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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Chafariz das Cinco Bicas

Arquitectura Civil / Chafariz

Designação
Designação Atual
Chafariz das Cinco Bicas
Outras Designações
Chafariz das Cinco Bicas (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Chafariz
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O último dos três chafarizes que, em meados do século XVIII, foram edificados nas Caldas da Rainha com o objectivo de colmatar o abastecimento de água à cidade é, também, o mais imponente do conjunto, destacando-se pelas dimensões e aparato cenográfico das volutas e das bacias por onde a água escorre, em cascata. Se os dois anteriores apresentavam, apenas, uma bica cada um, este chafariz, tal como o próprio nome indica, dispõe de cinco, todas alinhadas sob a taça inferior. De acordo com as inscrições presentes nos espaldares de todos estes equipamentos, as bicas são uma alusão às sete plêiades, filhas de Atlas e da oceânide Plêione (as oceânides eram divindades femininas personificadas por fontes, riachos, cursos de água, que descendiam de Oceano), retomando, assim, um temática da mitologia clássica, conforme era habitual na iconografia barroca presente em arquitecturas relacionadas com água.
A questão do abastecimento de água às cidades conheceu uma maior projecção no decorrer dos séculos XVII e XVIII, em função do crescimento urbano e das melhorias técnicas, que permitiram encontrar soluções mais adequadas e eficazes. Por outro lado, e para alem da sua importância cenográfica no contexto do barroco, estava em causa a satisfação de necessidades elementares das populações, ideia que se inscrevia no pensamento iluminista de então (ROSSA, 1989, p. 115). O reinado de D. João V foi fértil em exemplos de planos de abastecimento de água às cidades, quer tenham decorrido da sua própria iniciativa, quer de outras individualidades, como D. Tomás de Almeida, em Santo Antão do Tojal, ou o Arcebispo de Braga, D. José de Bragança, entre outras. No caso ds Caldas da Rainha, a presença do rei, entre 1742 e 1748, não terá sido estranha aos melhoramentos e obras então verificados, e entre os quais incluímos o aqueduto (Manuel da Maia e Eugénio dos Santos), e os três chafarizes que conduziram a água até à zona de maior concentração populacional.
Aos factores já apontados, e que justificam a preocupação com a água neste período, acresce, naturalmente, o prestígio granjeado por parte de quem impulsionava as obras, e que via assim reforçada a sua imagem. No chafariz das Cinco Bicas, o reconhecimento da personalidade magnânima do Rei encontra-se na mesma fita, com a inscrição em latim alusiva às plêiades: coeli beneficio salubriu regis munificiencia prereniu plieadum que aliae quinque, sat unde bibas / e estas as outras cinco Plêiades, de onde beberás quando quiseres, saudáveis por benefício do céu, sempre correndo por mercê do Rei. É assim que, no final do percurso iconográfico dos chafarizes, o rei é louvado pela sua iniciativa, e a água é claramente entendida como uma dádiva celeste.
Apesar da data de 1749, que também aqui encontramos, os trabalhos decorreram entre 1748 e 1751 (MANGORRINHA, 1993, p. 144). O espaldar é formado por um nicho em arco de volta perfeita, flanqueado por duas pilastras, a última das quais com um vaso no remate, elemento que se repete no eixo do arco, sobre a grinalda que o envolve. Duas volutas de grande dimensão prolongam lateralmente o alçado. O nicho acolhe três taças escalonadas, decoradas por acantos e outros temas vegetalistas, e dispostas de forma a que a água, saindo da bica superior, caia em cascata. Na zona inferior encontram-se as restantes cinco bicas, em forma de estrela, cuja água cai para um tanque, datado de 1908, e na zona superior, a fita com a inscrição já referida.
Implantado num plano mais elevado, acede-se ao chafariz por dois lanços de escadas, laterais, ligados pela plataforma de acesso às bicas. À frente desta, no plano térreo, um outro tanque servia de bebedouro para os animais.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 181501
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Leiria / Caldas da Rainha / Caldas da Rainha - Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório
Rua do Diário de Notícias
Caldas da Rainha -
Polícia:
LATITUDE
39.404647
LONGITUDE
-9.13184
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1742
1742 e 1748, não terá sido estranha aos melhoramentos e obras então verificados, e entre os quais incluímos o aquedut...
1748
1748, não terá sido estranha aos melhoramentos e obras então verificados, e entre os quais incluímos o aqueduto (Manu...
1749
1749, que também aqui encontramos, os trabalhos decorreram entre 1748 e 1751 (MANGORRINHA, 1993, p.
1751
1751 (MANGORRINHA, 1993, p.
1908
1908, e na zona superior, a fita com a inscrição já referida. Im
1982
1982 (ver Decreto) O último dos três chafarizes que, em meados do século XVIII, foram edificados nas Caldas da Rainha...
1989
1989, p.
1993
1993, p.
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"CHAFARIZ", Dicionário da Arte Barroca em Portugal ROSSA, Walter Edição 1989 Lisboa
Introdução à História das Caldas da Rainha SERRA, João Edição 1991 Caldas da Rainha
Memórias das Caldas da Rainha 1484-1884 CARVALHO, Augusto da Silva Edição 1932 Lisboa
"Arquitectura caldense no século XVIII", Terra de Águas - Caldas da Rainha História e Cultura, p. 137-152 MANGORRINHA, Jorge Edição 1993 Caldas da Rainha

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