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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santa Maria de Marvila

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Santa Maria de Marvila
Outras Designações
Igreja Paroquial de Marvila / Igreja de Santa Maria (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja de Santa Maria de Marvila resulta, provavelmente, da refundação de uma antiga mesquita da medina de Santarém, datando dos tempos da Reconquista cristã, e depois (1159) doada por D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários. Aparentemente, o templo teve como designação original a de Santa Maria de Santarém, o que atesta da sua primazia sobre as restantes igrejas da cidade, nomeadamente sobre a Igreja de Santa Maria da Alcáçova. Na sequência da sua cristianização, foi totalmente reconstruída em meados do século XIII (CUSTÓDIO, 1996, p. 94), num estilo gótico do qual pouco resta hoje em dia. A igreja templária foi acrescentada de rendimentos e benesses pelo bispo de Lisboa, D. Aires Vasques, em 1244, integrando então uma colegiada e passando a intitular-se justamente Colegiada de Santa Maria de Marvila.
O conjunto sofreu total reforma e ampliação no princípio do século XVI, patrocinada pelo vice-rei da Índia D. Francisco de Almeida, e concluída em c. 1530. Embora tenha sofrido nova intervenção por iniciativa de D. João III, é a obra manuelina, apesar de algo alterada posteriormente, que mais sobressai; aí se inclui o portal principal, com elementos naturalistas, fabulosos e festivos em talhe "gordo", os alçados laterais com janelas de arco quebrado, os arcos de acesso ao coro e à capela baptismal, e a cabeceira constituída pela Capela-mor aberta por arco triunfal polilobado, simulando uma elegante cortina drapeada, e duas capelas laterais, todas com abobadamento nervurado com artesões. Os bocetes da abóbada da Capela-mor são decorados com emblemas de D. Manuel, a cruz da Ordem de Cristo e as esferas armilares da sua empresa, e ainda, no bocete central, com o escudo das 5 quinas, régio e de Portugal. As capelas laterais abrem para o transepto através de arcos góticos, parcos vestígios (juntamente com as portas do coro e do baptistério) da construção original. Da campanha joanina, já renascentista, resultou a reforma geral do interior, de três naves divididas por arcos plenos assentes em colunas clássicas de capitéis jónicos, e ainda as portas laterais, com frontões triangulares.
Em 1876 foi demolida a torre, coroada de alto coruchéu piramidal, e portanto ainda resultante da campanha manuelina (SERRÃO, 1990, p. 53), realizada sobre estrurura gótica e prováveis fundamentos mouriscos (CUSTÓDIO, 1996, p. 95). Com ela desapareceram os arcosólios góticos da base, que abrigavam duas arcas tumulares, uma das quais se pode ver hoje no Museu Municipal da cidade.
Além da estrutura e decoração do início de Quinhentos, que faz do templo o mais importante testemunho do Manuelino em Santarém (SERRÃO, 1990, pp. 53-54), a igreja conserva ainda um riquíssimo património azulejar seiscentista, executado entre 1617 e 1642, em enxaquetado azul e branco e em composições de "tapete" azul e amarelo, que o levou a receber a designação de "catedral do azulejo".
A igreja conta ainda com imaginária diversa, entre quadrinhos de devoção mariana, púlpito de mármore de finais do século XVII, duas pias de água benta, de lavor quinhentista, lajes tumulares com inscrições, a lápide tumular da capela do Santíssimo, com motivos heráldicos e pertencente ao dr. Paulo de Pedrosa Meireles, desembargador do arcebispado de Lisboa e vigário de Marvila e de Santarém, fundador da dita capela, e falecido a 27 de Novembro de 1663, e ainda diverso mobiliário e paramentaria. A sacristia tem tecto decorado com ornatos a azul e a vermelho, datados de 1690, e um silhar de azulejos ainda seiscentistas. Perdido o retábulo da Capela-mor, maneirista, na sequência das invasões francesas, encontra-se agora no seu lugar uma tela de Fuschini, pintor da Ajuda, alusivo à Assunção da Virgem (CUSTÓDIO, 1996, p. 97).
Diploma de Classificação
Decreto n.º 3 318, DG, I Série, n.º 144, de 27-08-1917 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 30-08-1946, publicada no DG, II Série, n.º 262, de 11-11-1946 (sem restrições)
Afectação 9913929
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Santarém / Santarém / União de Freguesias da cidade de Santarém
Largo de Marvila
Marvila -
Polícia:
LATITUDE
39.235256
LONGITUDE
-8.681399
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1159
1159) doada por D.
1244
1244, integrando então uma colegiada e passando a intitular-se justamente Colegiada de Santa Maria de Marvila.
1530
1530.
1617
1617 e 1642, em enxaquetado azul e branco e em composições de "tapete" azul e amarelo, que o levou a receber a design...
1642
1642, em enxaquetado azul e branco e em composições de "tapete" azul e amarelo, que o levou a receber a designação de...
1663
1663, e ainda diverso mobiliário e paramentaria.
1690
1690, e um silhar de azulejos ainda seiscentistas.
1876
1876 foi demolida a torre, coroada de alto coruchéu piramidal, e portanto ainda resultante da campanha manuelina (SER...
1917
1917 (ver Decreto) A igreja de Santa Maria de Marvila resulta, provavelmente, da refundação de uma antiga mesquita da...
1990
1990, p.
1996
1996, p.
4
IMAGENS
19
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Santarém SERRÃO, Vítor Edição 1990
"A pintura de brutesco do século XVII em Portugal e as suas repercussões no Brasil", 2º Congresso do Barroco no Brasil SERRÃO, Vítor Edição 1989
"Igreja de Santa Maria de Marvila", in Património Monumental de Santarém CUSTÓDIO, Jorge Edição 1996
A Obra Silvestre e a Esfera do Rei PEREIRA, Paulo Edição 1990 Coimbra
História de Santarém Edificada VASCONCELOS, Pe. Inácio da Piedade Edição 1740
História e Monumentos de Santarém SARMENTO, Zeferino Edição 1993
Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Santarém SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1949 Lisboa
Santarém: História e Arte SERRÃO, Joaquim Veríssimo Edição 1951
Ribatejo Histórico e Monumental CÂNCIO, Francisco Edição 1938 Lisboa
"Santarém", Guia de Portugal BARREIRA, João Edição 1927
Arte Portuguesa BARREIRA, João Edição 1927
Santarém FEIO, A. Areosa Edição 1929
Santarém Monumental PAES, Octávio da Silva Edição 1988 CMS
Azulejaria Portuguesa MECO, José Edição 1986 Lisboa
Chronica da ordem dos conegos regrantes do patriarcha S. Agostinho SANTA MARIA, Frei Nicolau de Edição 1668
Azulejaria em Portugal no século XVII SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1971 Lisboa
"Um exemplo de construção e restauro de revestimentos cerâmicos: intervenção nos azulejos da Igreja de Santa Maria de Marvila", Monumentos GOMES, Maria Manuela Malhoa Edição 1995

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