Nota Histórico-Artistica
Edificado em 1882, no local onde anteriormente existia a capela da confraria dos Clérigos de São Pedro, o teatro Ester de Carvalho foi objecto de uma remodelação poucos anos depois, sendo inaugurado a 27 de Dezembro de 1903. O edifício, de linhas depuradas, destaca-se na frente urbana em que se insere pelas dimensões, tonalidades e pelo frontão triangular, mais elevado em relação à linha dos telhados dos restantes imóveis.
A fachada apresenta quatro registos. O primeiro, no qual se abrem duas portas laterais de verga recta, e um axial, em arco abatido, não foi pintado e distingue-se do segundo registo por um friso que se eleva ao centro, acompanhando a maior altura do portal. Segue-se um pano murário cego, delimitado entre dois frisos, e um terceiro registo, com três janelas coincidentes com os vãos do piso térreo, e com dois medalhões entre si. Estes, exibem bustos alusivos a importantes figuras do teatro do início do século - o actor Taborda e o dramaturgo Almeida Garrett.
Por fim, a cornija, assente sobre as pilastras que limitam o frontispício, suporta um frontão triangular, em cujo tímpano se inscreve o nome da casa - THEATRO ESTER DE CARVALHO. A designação inicial de Teatro Infante D. Manuel foi alterada com o objectivo de homenagear a actriz natural de Montemor (1858-1885), que conheceu grande fama no Brasil.
No interior, o palco é mais elevado em relação à plateia, de planta rectangular, com balcão posterior, e em torno da qual se distribuem os camarotes. Dos elementos decorativos subsistentes destacam-se as pinturas, de gosto cenográfico e revivalista, do final do século XIX.
Na mesma época surgiram outros teatros de dimensões semelhantes e de grande interesse, mas o teatro Ester de Carvalho inscreve-se no conjunto daqueles cujo espaço resulta da reutilização de um antigo recinto religioso (CARNEIRO, 2002, p. 420).
O teatro foi objecto de um projecto de recuperação, em 1998, da autoria do arquitecto José António Bandeirinha, com a colaboração dos arquitectos Fernando Fonseca e José Manuel Oliveira, encontrando-se, hoje, em pleno funcionamento.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível