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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Poço-cisterna árabe de Silves

Arqueologia / Cisterna

Designação
Designação Atual
Poço-cisterna árabe de Silves
Outras Designações
Poço-cisterna Árabe de Silves (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Cisterna
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Identificado em finais de 1979, o poço-cisterna almóada constituiu-se como uma obra emblemática tanto da Silves islâmica, como da dinâmica arqueológica verificada na cidade ao longo das últimas duas décadas e meia. A sua investigação permitiu conhecer substancialmente melhor o derradeiro período de ocupação islâmica da urbe, entre as duas conquistas cristãs (1189 e 1249). Por outro lado, a posterior integração no circuito de visita do Museu Municipal de Arqueologia de Silves assinalou uma relação cultural entre cidade e arqueologia, que corresponde a uma realidade local incontornável nos dias de hoje.
O local onde a cisterna foi construída revelou materiais de épocas anteriores à ocupação islâmica, salientando-se numeroso espólio atribuível aos períodos tardo-romano e visigótico-bizantino, que testemunha a continuidade de ocupação pela Alta Idade Média (GOMES, 2002, p.109). A sua construção determinou também a destruição de algumas estruturas anteriores, designadamente um troço omíada (GOMES e GOMES, 1996, p.148), de que se sabe muito pouco a respeito da sua importância para a organização desta parcela da cidade nos séculos IX e X.
Foi nos "finais do século XII ou nos inícios da centúria seguinte" (IDEM, p.146), que este espaço adquiriu a actual forma, datando desse período a construção do poço-cisterna. Ele implantou-se relativamente perto de uma torre albarrã, também ela de construção almóada, o que revela que, após a primeira conquista da cidade, por D. Sancho I, o local foi objecto de uma reforma urbanística de grande porte, responsável pelo essencial da configuração final da principal entrada na cidade islâmica.
O poço é uma estrutura monumental circular, com 2,45 m de diâmetro na boca e mais de 18 m de profundidade. O acesso interior é efectuado por uma escadaria relativamente ampla (c.1,20 m de largura por 2,20 m de altura média), que vai rodeando o poço em forma de espiral, e na qual se abrem três janelas, a alturas distintas, que permitem o acesso à água de acordo com os níveis de enchimento do poço, solução que, por sua vez, permite um maior arejamento da água em reservatório (IDEM, p.147). De um ponto de vista construtivo, a cisterna não apresenta novidades, recorrendo a um aparelho relativamente cuidado, embora com blocos um tanto irregulares, disposto em fiadas horizontais e ligados com terra. Ao que tudo indica, este aparelho foi concebido para ser argamassado e coberto com uma solução de estuque e de cal, de que ainda foram descobertos alguns vestígios.
A cisterna é uma obra rara, mesmo em meios urbanos islâmicos. Em Silves, possuímos outros poços de abastecimento de água, como as cisternas da Moura e dos Cães (ambas na Alcáçova) ou uma mais recente, sob a Sé, escavada por Teresa Gamito. Mas a circunstância de possuir uma escadaria espiralada de acesso ao interior é factor de diferenciação (TORRES, 1997, pp.441-442). Os próprios autores que o escavaram encontraram um paralelo longínquo em Tuna al Gabal, a Sul do Cairo, uma cisterna de origem romana, cuja escadaria, também espiralada, atinge os 14 m de profundidade (IDEM, p.147).
Os vestígios materiais identificados no interior do poço revelam que a estrutura foi entulhada nos finais do século XVI, tendo ainda aparecido cinco reais do reinado de D. Sebastião (IDEM, p.149). O facto de não ser referido no Livro do Almoxarifado de Silves, que data da década de 70 do século XV, levou os mesmos autores a colocarem a hipótese de ele ter sido desactivado pouco antes, por volta de meados de Quatrocentos (CARDOSO e GOMES, 1996, p.207). Significativos são os numerosos elementos cerâmicos resgatados, "importantes para a reconstituição da vida quotidiana dos Portugueses, durante os séculos XV e XVI" (GOMES e GOMES, 1996, p.148) e, até ao momento, o mais homogéneo núcleo cerâmico baixo-medieval da cidade. Dele fazem parte peças de importação valenciana e sevilhana, assim como outras de fabrico italiano, holandês e chinês, e de cariz local.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 181501
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Silves / Silves
Rua das Portas de Loulé, adossada à face interior da muralha que cerca a cidade e perto da porta da Almedina
Silves -
Polícia:
LATITUDE
37.18892
LONGITUDE
-8.438997
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1189
1189 e 1249).
1249
1249).
1979
1979, o poço-cisterna almóada constituiu-se como uma obra emblemática tanto da Silves islâmica, como da dinâmica arqu...
1990
1990 (ver Decreto) Identificado em finais de 1979, o poço-cisterna almóada constituiu-se como uma obra emblemática ta...
1996
1996, p.148), de que se sabe muito pouco a respeito da sua importância para a organização desta parcela da cidade nos...
1997
1997, pp.441-442).
2002
2002, p.109).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Cerâmicas vidradas e esmaltadas, dos seculos XIV, XV e XVI, do Poco-cisterna de Silves", Xelb, nº3, pp.143-205 GOMES, Rosa M. Mendonça Varela, GOMES, Mário Varela Edição 1993 Silves
"O poço cisterna árabe de Silves (Portugal)", I Coloquio de Historia y Medio Físico. El água en zonas aridas: Arqueologia y Historia, vol. II, pp.577-606 GOMES, Mário Varela, GOMES, Rosa Varela Edição 1989 Almería
"Cerâmicas vidradas e esmaltadas, dos séculos XIV, XV e XVI do poço-cisterna de Silves", A cerâmica medieval no Mediterrâneo Ocidental, pp.457-490 GOMES, Mário Varela, GOMES, Rosa Varela Edição 1987 Lisboa
"Cerâmicas importadas dos séculos XV e XVI, encontradas no poço-cisterna árabe de Silves", Actas do 3º Congresso sobre o Algarve, vol. I, pp.35-44 GOMES, Mário Varela, GOMES, Rosa Varela Edição 1984 Silves
"Contributo para o estudo das faunas encontradas no poço-cisterna de Silves (séculos XV-XVI)", Xelb, nº3, pp.207-268 GOMES, Mário Varela, CARDOSO, João Edição 1996 Silves
"O al Garbe", 90 séculos entre a serra e o mar, pp.431-447 TORRES, Cláudio Edição 1997
"A cisterna árabe e a sua possível ligação à mesquita maior da cidade", Monumentos, nº23, pp.56-61 GAMITO, Teresa Júdice Edição 2005 Lisboa
"A arquitectura militar muçulmana", Portugal no Mundo. História das fortificações portuguesas no mundo, 1989, pp.27-37 GOMES, Rosa Varela Edição 1989 Lisboa
Silves (Xelb), uma cidade do Gharb al-Andalus: território e cultura GOMES, Rosa Varela Edição 2002 Lisboa
"Da Silves islâmica à Silves da expansão. A evidência arqueológica", Monumentos, nº23, pp.22-29 GOMES, Rosa Varela Edição 2005 Lisboa
Cerâmicas muçulmanas do Castelo de Silves GOMES, Rosa Varela Edição 1987 Silves
Silves. Guia turístico da cidade e do concelho DOMINGUES, José Domingos Garcia Edição 2002 Silves

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