Nota Histórico-Artistica
Integrada na malha urbana de Alter, a igreja do Senhor Jesus do Outeiro destaca-se não apenas pela sua maior altura relativamente a todo o casario circundante, mas também pela cenográfica fachada, cuja composição se projecta num sentido vertical.
Duas pilastras encimadas por pináculos definem os cunhais e, ao centro, igual número de pilastras, em alvenaria pintada, enquadram o portal principal, prolongando-se através do frontão e projectando-se até à base da torre sineira que coroa o vértice do alçado. A decoração e os elementos estruturais concentram-se neste espaço central, organizando-se em diferentes registos. Assim, no primeiro, observamos o portal, com pilastras laterais e mísulas que suportam o frontão curvo, ao qual se liga o janelão recortado; no tímpano do registo seguinte, rasga-se um óculo quadrilobado, a que se sobrepõe uma das sineiras (de planta quadrada, com volutas nos alçados, pináculos sobre os cunhais, e óculos ovais abertos na cúpula), e o próprio remate bolboso da torre.
A projecção do alçado no sentido ascendente é muito forte, mas não deixa de se verificar um equilíbrio na composição deste conjunto, marcadamente barroco. Se, por um lado, a fachada é relativamente sóbria, concentrando os elementos decorativos no pórtico e janelão, a torre caracteriza-se por uma decoração mais exuberante.
É possível que a igreja tenha sido edificada em meados do século XVIII, conforme parece indicar uma inscrição no seu interior, mas foi, com certeza, objecto de importante campanha decorativa em data próxima de 1780. Assim o indicam os azulejos figurativos que revestem as paredes da nave e capela-mor (SIMÕES, 1979, p. 385). Logo à entrada, encontra-se um calvário pintado a azul e branco mas com moldura polícroma. Na nave, a tipologia dos painéis é semelhante, com figuração azul e branca e molduras polícromas, com concheados e marmoreados, característicos desta segunda metade do século XVIII. Representam seis passos da Paixão de Cristo: Jesus no Horto; Traição; Jesus em casa de Caifás; o Escárnio; Caminho do Calvário e Calvário. O conjunto da capela-mor, aparentemente de melhor qualidade pictórica, ilustra o Pentecostes e a Assunção de Nossa Senhora, esta última inspirada em gravados de Rubens (SIMÕES, 1979, p. 384). De acordo com os estudos de azulejaria de Santos Simões, tratam-se de azulejos de fabrico lisboeta, executados cerca de 1780, data que nos ajuda a balizar esta intervenção de carácter decorativo, no espaço interno.
A nave única, de configuração octogonal, apresenta dois altares laterais e dois colaterais, que acentuam o dinamismo planimétrico. Tem coro alto, sobre o endonártex, e a cobertura da nave é em abóbada com abertura de janelas e apontamentos em estuque, já rococós. Destaca-se ainda o púlpito, de mármore e, na capela-mor, o retábulo é de talha dourada e policromada.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-CL/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 7-11-2012 da diretora-geral da DGPC
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Anúncio n.º 15400/2011, DR, 2.ª série, n.º 205, de 25-10-2011 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 11-04-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 23-02-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Nova proposta de 25-10-2010 da DRC do Alentejo para a classificação como MIP
Proposta de 22-12-2009 da DRC do Alentejo para a classificação como IIP
Despacho de 26-04-1991 do presidente do IPPC a determinar a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 23-01-1991 da Confraria do Senhor Jesus do Outeiro
Número do Processo
Não disponível