Nota Histórico-Artistica
Sítio Arqueológico
Situado em declive acentuado num cabeço que representa o ponto mais alto do município (cota aproximada de 310.00 metros), o sítio arqueológico da Serra da Amoreira encontra-se hoje bastante afetado, sobretudo na zona sudeste, dado o alargamento de bairros de génese ilegal, e da implantação de infraestruturas de diferentes tipos.
Tendo em conta a sua situação geográfica, o local desfruta de um excelente domínio sobre a paisagem envolvente, especialmente sobre o rio Tejo, conferindo-lhe, à partida, uma vantagem em termos defensivos. O cabeço parece ter sido ocupado na Pré e Proto-História mas, os dados conhecidos, são ainda algo limitados.
História
Este arqueossítio foi localizado em 1912 por um dos nomes mais importantes dos estudos arqueológicos e artísticos portugueses da primeira metade do século XX, o historiador de Arte e professor da Universidade de Coimbra, Vergílio Correia Pinto da Fonseca (1888-1944), em parceria com outra figura importante da ciência da época, o médico e arqueólogo Joaquim Moreira Fontes (1892-1960), que tanta influência exerceu no domínio da investigação pré-histórica em Portugal. Nessa altura o local foi reconhecido como "Monte da Bica", ao mesmo tempo que a prospeção permitiu recolher, à superfície, materiais essencialmente paleolíticos fruto, certamente, dos conhecimentos e do interesse que J. Fontes detinha sobre este período.
O reconhecimento posterior deste Sítio arqueológico trouxe, todavia, novos resultados, designadamente por mão de Octávio da Veiga Ferreira que, numa publicação de 1982, dá conta de um pequeno fragmento de cerâmica campaniforme incisa (embora descontextualizado) que indiciaria, à partida, uma ocupação posterior do lugar (Calcolítico típico da Península de Lisboa).
Com efeito, e apesar de estar classificado como "povoado fortificado" nunca foram identificadas quaisquer estruturas mas as investigações conduzidas no terreno permitiram registar, até ao momento, cinco estratos ocupacionais, o primeiro dos quais correspondente ao Paleolítico, seguido de manchas ocupacionais de cronologia neolítica, calcolítica, da Idade do Bronze e, finalmente, da Idade do Ferro (da qual se destacam os exemplares cerâmicos "tipo Alpiarça"). Estes resultados são fruto de uma intervenção de emergência coordenada, em 1986, por Gustavo Marques, que recolheu materiais líticos e cerâmicos datáveis destes mesmos períodos, ao mesmo tempo que se procurou identificar a possível presença de alinhamentos pétreos. Entre 1990-1991, o arqueólogo António Cavaleiro Paixão realiza nova intervenção de caracterização, confirmando a leitura anterior, mas sem que tenha sido possível identificar vestígios de muralhas. O espólio das intervenções das décadas de 80 e 90 encontra-se hoje depositado no Museu Municipal da Quinta do Conventinho (Loures).
Ana Martins/IGESPAR/2005. Atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração da Câmara Municipal de Odivelas.
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Em 17-02-1997 a CM de Loures informou ter afixado e publicado o respectivo edital
Despacho de autorização e classificação de 12-08-1996 do Ministro da Cultura
Parecer de 1-07-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como VC
Parecer de 13-10-1986 do Conselho Consultivo do IPPC a considerar os elementos do processo insuficientes
Proposta de 24-06-1986 da CM de Loures para a classificação como IIP
Número do Processo
Não disponível