Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O edifício conhecido por Casas Grandes, dada a sua dimensão imponente relativamente à generalidade dos imóveis de Silves, encontra-se situado na margem Norte do Rio Arade, diante de um dos mais importantes monumentos da cidade, a habitualmente designada "Ponte Romana".
A fachada principal deste edifício que se destaca pelo ritmado dos seus vãos, abre para a via pública tendo, como enquadramento, um largo pavimentado com calçada à portuguesa.
O imóvel apresenta uma planta retangular com dois pisos e telhado de quatro águas, ostentando uma cornija simples, de perfil reto, cunhais angulares com bases e capitéis rematados por cornija moldurada e beirado saliente. O piso térreo é composto por portal central de moldura reta e verga arquitravada onde surge a data de "1791" pintada a negro, observando-se, ainda, as ombreiras que são ladeadas por estípites. À esquerda rasgam-se quatro portas de molduras retas e, à direita, três portas e uma janela. O andar nobre apresenta janelão de sacada que partilha a verga com o portal de entrada, marcando assim a centralidade da fachada. Neste janelão, com varandim abaulado em ferro forjado, as molduras são retas e as ombreiras surgem amparadas por aletas dispostas na vertical, sendo possível observar, na verga arquitravada, a data de "1811". Outro elemento de destaque é a pedra d'armas dos Machados e dos Guerreiros que surge no tímpano do frontão aberto de formato triangular. Ladeando o janelão central surgem de cada lado quatro janelas de sacada de verga reta arquitravada com frontão triangular, todas elas apresentando guardas em ferro forjado. De referir que as fachadas laterais do edifício seguem o mesmo traço da principal, nomeadamente ao nível do piso nobre.
O interior do imóvel apresenta um vestíbulo e uma escadaria de acesso ao andar nobre, organizando-se, a partir deste elemento, as duas alas e os dois corredores de acesso às diversas dependências. Destaque-se, no conjunto dos compartimentos existentes, as duas amplas salas viradas ao rio e os quartos que surgem decorados com pinturas murais em estilo neoclássico onde são representadas grinaldas, ramalhetes, entre outros elementos florais. Nestas salas os tetos planos, sobre sanca curva, surgem igualmente decorados, sendo de realçar as pinturas do salão de baile com pequenas figuras de músicos e bailarinos
História
O imóvel já existia em finais do século XVIII estando na posse da família Mascarenhas Neto. Ao longo do século XIX terá sofrido diversas alterações pela mão do seu proprietário, o capitão-mor Gregório José Nunes Duarte Machado Guerreiro, um rico lavrador da região que vivia "não só de suas lavoura e Cultura de suas terras e fazendas, mas também negociante e rematante de rendas que administra por si e seus criados (Processos de Justificação de nobreza, m. 40, nº 5, in NEVES, Suzinda, 2013).
Durante o século XX o edifício foi sendo utilizado para diferentes funções tais como estabelecimentos comerciais, alojamento para populações vindas de África no pós 25 de Abril e Lar da Santa Casa da Misericórdia. Hoje este interessante palacete encontra-se infelizmente em mau estado de conservação, sobretudo ao nível do primeiro piso, permanecendo o piso térreo ocupado por espaços essencialmente destinados à restauração.
Maria Ramalho/DGPC/2016.
Diploma de Classificação
Edital n.º 10/03 de 24-02-2003 da CM de Silves
Deliberação de 12-03-2003 da CM de Silves para a classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível