Nota Histórico-Artistica
Pertencente aos frades eremitas de Santo Agostinho, o Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos foi fundado canonicamente em 1494. No entanto a sua edificação deveu-se em grande parte à iniciativa de Diogo de Azambuja, fidalgo da Casa Real que se notabilizou nas conquistas africanas no final do século XV. Natural de Montemor-o-Velho, o fidalgo regressou à sua terra natal nos últimos anos de vida, patrocinando a edificação do mosteiro agostinho nas primeiras décadas do século XVI (MATOS, João Cunha, pp. 30-32).
A estrutura do templo é resultado de diversas campanhas de obras, executadas ao longo das centúrias de Quinhentos e Seiscentos. Com os elementos manuelinos da capela-mor conjugam-se a frontaria e o claustro de gosto chão . A igreja é composta por dois volumes justapostos, que correspondem à nave e à capela-mor, formando um espaço de planimetria longitudinal.
A fachada, datada de 1692 (Idem, ibidem, p. 34), é marcada pela disposição dos portais de acesso à igreja, do lado direito, e ao espaço monacal, do lado esquerdo. A porta do templo é delimitada por uma moldura rectangular ladeada por pilastras e encimado por frontão interrompido com nicho, que alberga a imagem de Santo Agostinho. Ao lado foi aberta a portaria do convento, formada por um arco assente sobre colunas toscanas encimado por frontão triangular.
O espaço interior, de nave única, possui coro-alto que comunica com a capela construída no piso superior do claustro do convento, e quatro capelas laterais, sendo coberto por uma abóbada de berço executada no século XVII em substituição do abobadamento manuelino.
Do lado do Evangelho foi aberta a Capela do Sacramento, datada do início do século XVI, local onde originalmente estava colocado o túmulo de Diogo de Azambuja, trasladado para a capela-mor no século XVIII. O brasão do fundador ainda se mantém sobre o portal. Junto a esta foi edificada em 1535 a capela dos Pinas, ou da Deposição, cujo retábulo é atribuído a João de Ruão (Idem, ibidem, p. 38).
Na parede fronteira foram também abertas duas capelas, a primeira edificada no século XVIII, que incluí um retábulo datado do início do século XVI com uma representação da Creche. Ao lado, foi construída a Capela da Anunciação, executada em 1591 por Mateus Roiz, uma capela coberta por abóbada, com um notável programa decorativo de gosto maneirista, repleto de cabeças aladas, cartelas e motivos grotescos de inspiração flamenga.
A capela-mor é o elemento que subsiste da edificação original. De estrutura manuelina, este espaço rectangular é coberto por abóbada de nervuras e iluminado por duas janelas de mainel. Ao centro foi colocado um retábulo pétreo, que foi montado com peças oriundas de dois retábulos quinhentistas existentes no convento.
Ainda na capela-mor, na parede do lado do Evangelho foi colocado o túmulo de Diogo de Azambuja, atribuído a Diogo Pires-o-Moço. Inserida num arcosólio, a arca tumular, decorada com as armas dos Azambuja, é encimada pela estátua jacente do fundador do convento. Na parede fundeira, ladeada por dois tondi e duas pilastras decoradas com relevos de grotesco , foi colocada uma lápide com inscrição alusiva à vida do fidalgo.
Do espaço conventual subsiste o claustro de planta quadrada, executado em meados do século XVII, um conjunto austero dividido em dois pisos, o primeiro com uma arcada toscana, o segundo marcado com a abertura de janelas de sacada a espaços regulares.
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/2005
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 271/2026, DR, 2.ª série, n.º 189, de 29-09-2026 (ver Anúncio)
Despacho de 22-09-2026 do presidente do Património Cultural, IP a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 22-09-2026 do Departamento dos Bens Culturais do Património Cultural, IP para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacionalDespacho de 16-09-2026 do presidente do Património Cultural, IP a determinar a abertura do procedimento de fusão e ampliação, com a consequente alteração da designação para Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos
Proposta de 15-09-2026 do Departamento dos Bens Culturais do Património Cultural, IP para a abertura de procedimento de fusão das classificações existentes e de ampliaçãp, de forma a abranger as restantes dependências do conjunto monástico
Proposta de 5-01-2026 da CCDR do Centro para a fusão das classificações existentes e alargamento ao conjunto monástico existente
Decreto nº 26 461, DG, I Série, n.º 71, de 26-03-1936 (classificou o claustro anexo à igreja) (ver Decreto)
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou a Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, compreendendo o túmulo de Diogo de Azambuja) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível