) como todo o equipamento associado ao fabrico e comercialização do pão que ainda hoje se encontra no local (património móvel), nomeadamente: uma amassadeira elétrica da marca REX, uma balança de plataforma, uma balança de tabuleiro de madeira e metal, uma masseira de madeira e outra em inox, duas tendeiras, diversos tabuleiros e utensílios de apoio como pás, vassouras e cestos.
História
Em 1941 a Cooperativa Operária de Consumo "A Compensadora" de Silves solicitou à Câmara Municipal que lhe concedesse licença para erguer uma padaria no local onde possuía então uns poucos prédios em ruína. De notar que esta cooperativa nascera em 1921 pela mão dos corticeiros da região. Concedida a licença, o imóvel ficou terminado no ano seguinte, só obtendo licença em 1943. Em 1971, de modo a adaptar-se às novas regras criadas para a indústria de panificação (Decreto-Lei nº 42, 477 de 29 de Agosto de 1959), foram abertas mais portas na fachada poente, construída uma laje de betão na zona do depósito de lenha, colocados pavimentos de mosaico hidráulico e, nas paredes, azulejos aplicados até 2 metros de altura, tudo isto de modo a garantir melhores condições de higiene. No compartimento para venda ao público foi também colocado nesta época um balcão, instalando-se tubagens de ferro galvanizado para água quente e fria, bem como novos esgotos em manilhas de grés.
Maria Ramalho/DGPC/2018 com base no processo de classificação da Câmara Municipal de Silves.