Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O túmulo de D. João de Noronha e de sua mulher, D. Isabel de Sousa, foi erigido em 1525 na parede lateral da nave (lado do Evangelho) da Igreja de Santa Maria de Óbidos.
O monumento fúnebre foi edificado como um grande portal, ricamente decorado, ao centro do qual se rasga o arco de volta perfeita que alberga a arca tumular. A estrutura divide-se em três registos, correspondentes à base, onde se integram os plintos e a arca, o arcossólio, onde assentam quatro esculturas de vulto, e o entablamento.
O conjunto é marcado pelo grande arcossólio em volta perfeita, com intradorso decorado por relevos de motivos de grutesco e caixotões com florões, que assenta sobre duas colunas duplas com laçarias, assentes sobre pilastras decoradas com pendurados. No centro de cada conjunto de colunas foi esculpido um baldaquino que alberga a imagem de um profeta, trajado à época. No extradorso do arco rasgam-se dois tondi com bustos masculinos em alto-relevo. No remate, um friso esculpido com grutescos.
Ao centro está incorporada a arca tumular, de forma retangular, que apresenta na face dois anjos tenentes segurando, respetivamente, as armas dos Noronha e dos Sousa, ladeando o epitáfio inscrito ao centro, que alude à encomenda e à data de execução da obra. Sobre a arca foi disposto um grupo de esculturas de vulto, representando a Lamentação de Cristo. Devido a alguns desajustes entre o volume das figuras e o espaço que ocupam e, sobretudo, atendendo a evidentes diferenças plásticas, avança-se a hipótese de este grupo escultórico derivar de um "antigo retábulo pétreo existente outrora na capela-mor da igreja" aproveitado pelo escultor na época de edificação do túmulo, alguns anos depois (P. Flor, 1998, p. 56).
O conjunto é rematado por rematada por um alto-relevo com a imagem da Assunção da Virgem abençoada por Deus-Pai, inserido numa micro-arquitectura ladeada por volutas com grinaldas de acanto e putti.
História
No ano de 1525, D. Isabel de Sousa, mulher do alcaide-mor da vila de Óbidos, D. João de Noronha, determinou em disposição testamentária que se erigisse, na igreja matriz, um "moimento de pedra chã bem feito, onde a minha ossada será posta e sobre ele um retábulo com uma imagem de Nossa Senhora do Pranto também de pedraria" (P. Flor, 2002, p. 55).
O conjunto que hoje se ergue é resultado de distintas épocas de execução, sendo possível que o grupo escultórico, já referido como proveniente de um antigo retábulo, date de 1518-1519, enquanto a estrutura retabular e a arca datarão de 1529-1532 (Ibidem, p. 93). Quanto à autoria, Pedro Flor indica três diferentes mãos, atribuindo o grupo escultórico a Nicolau Chanterene, a estrutura retabular a João de Ruão e o pequeno retábulo em micro-arquitectura de remate a um mestre desconhecido (Ibidem, pp. 93-120).
O monumento funerário foi classificado como Monumento Nacional em 1933.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
Decreto n.º 22 735, DG, I Série, n.º 140, de 24-06-1933 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível