O primitivo castelo de Alter-do-Chão foi construído durante o período muçulmano, provavelmente no governo de Abd al-Rahmann III, como sugerem algumas fiadas de aparelho construtivo, vincadamente califal (BARROCA, 2000, p.1728). Este facto assegura o estatuto da vila como posto importante na defesa e organização desta secção superior do al-Andaluz, tanto no século X como nos tempos posteriores.
Não admira, por isso, que o seu castelo tenha sido uma das fortalezas cristãs mais relevantes, integrando o movimento de reconquista do Alto Alentejo desde a primeira hora. Conquistada na segunda década do século XIII, foi imediatamente ordenado o seu povoamento por D. Afonso II (1216), estando este processo já em plena marcha em 1232, ano que o bispo de Guarda, detentor do território, passou carta de povoamento à vila. As disposições legais com vista ao incremento da posição de Alter no reino de Portugal continuaram por esse século XIII, culminando com novo foral passado por D. Dinis (1292, seguido de uma reconfiguração no ano seguinte).
O castelo que hoje se conhece foi mandado reformular por D. Pedro I, pouco antes (1357) de novo foral, desta vez passado por este monarca (1359). A entrada da fortificação é encimada por inscrição que celebra a intervenção régia: "Era Miléssima: CCC e Noventa V anos XXII dias de Setembro o mui nobre rei Dom Pedro mandou fazer este seu castelo d'Alter do Chão".
É um característico castelo gótico, com torre de menagem associada ao portal principal (que fica mesmo no seu interior, formando uma espécie de túnel). Planimetricamente, adoptou-se a planta quadrada, sinal da racionalidade do projecto e das novas determinações militares trecentistas. Uma linha de adarve percorre todo o recinto e só a partir dela se acede ao interior da torre de menagem, dispositivo que reforça a importância da torre em caso de invasão do piso térreo. Os cubelos que se encontram nos ângulos da fortaleza, apesar da menor dimensão que a torre de menagem, complementam o sistema defensivo e possuem acessos igualmente por adarve.
A relevância deste castelo determinou que fosse doado a D. Nuno Álvares Pereira, e que, já no século XV (por volta de 1432), se realizassem novas obras, desta vez de actualização do conjunto. No início da época moderna testemunham-se ainda alguns trabalhos de reforço da fortaleza, concretamente uma pequena barbacã e consolidação da porta principal.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional
ZEP
Portaria de 29-12-1959, publicada no DG, II Série, n.º 13, de 16-01-1960 (sem restrições)