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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Nossa Senhora da Oliveira

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Nossa Senhora da Oliveira
Outras Designações
Igreja da Colegiada de Guimarães / Igreja e Colegiada de Guimarães / Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira / Museu Alberto Sampaio (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O mosteiro pré-românico, fundado por D. Mumadona em 949, e para protecção do qual se construiu um primeiro castelo de Guimarães, deu lugar, ao que tudo indica logo nos inícios do século XII (RAMOS, 1991, v.I, p.86), à Colegiada de Santa Maria de Guimarães, uma das mais importantes e ricas instituições religiosas portuguesas da Baixa Idade Média. Destas primeiras fases muito pouco é o que sabemos, destruídas por reformas posteriores e escassamente documentadas por vestígios materiais remanescentes.
No Museu Alberto Sampaio conserva-se um capitel românico, datado da segunda metade do século XII e procedente do portal principal da igreja, que ajuda a caracterizar, em alguma medida, o que terá sido este templo nos séculos do Românico, com uma iconografia tipicamente beneditina (em torno do Bem e do Mal) e com uma relativa qualidade ao nível do trabalho escultórico. Mais importante é a parte do claustro duocentista que ainda se conserva. Esta quadra foi bastante modificada na época manuelina, mas mantém, ainda, alguns capitéis e, especialmente, a frontaria da Sala do Capítulo. Por estes elementos, podemos concluir ter sido este claustro uma das mais importantes obras românicas da época, ainda com grande carga estética moçárabe - pelo recurso, por exemplo, a arcos de feição ultrapassada -, característica que lhe confere o estatuto de "melhor conjunto românico-mudéjar, em granito, de Portugal" (ALMEIDA, 2001, p.110).
No século XIV, a Colegiada de Guimarães era um importante ponto de romaria e de peregrinação, muito se ficando a dever tal facto à imagem de Santa Maria, a mesma venerada por D. João I, nas vésperas da Batalha de Aljubarrota. Aqui iniciou-se um dos mais importantes capítulos da história deste monumento. Em 1387, na sequência de um voto feito pelo próprio D. João I, procedeu-se à remodelação do anterior edifício. Parece que as obras fundamentais foram bastante rápidas, sendo o novo templo solenemente sagrado em 1401, não obstante notícias posteriores darem conta da continuação dos trabalhos, pelo menos, até 1413.
A reforma gótica da velha Colegiada foi um marco da arquitectura gótica no Norte do país. Em termos planimétricos, a estrutura é comum: três naves de três tramos e transepto saliente, sendo a iluminação muito escassa; características que terão desgostado ao rei, que "não ficou muito satisfeito com as dimensões da igreja" (DIAS, 1994, p.130). Outros elementos, todavia, contrariam a aparente continuidade desta obra. A grande janela do registo superior da fachada principal, organizada como um verdadeiro "janelão-retábulo" (ALMEIDA e BARROCA, 2002, pp.62-63) constitui um dos nossos melhores programas iconográficos góticos. Integralmente dedicado à genealogia da Virgem, compõe-se de uma Árvore de Jessé, a que não falta a Anunciação, a culminar a mensagem mariana e, por esta via, também cristológica do conjunto.
Muito se tem escrito sobre o arquitecto desta campanha: João Garcia de Toledo. O seu nome anda ligado às principais obras do reinado de D. Fernando (CHARRÉU, 1995, vol. I, pp.154-155) e parece ter continuado no cargo após a Revolução, razão da sua escolha pelo monarca. No entanto, com a construção da Oliveira terminava uma fase do Gótico nacional; as décadas seguintes haveriam de ditar uma nova orientação estética, simbolizada pela grande obra, de gosto inglês, que foi o Mosteiro da Batalha.
Da época gótica ficou, ainda, parte das asnas do telhado das naves, decoradas com painéis de pinturas de sabor heráldico, bestiário, etc., obras que constituem, muito provavelmente, o mais antigo conjunto de pinturas nacionais conservadas.
