Nota Histórico-Artistica
Alter Pedroso é freguesia do Concelho de Alter do Chão, mas terá sido justamente na colina desta localidade, onde se erguem ainda vestígios do seu castelo tercentista, que se desenvolveram os antiquíssimos núcleos de povoamento (da Idade do Ferro e, mais tarde, romanos) que deram origem ao burgo medieval. Ao domínio muçulmano, a partir do século VI, seguiu-se então a Reconquista cristã, em inícios do século XIII. O desenvolvimento da região terá arrancado a partir de então, e certamente motivaria a outorga de foral, primeiro, e ainda em 1216, a Alter Pedroso (João de ALMEIDA, 1948) e depois a Alter do Chão (1249), por D. Afonso II. É provável que as primeiras obras dos castelos de Alter do Chão e Alter Pedroso tenham seguido a par, e sob patrocínio da Ordem de São Bento de Avis, a quem o território fora doado pelo menos a partir de 1211, na pessoa de Fernão Anes, terceiro mestre da Ordem. Deste senhorio restam marcas como as ruínas da Capela de São Bento, edificação medieval intra-muros da qual ficou pouco mais que a porta; a imagem de São Bento aí encontrada está hoje na Igreja Paroquial de Alter Pedroso.
Embora uma suposta intervenção de D. Dinis (1279-1325) seja tomada como certa por muitos autores, e corresponda a uma forte probabilidade, visto que neste reinado quase todos os castelos da raia alentejana foram pelo menos reforçados, a verdade é que não existem registos que o possam confirmar. Mesmo mais tarde, em 1359, quando o vizinho castelo de Alter do Chão é reerguido por ordem de D. Pedro I, nenhuma notícia dá conta da situação deste recinto fortificado. Embora a sua situação defensiva fosse privilegiada, não apenas pelas potencialidades naturais da implantação como também pela participação na linha defensiva do Alentejo, com o Castelo de Alter do Chão, a verdade é que a fortificação de Alter Pedroso estava praticamente desguarnecida em 1662, em plena Guerra da Restauração, tendo sido arrasada pelas tropas de D. João da Áustria.
Do conjunto restam alguns troços de muralha, originalmente de forma elíptica, ligando elevações rochosas que desta forma são integradas nos paramentos, um cubelo, e a porta gótica do castelo. No interior encontram-se os vestígios da Capela de São Bento e uma cisterna, para além de algumas construções modernas, dentre as quais se destaca o cemitério do século XIX, já desactivado, que terá substituído um cemitério medieval. SML
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível