Nota Histórico-Artistica
Situada em pleno centro histórico de Alter do Chão, a Casa do Álamo destaca-se pelas suas imponentes dimensões, dominando o largo Barreto Caldeira. Edificada em 1649, mas profundamente reformada em 1732, as suas características permitem inseri-la nos modelos arquitectónicos civis mais utilizados no decorrer do século XVIII (AZEVEDO, 1969).
A primitiva edificação, da qual ainda restam as janelas e respectivas grades, abertas no alçado lateral sobre a Rua das Amoreiras, deve-se à iniciativa de Diogo Mendes de Vasconcelos e sua mulher, Margarida Manso de Sousa Tavares (KEIL, 1943, p. 8).
De planta rectangular, apenas irregular na zona posterior devido às reformas introduzidas já no século XIX, a Casa do Álamo destaca-se pela fachada, longa, aberta por um conjunto simétrico de vãos, cujo ritmo converge, ao centro, na entrada principal. No piso térreo, o portal é flanqueado por quatro janelas de verga recta de cada lado. Este, igualmente de linhas rectas, liga-se à janela de sacada que se lhe sobrepõe, e cujo remate se diferencia dos restantes, por exibir um frontão de aletas, interrompido por uma vieira, e ladeado por pináculos. A cada janela do piso térreo corresponde, agora, uma de sacada, com frontão circular ou triangular, alternado. As suas varandas unem-se num friso que acentua a horizontalidade da fachada, apenas quebrada pela composição central, e pelas pilastras que definem os cunhais. Num deles, figura a pedra de armas dos Sousas de Arronches.
No portal de acesso à quinta, o brasão é já da segunda metade do século XVIII, inserindo-se no tímpano de um frontão de aletas, com pináculos assentes sobre entablamento e pilastras.
O interior mantém a estrutura original, com uma escadaria de pedra a ligar ambos os pisos. Contudo, a aquisição do imóvel por parte da Câmara Municipal de Alter do Chão, em 1985, veio alterar as funcionalidades internas da casa, passando a funcionar, no piso térreo, o Posto de Turismo e outras salas de exposições temporárias e, no andar nobre, a Biblioteca. Nestes espaços conservam-se os tectos de estuque pintados, bem como alguns revestimentos azulejares, destacando-se o pavimento do salão nobre, com tapete de meados do século XVIII, bem como a antiga capela-oratório, de figura avulsa, da mesma época (SIMÕES, 1979, p. 384).
Nos jardins, desenvolvidos em função da casa de habitação, encontramos uma série de edifícios anexos, ganhando especial importância o poço e um tanque com elementos de alvenaria. O portão do pátio, da segunda metade do século XVIII, é definido por pilastras, que suportam entablamento e frontão de aletas curvo (KEIL, 1943, p. 8).
À semelhança de outras edificações setecentistas, a Casa do Álamo testemunha o desenvolvimento sentido em Alter do Chão durante a época barroca, bem visível nas igrejas do Senhor Jesus do Outeiro ou na do Convento de Santo António, nos chafarizes da barreira e dos Bonecos e, principalmente, na instituição da Coudelaria, em 1748, por iniciativa do então ainda príncipe D. José.
(Rosário Carvalho)