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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Muralhas e Porta da Almedina de Silves

Arquitectura Militar / Fortaleza

Designação
Designação Atual
Muralhas e Porta da Almedina de Silves
Outras Designações
Castelo e Cerca Urbana de Silves (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Fortaleza
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A medina de qualquer cidade muçulmana é um dos dois pólos fundamentais da organização urbana, desenvolvendo-se sob a protecção da alcáçova, mas ligando-se a ela através de, pelo menos, uma porta. É "o local de trabalho de todos os comerciantes e artesãos" e "de abrigo aos camponeses e hortelãos que, passando a noite na cidade, atravessam diariamente as muralhas para cultivar os campos do arrabalde" (TORRES, 1995, p.164).
No caso de Silves, e como provou Rosa Varela Gomes, parece haver uma pré-existência de origem romana no traçado das principais vias da medina. Com efeito, ainda hoje é possível distinguir claramente dois eixos, dispostos de forma transversal entre si e entrecruzando-se sensivelmente ao centro da localidade, num modelo que recorda a adopção de um cardus e de um decumanus de ascendência romana (GOMES, 2002, p.93). Partindo da Porta da Almedina (ou de Loulé), nasce a antiga Rua Direita (actual Rua da Sé), que coloca em comunicação esta principal entrada no burgo com a porta da alcáçova. O segundo eixo é constituído pela Rua de D. Sancho I e que relacionava directamente as portas poente e nascente da cidade. Ao meio, no local em que estas duas artérias se uniam, localizava-se a mesquita maior, transformada, a partir do século XIII, na actual Sé Catedral.
Toda a cidade (alcáçova e almedina) era rodeada por muralhas, que percorriam mais de um quilómetro de distância e que rodeavam cerca de sete hectares, abrangendo uma população que, "em períodos de apogeu", poderia atingir os cinco mil (alguns destes já nos arrabaldes) (TORRES, 1997, p.441).
Parte deste sistema amuralhado foi destruído, mas o remanescente é ainda importante o suficiente para elevar Silves ao estatuto de principal monumento militar islâmico citadino do país. Várias torres, entre as quais uma octogonal (destruída no século XIX) protegiam a medina. No século XIII, o último rei de Silves, Ibn al-Mahut, mandou ainda reforçar este dispositivo, promovendo a construção de uma torre, de que resta uma lápide comemorativa (GOMES, 1988, p.36). Paralelamente, a cidade dispunha de uma couraça, referida aquando da primeira conquista cristã de Silves (1189), um elemento militar "com uma ou várias torres, que permitia, com uma protecção que se pretendia eficaz, retirar água da proximidade do rio" (CORREIA, 2002, p.82). Esse abastecimento de água à população não dependia exclusivamente do Arade, na medida em que, por toda a cidade, existiam algumas cisternas e poços que asseguravam essa função. Para além da grande cisterna da alcáçova (o aljibe), foi identificado, junto à Porta de Loulé, um poço-cisterna (actualmente integrado no Museu Municipal) que abastecia parte da medina.
O sistema de portas revela também a complexidade da fortificação. A Porta da Almedina, apesar de muito alterada durante a época cristã, é uma estrutura maciça, protegida por duas torres de tipo albarrã (corpos avançados, ligando-se à torre num andar superior) e de configuração em cotovelo. As restantes portas eram defendidas por torres, entre as quais uma octogonal (junto à porta da Azóia) e outras poligonais e quadrangulares.
Antiga capital islâmica do Gharb, Silves mantém-se como um desafio arqueológico de primeira importância. É um facto que parte do complexo militar foi suprimido nos séculos de domínio cristão, incluindo a couraça, alguns troços de muralha e a configuração original de praticamente todas as portas. Mas o que tem vindo a ser descoberto em sucessivas campanhas arqueológicas em vários pontos da cidade, assegura o estatuto de campo arqueológico de vital relevância para o conhecimento da época islâmica no nosso país.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 31-C/2012, DR, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ver Decreto)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Anúncio n.º 15560/2011, DR, 2.ª série, n.º 207, de 27-10-2011 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)

Parecer de 1-10-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. a propor a classificação como MN
Proposta de classificação de 9-05-2006 da DR de Faro do IPPAR
Despacho de abertura de 20-12-2005 da vice-presidente do IPPAR
Nova proposta de abertura 29-09-2005 da DR de Faro do IPPAR
Processo inicial extraviado
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Anúncio n.º 15560/2011, DR, 2.ª série, n.º 207, de 27-10-2011 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 1-10-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 12-06-2006 da DR de Faro
Afectação 9914629
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Silves / Silves
- -
Silves -
Polícia:
LATITUDE
37.188831
LONGITUDE
-8.439385
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1189
1189), um elemento militar "com uma ou várias torres, que permitia, com uma protecção que se pretendia eficaz, retira...
1988
1988, p.36).
1995
1995, p.164).No caso de Silves, e como provou Rosa Varela Gomes, parece haver uma pré-existência de origem romana no ...
1997
1997, p.441).Parte deste sistema amuralhado foi destruído, mas o remanescente é ainda importante o suficiente para el...
2002
2002, p.93).
2005
2005 da vice-presidente do IPPAR Nova proposta de abertura 29-09-2005 da DR de Faro do IPPAR Processo inicial extravi...
2006
2006 da DR de Faro do IPPARDespacho de abertura de 20-12-2005 da vice-presidente do IPPAR Nova proposta de abertura 2...
2008
2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
2010
2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho) Parecer de 1-10-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I....
2011
2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)Anúncio n.º 15560/2011, DR, 2.ª série, n.º 207, de 27-10-2011...
2012
2012, DR, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ver Decreto)Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Dec...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O al Garbe", 90 séculos entre a serra e o mar, pp.431-447 TORRES, Cláudio Edição 1997
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
"Fortificações urbanas da época islâmica no Algarve", Património islâmico dos centros urbanos do Algarve: contributos para o futuro, 2002, pp.81-90 CORREIA, Fernando M. R. Branco Edição 2002
Silves (Xelb), uma cidade do Gharb al-Andalus: território e cultura GOMES, Rosa Varela Edição 2002 Lisboa
"Da Silves islâmica à Silves da expansão. A evidência arqueológica", Monumentos, nº23, pp.22-29 GOMES, Rosa Varela Edição 2005 Lisboa
Algarve - Castelos, Cercas e Fortalezas MAGALHÃES, Natércia Edição 2008 Faro
Silves. Guia turístico da cidade e do concelho DOMINGUES, José Domingos Garcia Edição 2002 Silves
Silves. Guia turístico DOMINGUES, José Domingos Garcia Edição 1958 Silves
A Sé e o Castelo de Silves JÚDICE, Pedro Edição 1954 Vila Nova de Gaia
"O(s) centro(s) histórico(s) de Silves", Monumentos, nº23, pp.46-51 VALENTE, Teresa Edição 2005 Lisboa
Palácio Almóada da Alcáçova de Silves Edição

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