Nota Histórico-Artistica
Portalegre conheceu uma grande prosperidade económica a partir de 1550, data em que foi designada como sede de Bispado, tornando-se, no século XVII, uma das cidades com maior densidade populacional e grande desenvolvimento económico. Estes factores, foram preponderantes na constituição de uma nova burguesia, forçada a conviver com a nobreza tradicional. Desta relação nasceram novos palácios, que alteraram profundamente o urbanismo medieval, tornando Portalegre "uma das mais interessantes cidades barrocas do país" (RODRIGUES, 1989, p. 374).
Assim, e numa região em que o barroco é amarelo e branco, o Palácio Amarelo não poderia deixar de ser um ponto de referência, entre as construções deste período. Implantado na malha medieval de Portalegre, este edifício, de volumes diferenciados, marca fortemente o urbanismo da cidade velha.
Contudo, e ainda que as fachadas denunciem uma organização Setecentista, a torre aproxima-se de uma linguagem românica, conferindo a este edifício um carácter de transição, eminentemente ecléctico (RODRIGUES, 1989, p. 376).
A construção do Palácio Amarelo remonta ao século XVII, destinando-se a residência da família Romo de Sousa Tavares, descendentes dos Condes de Abrantes, e cujo brasão se encontra nos cunhais do edifício.
A casa desenvolve-se em L, numa planimetria que denota a distribuição lógica do espaço, implícita nas construções nobres do período barroco. Este rigor, estendeu-se também aos alçados, mais simplificados e com repetição de vãos (AZEVEDO, 1988, pp. 57-63). Já no século XVIII, foi construído o varandim e a janela sobre o portal. Este, apresenta arquitrave armoriada, à qual se sobrepõe o varandim, com janela ladeada por duas aletas. A torre, inscrita no ângulo formado pelo L que o edifício desenha, deverá remontar ao final do século XVIII (PEREIRA, RODRIGUES, 1988, p. 70), ou a inícios do seguinte (KEIL, 1941). Esta última poderá relacionar-se com a denominada casa-torre, característica da época medieval, mas cujo modelo permaneceu na arquitectura nobre portuguesa durante muito tempo.
No interior, actualmente muito alterado, destaca-se a escadaria barroca, de mármore negro e branco. Sobre a porta principal, um medalhão com uma inscrição em francês alude às obras ocorridas no século XIX, sob a direcção do arquitecto Inácio Caldeira.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Em 21-08-2015 foi dado conhecimento do despacho de arquivamento à CM de Portalegre
Despacho de 14-07-2015 do diretor-geral da DGPC a determinar o arquivamento do pedido de abertura do procedimento de reclassificação para MN
Informação desfavorável de 7-07-2015 da DRC do Alentejo, por o imóvel não apresentar um valor excecional, de significado para a Nação
Pedido de parecer de 12-06-2015 da CM de Portalegre sobre a eventual reclassificação como MN apresentada por uma das proprietárias
Decreto n.º 516/71, DG, I Série, n.º 274, de 22-11-1971 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível