Nota Histórico-Artistica
O antigo Instituto José de Figueiredo, atual Laboratório José de Figueiredo, resultou da iniciativa desta eminente figura do panorama das Belas-Artes em Portugal nas primeiras décadas do século XX. Enquanto primeiro diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), José de Figueiredo instituiu a oficina de restauro desta instituição, que, progressivamente, se viria a transformar num laboratório de investigação científica, inicialmente funcionando no convento de São Francisco de Lisboa, depois em dependências adaptadas do palácio das Janelas Verdes, e, a partir de 1946, no edifício entretanto construído, para este efeito, junto do museu.
As novas instalações, que ainda tomaram, como ponto de partida, os planos de José de Figueiredo, foram projetadas pelo arquiteto Guilherme Rebelo de Andrade, simultaneamente a trabalhar na ampliação do edifício do MNAA, e que gizou ainda, junto das oficinas destinadas ao serviço de restauro de obras de arte, a habitação do chefe do pessoal menor e jardim, e uma casa destinada a posto da Guarda Nacional Republicana. Estas três construções compõem o edificado proposto para classificação, que corresponde à propriedade original, constituída em 1938-40, mais tarde ampliada à custa de logradouros vizinhos, e completada com diversas dependências anexas.
Do conjunto dos Edifícios do antigo Instituto José de Figueiredo, desenhados por Guilherme Rebelo de Andrade a par do ambicioso plano de ampliação do Museu das Janelas Verdes, destaca-se o edifício principal, primeiro no Mundo a ser estudado e construído especialmente para instalação de serviços desta natureza, integrado numa abordagem de teor mais positivista, criteriosa e especializada, apoiada em métodos científicos e tecnológicos, e que permitiu o desenvolvimento de um novo paradigma da conservação e restauro em Portugal.
É, ainda, de referir o seu interesse no domínio arquitetónico e urbanístico, tanto no que respeita à elegância do desenho "barroco" de Rebelo de Andrade, de remetente chão e racional, e sempre colocado ao serviço da funcionalidade do edifício, conjugado com as necessidades técnicas e científicas previstas ao detalhe, e sempre colocadas a par daquilo que de mais moderno se fazia a nível internacional, bem como a inscrição do conjunto na evolução daquela zona consolidada da cidade, nomeadamente na continuidade que estabelecem com a última fase do MNAA.
O imóvel guarda, por fim, um importante património integrado, incluindo sistemas e mecanismos e uma coleção de instrumentos técnicos e científicos preservados, apresentando-se, no seu conjunto, como um notável testemunho dos últimos 85 anos de prática centralizada da conservação e restauro, ao mais elevado nível técnico e científico, tanto nacional como internacional.
Sílvia Leite/DBC/2025
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 40/2025, DR, 2.ª série, n.º 36, de 20-02-2025 (ver Anúncio)
Despacho de 30-01-2025 do presidente do Património Cultural, IP a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 29-01-2025 do Departamento dos Bens Culturais do Património Cultural, IP a propor a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Número do Processo
Não disponível