Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Implantado num monte sobranceiro ao Rio Ave, o Santuário de Nossa Senhora de Porto de Ave é um complexo religioso de peregrinação edificado no século XVIII, que integra a igreja, um escadório que liga várias ermidas e edifícios de apoio aos peregrinos, nomeadamente um núcleo museológico de arte sacre popular.
A igreja, de planta retangular, exibe uma fachada tardo-barroca, com elementos decorativos em granito a contrastar com a alvenaria, delimitada por duas grandes torres sineiras. No pano central rasga-se o portal, com frontão de volutas interrompido, encimado por nicho com a imagem pétrea de Nossa Senhora de Porto de Ave. Este é ladeado pelas janelas retangulares com frontão triangular interrompido que se abrem no segundo registo, duas em cada lado, sendo que as das extremidades se rasgam no corpo das torres sineiras. No último registo, o frontão triangular com cartela ao centro finaliza o corpo central, enquanto as torres, rasgadas por quatro sineiras, exibem um relógio mecânico e são rematadas por coruchéu de granito.
À esquerda do adro da igreja ergue-se o escadório que conduz ao topo do santuário, dando acesso aos edifícios dos romeiros, e às ermidas do santuário, nas quais foram colocados conjuntos de esculturas de vulto representando cenas da Vida da Virgem e do Menino.
O interior, de nave única, é coberto por abóbada de berço com caixotões, com coro alto que se prolonga transversalmente, onde integra coreto dos órgãos, suportado por mísulas de talha com atlantes. O espaço é totalmente revestido por painéis de azulejos azuis e brancos, com representações da Vida da Virgem emolduradas por silhares de albarradas. Nas paredes laterais erguem-se os púlpitos de talha branca e dourada, com dossel coroado pelas representações da Justiça, Temperança e Prudência, do lado do Evangelho, e da Fé, Esperança e Caridade, do lado da Epístola. No arco toral foram colocadas as armas do Arcebispo D. José de Bragança, e o cruzeiro, com pilastras coríntias policromadas, é coberto por cúpula oitavada rematada com lanternim.
A capela-mor, sobrelevada, é coberta por abóbada de berço com caixotões pintados, exibindo nas paredes laterais duas pinturas representando Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Ao fundo ergue-se o retábulo-mor de talha dourada, decorado com concheados e anjos, com trono e maquineta com a imagem da Senhora de Porto de Ave.
História
O Santuário de Nossa Senhora de Porto de Ave foi fundado em honra de uma imagem milagreira de Nossa Senhora do Rosário oriunda da Igreja de S. Miguel de Taíde. Segundo a tradição local, a escultura da Virgem deveria ter sido enterrada em 1730, por se encontrar em mau estado, mas foi salva do seu destino por Francisco Magalhães Machado, um mestre-escola local, que a colocou num oratório perto da sua casa.
Depois de lhe atribuir vários milagres, a povoação local reuniu fundos para, em 1734, erigir uma pequena capela de pedra para albergar a imagem, contratando os mestres pedreiros José da Silva Matos, Manuel Pereira e João da Costa. Dez anos depois, o Arcebispo de Braga, D. José de Bragança, mandou ampliar o templo, transformando-o no santuário que hoje se ergue no local.
Embora não se conheça o autor do risco deste recinto de romaria de gosto barroco, a sua planimetria aproxima-o dos característicos santuários erguidos na mesma época na região de Braga pelo arquiteto André Soares, certamente inspiradores deste exemplar mais modesto.
Destino de uma romagem anual realizada durante uma semana, no verão, o Santuário de Nossa Senhora de Porto de Ave está em vias de classificação desde 2014.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
(Aguarda publicação de Declaração de Retificação relativa à legenda das zonas B e C da panta das ASA constante do Anexo da portaria)
Portaria n.º 507/2018, DR, 2.ª série, n.º 190, de 2-10-2018 (com restrições) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 24-07-2018 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 30/2018, DR, 2.ª série, n.º 39, de 23-02-2018 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 24-11-2017 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 25-10-2017 da SPAA do CNC, condicionado à reformulação da planta
Proposta de 25-05-2016 da DRC do Norte para a classificação como CIP e fixação das respetivas restrições
Em 18-02-2016 foi solicitado à CM de Póvoa de Lanhoso um parecer sobre proposta elaborada pela DRC do Norte para a classificação como CIP e fixação das respetivas restrições, não tendo sido recebida qualquer resposta
Anúncio n.º 85/2014, DR, 2.ª série, n.º 69, de 8-4-2014 (ver Anúncio)
Despacho de 10-12-2013 da diretora-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento da classificação
Proposta de 2-12-2013 da DRC do Norte
Número do Processo
Não disponível