Na época moderna foram várias as remodelações: a nova capela-mor, bastante mais profunda que a original, data do reinado de D. Pedro II; grandes telas barrocas, atribuídas a Pedro Alexandrino, decoram as paredes; em 1801, contra a vontade da população, a Câmara cortou a oliveira, que secularmente definiu o espaço em frente da igreja.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 1-02-1956, publicada no DG, II Série, n.º 94, de 19-04-1956 (com ZNA) (ZEP da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, do Padrão comemorativo da Batalha do Salado e dos Paços Municipais)
Afectação 9913229
Localização
Braga / Guimarães / Oliveira, São Paio e São Sebastião
Largo da Oliveira
Oliveira do Castelo -
Polícia:
LATITUDE
41.442907
LONGITUDE
-8.2924
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1387
1387, na sequência de um voto feito pelo próprio D. J
1401
1401, não obstante notícias posteriores darem conta da continuação dos trabalhos, pelo menos, até 1413.A reforma góti...
1413
1413.A reforma gótica da velha Colegiada foi um marco da arquitectura gótica no Norte do país. Em
1801
1801, contra a vontade da população, a Câmara cortou a oliveira, que secularmente definiu o espaço em frente da igrej...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) O mosteiro pré-românico, fundado por D. Mu
1991
1991, v.I, p.86), à Colegiada de Santa Maria de Guimarães, uma das mais importantes e ricas instituições religiosas p...
1994
1994, p.130).
1995
1995, vol.
2001
2001, p.110).No século XIV, a Colegiada de Guimarães era um importante ponto de romaria e de peregrinação, muito se f...
2002
2002, pp.62-63) constitui um dos nossos melhores programas iconográficos góticos. I
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
O Tardo-Gótico em Portugal, a Arquitectura no Alentejo SILVA, José Custódio Vieira da Edição 1989 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
O Mosteiro e a Colegiada de Guimarães, ca. 950-1250 RAMOS, Cláudia Maria Novais Toriz da Silva Edição 1991 Porto
O Mosteiro de Guimarães MARQUES, José Edição 1990 Guimarães
A Colegiada de Guimarães no priorado de D. Afonso Gomes de Lemos (1449-1487) MARQUES, José Edição 1981 Guimarães
Património e rendas da Colegiada de Guimarães, em 1442 MARQUES, José Edição 1981 Guimarães
"Um percurso por Guimarães medieval no século XV", Patrimonia, nº1, 1996, pp.9-16 FERREIRA, Maria da Conceição Falcão Edição 1996
"A simbólica do mal nas pinturas da igreja da Colegiada de Guimarães", Sep. Actas - Congresso Histórico de Guimarães e sua Colegiada, 4 TEIXEIRA, Luís Manuel Edição 1981 Guimarãres
As pinturas dos tectos da igreja da Colegiada de Guimarães e a sua situação no contexto da pintura medieval peninsular TEIXEIRA, Luís Manuel Edição 1981 Guimarães
Rendas e arrendamento da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães (1684-1731) OLIVEIRA, Aurélio de Edição 1981 Guimarães
Visitações de D. Fr. Baltasar Limpo na Arquidiocese de Braga visitações à colegiada de Nossa Senhora de Oliveira e a outras igrejas da região de Guimarães SOARES, Franquelim Neiva Edição 1983 Braga
São Nicolau a sua irmandade e a sua capela na insígne e Real Colegiada de Guimarães SILVA, Lino Moreira da Edição 1994 Guimarães
História da Real Colegiada de Guimarães OLIVEIRA, Manuel Alves de Edição 1978 Guimarães
"29. Cruz processional", ficha técnica de catálogo, Mil anos a construir Portugal, 2000, p.92 BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Guimarães
"24. Inscrição comemorativa da fundação da Igreja gótica de Nª. Sª. Oliveira", Mil anos a construir Portugal BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Guimarães
"14. Capitel românico do portal da colegiada de Nª. Sª. Oliveira", ficha técnica de catálogo, Mil anos a construir Portugal, 2000, p.85 BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Guimarães
"18. Santa Maria de Guimarães", ficha técnica de catálogo, Mil anos a construir Portugal, 2000, p.87 BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Guimarães
Alguns documentos da Colegiada de Santa Maria da Oliveira de Guimarães existentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo PEREIRA, Isaías da Rosa Edição 1981 Guimarães
Guimarães - roteiro turístico FONTE, Barroso da Edição 1995 Guimarães
"A igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães", Arquivo Pitoresco, nº4, 1861, p.355 BARBOSA, Inácio de Vilhena Edição 1861
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
Igreja de N. S. da Oliveira, Boletim da DGEMN, nº 128 Edição 1981 Lisboa
Mil anos a construir Portugal Edição 2000 Guimarães

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